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A Exclusão Silenciosa das PMEs do Sistema Financeiro e a Aposta Para Virar o Jogo

Enquanto o sistema financeiro tradicional ignora milhões de empresas, Delend aposta em inteligência artificial e Open Finance para virar esse jogo

4 min

No Brasil, empreender ainda é um ato de resistência. Mais de 99% das empresas brasileiras são micro, pequenas ou médias — um contingente de cerca de 19 milhões de CNPJs ativos — que respondem por mais da metade dos empregos com carteira assinada no setor privado e por 27% do PIB nacional. No entanto, apesar de sua relevância econômica, as PMEs continuam sendo tratadas como invisíveis pelo sistema financeiro tradicional.

O acesso ao crédito, em especial, é um dos maiores entraves: apenas 29% da demanda é atendida pelas instituições financeiras, segundo dados do Banco Central. A lacuna é bilionária: R$2,5 trilhões em crédito não concedido. Essa exclusão ocorre por uma combinação de fatores — da informalidade e assimetria de dados à dificuldade dos bancos em analisar risco de forma eficiente e escalar operações em segmentos pulverizados.

Além disso, o modelo bancário ainda é guiado por lógicas que favorecem grandes empresas: critérios rígidos, exigência de garantias reais, baixa digitalização do processo de análise e custos operacionais elevados tornam o crédito para PMEs pouco atraente para grandes instituições. O resultado é um mercado distorcido, onde boa parte dos pequenos empreendedores recorre a soluções informais ou compromete o capital de giro para manter o negócio vivo.

Foi diante desse cenário que os empreendedores Fernando Steler, Licio Carvalho e Harry Cerqueira decidiram unir forças. Com passagens por negócios como D1, Tarkena AI e Impactools, eles já conheciam os desafios do setor financeiro. Em 2022, lançaram a Delend com o objetivo de mudar a forma como as PMEs acessam crédito no Brasil.

Ao invés de buscar rodadas iniciais com fundos de investimento, os fundadores decidiram apostar o próprio capital e investiram R$30 milhões no início da operação. A proposta era ousada: criar uma solução baseada em Inteligência Artificial Multiagente, conectada ao Open Finance e operando via WhatsApp, capaz de automatizar toda a jornada de crédito — da análise à liquidação e cobrança. O foco está nas vendas a prazo das PMEs, que são transformadas em Duplicatas Escriturais Eletrônicas conforme a regulação do Banco Central.

“O que impede uma PME de acessar crédito não é a falta de vontade de pagar. É a desconfiança nos dados, a ausência de garantias e o alto custo de servir esse cliente. Tudo isso pode ser resolvido com tecnologia”, afirma Fernando Steler.

A estratégia deu resultado. Um ano após a aquisição da Rede OK, a Delend já operava no breakeven de EBITDA. A previsão é alcançar lucro líquido até 2026. No caminho, a empresa chamou atenção de investidores institucionais como o CVC do Mercado Bitcoin e o Scout Fund da a16z.

O apoio da Endeavor também teve papel relevante na trajetória. Os fundadores foram selecionados como Empreendedores Endeavor e participaram de mentorias com nomes de peso, como o diretor de produtos da OpenAI, que colaborou com insights sobre o uso de IA generativa na estruturação das soluções da empresa.

Hoje, a Delend não quer apenas crescer como negócio. Quer mudar a lógica de um mercado que exclui a base da economia brasileira. “Nosso objetivo é reduzir essa lacuna bilionária de crédito com soluções pensadas para a realidade local, em escala nacional”, afirma Harry Cerqueira.

Mais do que desafiar os bancos, a Delend quer construir um novo capítulo para as PMEs no Brasil. Onde acesso a crédito seja a regra, não a exceção.

A Endeavor é uma rede global presente em mais de 40 países e formada pelos empreendedores e empreendedoras que mais crescem no mundo. No Brasil desde 2000, acelera negócios com potencial escalável por meio do programa Scale-Up e promove conexões entre os maiores líderes do país e empreendedores em início de jornada. Também investe em startups em fases Seed e Series A, com o fundo Scale-Up Ventures.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da Forbes Brasil e de seus editores.

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