A transição energética é, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade bilionária. O Brasil, com sua abundância de recursos renováveis, é visto como um dos países com maior potencial para liderar essa transformação, afinal, já conta com mais de 80% da matriz elétrica limpa. Mas entre o interesse dos investidores globais e os projetos sustentáveis nascendo em solo nacional, existe uma lacuna complexa, feita de burocracia, descontinuidade regulatória, gargalos na rede elétrica e dificuldade de estruturação financeira.
Para destravar esse potencial, o setor aposta em infraestrutura como serviço (IaaS) e inovação financeira. A IaaS oferece modelos de negócio com receita recorrente e menos risco, democratizando o acesso à energia limpa. A inovação financeira, por sua vez, atrai capital global e nacional. O setor de renováveis, por exemplo, liderou as fusões e aquisições (M&A) em 2025, movimentando cerca de R$ 120 bilhões.
Foi justamente para preencher essa lacuna que a Brasol surgiu, em 2017, com uma proposta de criar uma plataforma integrada de energia distribuída que conectasse o capital internacional a projetos de infraestrutura limpa no Brasil. Na época, Ty Eldridge acabava de encerrar um ciclo bem-sucedido como cofundador da Shift Energy, referência no setor na Ásia. Ao lado do colombiano David Betancur, com quem dividiu as salas da Georgetown University anos antes, decidiu apostar no país.
A caminhada, no entanto, não foi fácil. O plano inicial de investimento de US$ 100 mil rapidamente se tornou um esforço de sobrevivência. Sem tração suficiente para atrair capital institucional, os fundadores injetaram meio milhão de dólares do próprio bolso, maximizando cartões de crédito e vendendo bens pessoais. A virada só veio em 2020, com o primeiro aporte institucional feito pela Siemens Financial Services. Foi o ponto de inflexão que permitiu à Brasol destravar seu portfólio inicial de projetos e validar o modelo de negócio.
Hoje, a Brasol é uma infraTech focada na transição energética. Unifica desenvolvimento, engenharia, estruturação de capital e operação em uma única plataforma. Isso gera contratos mais atraentes para clientes e maior previsibilidade para investidores. A empresa foi pioneira com os primeiros CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) lastreados em energia solar e FIIs (Fundos de Investimento Imobiliário) do setor no Brasil.
Esse dinamismo acompanha o crescimento da micro e minigeração distribuída (MMGD). Em 2024, a solar fotovoltaica adicionou 8,85 GW no Brasil, superando 35 GW de potência instalada total. Projeções indicam que o Brasil liderará a adição de 26 GW de novas capacidades em energia renovável na América Latina.
A visão da empresa vai além da geração de energia. Eles investem em armazenamento com baterias, pontos de carregamento para veículos elétricos, subestações privadas e redes inteligentes. Tudo segue o modelo de infraestrutura como serviço, com receita recorrente e baixo risco ao cliente final.
A relação com a Endeavor também é um pilar fundamental. Ty e David foram selecionados como Empreendedores Endeavor e destacam o valor das mentorias e da rede de pares. “Mais do que contatos ou capital, a gente se conecta com pessoas que acreditam que grandes problemas globais podem ser resolvidos com empreendedorismo”, afirma Ty.
Agora, a meta é ambiciosa: tornar-se uma das três principais empresas de transição energética do Brasil. “A oportunidade está diante de nós, mas exige inovação técnica, excelência na execução e, acima de tudo, resiliência para enfrentar os desafios estruturais do país”, complementa David.
A Endeavor é uma rede global presente em mais de 40 países e formada pelos empreendedores e empreendedoras que mais crescem no mundo. No Brasil desde 2000, acelera negócios com potencial escalável por meio do programa Scale-Up e promove conexões entre os maiores líderes do país e empreendedores em início de jornada. Também investe em startups em fases Seed e Series A, com o fundo Scale-Up Ventures.
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