Estamos só no início da real transformação digital

Busakorn Pongparnit/Getty Images
Busakorn Pongparnit/Getty Images

Inovações que conhecemos agora, como a inteligência artificial, estão no início da real transformação que podem promover no modo como nos comunicamos, trabalhamos e consumimos

Após mais de 20 anos liderando equipes em grandes empresas de tecnologia e inovação, descobri após a pandemia que eu poderia ser ainda mais digital. Que era preciso estar presente para cada membro do time mesmo com o trabalho remoto. Nunca antes usei tantos aplicativos para me conectar com equipes, clientes e parceiros. Na posição de consumidor, passei a fazer mais compras online e a acessar um número maior de experiências digitais. Tenho certeza de que essas mudanças de hábitos aconteceram com outros tantos brasileiros também.

Mesmo com a maior adoção de tecnologias que estamos todos vivenciando, será que já chegamos ao ápice da tão falada transformação digital? Será que os negócios conseguiram se adaptar neste último ano?

Para traçar um cenário do momento em que estamos, vou utilizar como referência a obra “Inevitável: as 12 forças tecnológicas que mudarão nosso mundo”, do norte-americano Kevin Kelly. Para o autor, as inovações que conhecemos agora estão só no início da real transformação que podem promover no modo como nos comunicamos, trabalhamos e consumimos. Algumas delas são, como o título sugere, inevitáveis.

Porém, antes de fazer esse exercício futurista, Kelly traça um paralelo perfeito com o passado. A internet, por exemplo, foi algo inevitável, mas as redes sociais poderiam ter sido criadas de forma diferente da qual as conhecemos hoje. A eletricidade foi outra inovação irremediável. Tudo o que conhecíamos foi melhorado com uma “injeção” de eletricidade.

Voltando a atenção para os dias atuais, a inteligência artificial (IA) é um dos recursos tecnológicos inevitáveis do nosso tempo e em alguns anos se tornará mais acessível. Logo, tal qual a eletricidade, a IA será utilizada em toda parte, embutida em serviços e produtos que consumimos.

Por sua vez, a quantidade de dados e informações que a IA será capaz de gerar, uma vez presente em nossa rotina, é imensa. Com isso, os negócios de hoje que quiserem continuar sendo relevantes para seus consumidores em um futuro próximo terão que adotar uma cultura organizacional data-driven, capaz de processar, analisar e obter insights por meio desse gigantesco volume de dados disponibilizado pela IA. Ainda que essa discussão sobre ter uma operação baseada em big data não seja recente, são poucas as empresas que conseguiram, de fato, implementá-la. Trata-se de um fator que se tornou imperativo e essencial.

Entre as muitas áreas impactadas pela IA está o marketing, que já está passando por mudanças profundas. Em poucos anos, as marcas deverão adotar uma comunicação capaz de antecipar as necessidades dos consumidores, tornando a experiência digital mais relevante para os clientes. É o que chamamos de marketing preditivo. De novo, os dados sobre comportamento e jornada do consumidor devem guiar cada tomada de decisão, inclusive dos C-Levels.

Quando o assunto em pauta é se tornar relevante para os clientes, temos em curso ainda outra mudança: a crescente compra e procura por experiências – não por produtos. Como consumidor, desejo ter uma boa experiência digital com as marcas de que eu gosto, quero personalização e facilidades. Mais do que isso, quero que meu banco tenha uma experiência digital tão boa quanto a que eu tenho com o aplicativo de mobilidade. Não por mera coincidência, os serviços on demand cresceram justamente por oferecer um nível altíssimo de personalização e facilidade. Com inteligência artificial e algoritmos eles conseguem nos sugerir músicas, filmes e livros que são relevantes para cada um de nós. Imagine o quanto de fãs terá uma marca que consiga antecipar e atender a dor do seu cliente?

Diante de algumas poucas empresas que largaram na primeira fila da própria transformação digital e em meio a crises e incertezas, é comum que muitos C-Levels ainda tenham dificuldade em traçar uma estratégia vitoriosa, guiando a equipe na digitalização. No entanto, quando colocada como agenda principal dos tomadores de decisões e a sua importância permeia toda a empresa, o sucesso no longo prazo está um pouco mais garantido.

Como Kelly bem pontua em sua obra, a IA e outras tendências tecnológicas estão apenas engatinhando. Ainda há muito a ser descoberto ou mesmo transformado. E, apesar das evoluções que nem sempre conseguimos acompanhar na velocidade em que acontecem, acredito que a tecnologia certa sempre chega para a geração certa.

Muito prazer, eu sou Federico Grosso, general manager da Adobe para América Latina, e a partir de agora estarei neste espaço todos os meses para compartilhar com você insights sobre transformação digital. Vamos juntos?

Federico Grosso é general manager da Adobe para América Latina

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