Como o investimento de impacto deixa a sua marca no mundo

Os millennials e a Geração Z não querem mais trabalhar para empresas que buscam apenas a maximização do retorno para o acionista.

Haroldo Rodrigues
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Getty Images/Marko Geber
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Após quase duas décadas de árdua labuta, esses negócios de impacto continuam crescendo, ganhando confiança e credibilidade nos mercados

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Depois de décadas sendo confundido com a filantropia, o investimento de impacto está finalmente se tornando dominante. A maioria das grandes empresas de gestão de ativos está lançando fundos e estratégias de investimento de impacto, mas ainda sem padrões mais fortes, sem muita diversidade de atores e sem foco mais amplo.

De fato, há um consenso de que a economia precisa ser ressignificada. Não à toa, em 2019, a poderosa Mesa Redonda de Negócios nos Estados Unidos lançou um apelo aos CEOs corporativos para que façam projeções de seus impactos sobre todos os stakeholders, não apenas sobre seus acionistas.

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Da mesma forma, não se tem expectativa de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) sem a mobilização do capital privado para complementar o financiamento público. O investimento de impacto faz parte da resposta.

A ideia não é nova. Já na década de 1990, alguns investidores arrojados reconheceram que apenas excluir categorias ruins de investimentos de suas carteiras não era suficiente. Eles se concentraram na conexão entre retornos superiores e como uma empresa gerencia questões ambientais, sociais e de governança (ESG). As evidências dessa estratégia sugeriram que tratar bem os funcionários, buscar a diversidade na diretoria e gerenciar a pegada ambiental de uma empresa pode, de fato, ter um impacto positivo nos retornos financeiros.

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No início dos anos 2000, vários investidores em mercados emergentes reconheceram que outra ampla mudança estava em andamento. Surgia aí uma nova geração de empreendedores: são construtores de negócios com a intenção explícita de resolver problemas sociais e ambientais prementes. E logo ficou claro que investir em tais empresas poderia ter impacto no mundo real e trazer retornos financeiros além do esperado.

Após quase duas décadas de árdua labuta, esses negócios continuam crescendo, ganhando confiança e credibilidade nos mercados. O que antes era nicho agora está se tornando uma tendência dominante.

A adesão ao atual e tradicional sistema econômico representa uma traição às gerações futuras devido à sua insustentabilidade ambiental. Outra razão é que os millennials e a Geração Z não querem mais trabalhar para empresas que só possuem como valor a maximização do retorno para o acionista. Eles também não têm interesse em investir em negócios desse tipo, nem em consumir o que essas companhias oferecem.

E, por último e não menos importante, executivos e investidores começam a reconhecer que seu próprio sucesso de longo prazo está intimamente ligado ao de seus clientes, funcionários e fornecedores.

Assim, a corrida do capital para o investimento de impacto requer padrões mais elevados de conformidade dos negócios.

Em primeiro lugar, os negócios precisam de modelos consistentes e padronizados para avaliar o alegado impacto gerado. Colocar um logotipo “ODS” ou “boas práticas ambiental, social e governança – ESG” na frente do seu fundo não o torna um investidor de impacto.

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Resultados de impacto devem ser acompanhados de rigorosas diligências, com requisitos claros de avaliação, consultas com os beneficiários finais, e relatórios exatos e verificados de forma independente.

Em segundo lugar, os investidores devem se comprometer a recrutar negócios próximos aos problemas que estão sendo abordados. Além disso, não se tem dúvida de que equipes diversas tendem a superar as homogêneas. Proprietários de ativos, gestores de fundos e empreendedores devem ser representativos das comunidades atendidas.

E, finalmente, à medida que os investidores alocam recursos para novas estratégias de investimento sustentável e de impacto, eles também devem levar em conta os efeitos potencialmente negativos do restante de seus portfólios.

Em vez de ser uma nutritiva folha de figueira, o investimento de impacto deve ser como a ponta fina de uma cunha, abrindo espaço para investidores tradicionais aplicarem avaliações de impacto a todos os ativos em seus portfólios. Se eles realmente querem deixar sua marca no mundo, não há alternativa.

Haroldo Rodrigues é sócio-fundador da investidora in3 New B Capital S.A. Foi professor titular e diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Universidade de Fortaleza e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Ceará.

 Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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