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Grupo Brasileiro Pluma Investe US$ 50 Milhões na Avicultura do Paraguai

Projeto prevê a produção de ovos férteis e pintinhos de um dia, insumos fundamentais para sustentar o crescimento das granjas no país vizinho

4 min

O Paraguai pretende fortalecer sua indústria avícola com investimentos destinados a completar etapas estratégicas da cadeia produtiva, marcando um antes e um depois no país, com a intenção de posicionar a nação como o grande polo avícola da América Latina. Nesse caminho, o projeto do grupo brasileiro Pluma, que contempla um investimento de US$ 50 milhões (R$ 252,6 milhões na cotação atual) em Yhú, Caaguazú, prevê a produção local de ovos férteis e pintinhos de um dia, insumos fundamentais para sustentar o crescimento das granjas no país.

A iniciativa prevê uma capacidade de produção de seis milhões de ovos férteis por mês e a geração de 180 empregos diretos. Para Javier Viveros, vice-ministro da Indústria, o projeto representa uma oportunidade de ampliar a capacidade produtiva do país e distribuir seus benefícios para além dos principais centros urbanos. Com sede em Dois Vizinhos, no Paraná, o Grupo Pluma pertence aos sócios-proprietários e fundadores Lauri, Adroaldo e Adriano Paludo, mais Mauri Mazurek.

“Esse investimento representa um passo estratégico para completar a cadeia avícola no Paraguai. O mais importante é que incorporamos uma etapa fundamental da produção dentro do país, e isso significa maior segurança no abastecimento de nossas granjas e mais valor agregado que permanece no Paraguai”, destacou.

ArqForbes ParaguaiJavier Viveros, vice-ministro da indústria paraguaia

O impacto também poderá alcançar produtores agrícolas, transportadores e prestadores de serviços, considerando que a disponibilidade de insumos nacionais também permitiria acompanhar a expansão das granjas. Da mesma forma, seria possível intensificar o aproveitamento de matérias-primas locais, especialmente milho e soja, utilizadas na fabricação de rações.

Menos dependência e maior capacidade

Um dos principais desafios da indústria consiste em reduzir sua dependência do fornecimento externo de ovos férteis e pintinhos de um dia. Segundo estimativas do setor, o complexo da Pluma poderá contribuir para que o Paraguai alcance uma produção local próxima de 90% de suas necessidades de abastecimento nesses segmentos, uma meta que dependerá da entrada em operação e da utilização progressiva da capacidade instalada.

O avanço coincide com um período de expansão das exportações avícolas. Segundo dados do Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal (Senacsa), para agosto de 2026, os embarques superaram 10.600 toneladas, com receitas de quase US$ 13 milhões (R$ 65,68 milhões). Os números representam aumentos anuais de 57% em volume e 69% em receitas cambiais, em um cenário também marcado pela abertura de novos mercados, como Taiwan.

“Para nossos produtores, isso significa contar com um fornecimento local mais previsível e reduzir a exposição a interrupções no abastecimento externo. O objetivo é transformar cada vez mais nossa produção agrícola em proteína animal e empregos nacionais”, destacou Viveros, ressaltando a importância de contar com um fornecimento mais previsível de insumos, o que permitirá reduzir a exposição a interrupções externas e oferecer melhores condições para que os produtores ampliem suas operações.

A estratégia contempla a articulação de diferentes participantes: a Pluma produzirá ovos férteis e pintinhos; as granjas ficarão responsáveis pela engorda, enquanto empresas como JBS e Pollpar participarão do processamento e da comercialização. Essa integração será fundamental para acompanhar o crescimento da oferta e atender a uma demanda internacional em expansão, segundo o vice-ministro da Indústria.

A JBS retornou oficialmente ao Paraguai em outubro de 2025, marcando sua volta ao país sete anos após ter vendido seus ativos locais de carne bovina para a Minerva. O retorno estratégico ocorreu por meio de investimentos massivos no setor avícola, iniciados com a aquisição da marca Pollos Amanecer. Como referência de escala, a JBS anunciou que sua unidade alcançará uma capacidade de processamento de 100 mil aves por dia após sua ampliação. A disponibilidade de matéria-prima avícola produzida localmente contribuiria para sustentar esse desenvolvimento, embora o impacto concreto sobre as exportações também dependa da capacidade de abate, da expansão das granjas e da autorização sanitária de novos destinos.

Tornar-se o grande polo avícola das Américas exige, portanto, ir além do aumento da produção, na visão de Viveros, pois o Paraguai precisará consolidar uma cadeia capaz de transformar suas vantagens agrícolas em proteína animal, empregos e divisas. Isso também precisa estar necessariamente associado a investimentos que fortaleçam cada elo da cadeia e permitam competir de forma contínua nos mercados internacionais.

Publicado originalmente em Forbes Paraguai

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