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Consultório Próprio ou sob Demanda? O Modelo Que Está Redesenhando a Medicina no Brasil

Livance reúne mais de 8 mil médicos em uma rede flexível e conectada, baseada em tecnologia e espaços compartilhados

5 min

O setor de saúde no Brasil é um mercado vasto e em constante evolução, representando cerca de 9,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. A maior parte das despesas desse mercado, cerca de 5,7% do PIB, vem de gastos das famílias, que destinam a maior parte (63,7%) para serviços privados de saúde. Este cenário, no entanto, é marcado por desafios significativos, especialmente para os profissionais autônomos. A fragmentação do mercado de clínicas, onde 81% dos negócios são micro e pequenas empresas, revela a dificuldade de gestão e a baixa diluição de custos fixos, que chegam a 70% do total. Além disso, a taxa de mortalidade de empresas é de 12,36%, mostrando a fragilidade do modelo tradicional.

É nesse contexto que a digitalização acelerada da saúde, impulsionada por startups e novas tecnologias, tenta oferecer soluções. A figura do médico autônomo, sobrecarregado e muitas vezes solitário, enfrenta dilemas como altos custos, excesso de demandas administrativas, ausência de suporte e pouco tempo para se dedicar ao que realmente importa: o cuidado com o paciente. A gestão de uma clínica ou consultório tradicional exige do profissional de saúde uma dedicação que o afasta do que é central em seu trabalho.

Esse cenário desafiador para a saúde, motivou o nascimento da Livance. A história da empresa começa em 2016, na Universidade de Stanford, onde os fundadores Claudio Mifano e Gustavo Machado participavam da disciplina Startup Garage, conhecida por ter dado origem a empresas como a DoorDash. A ideia inicial veio de um amigo de Gustavo, o médico oftalmologista Fábio Soccol, que havia enfrentado desafios logo no início de sua atuação profissional.

A proposta era simples, mas disruptiva para o setor. Democratizar o acesso a consultórios médicos sob demanda, oferecendo espaços compartilhados e serviços administrativos sob medida, em um modelo de assinatura. O profissional pode abrir sua agenda gratuitamente, pagar apenas pelo uso do espaço e contar com apoio completo, desde totem de autoatendimento até gestão de pacientes e marketing.

O desafio inicial, claro, foi explicar esse novo modelo de negócio em um setor historicamente avesso à tecnologia. “Em 2017, falar em totem de autoatendimento ou consultório por minuto parecia ficção científica. A gente precisava trazer o médico para dentro da unidade, mostrar o espaço, explicar pessoalmente como tudo funcionava”, relembra Claudio Mifano.

Mesmo com a complexidade da proposta, os primeiros anos da Livance trouxeram um crescimento consistente. O setor de healthtechs no Brasil está em forte expansão, com mais de 600 startups ativas e R$ 799 milhões movimentados em 2024. A Livance é um exemplo desse movimento, tendo realizado três rodadas de investimento que somam R$ 115 milhões, com participação de fundos como Astella, Monashees e grupos como Iguatemi e Green Rock. Hoje, a Livance reúne mais de 8 mil médicos e profissionais de saúde em sua comunidade, que em breve completarão 2 milhões de consultas realizadas, demonstrando a adesão do mercado a esse novo modelo.

A empresa enfrenta agora um novo tipo de desafio, manter a qualidade e a cultura que marcaram o início da operação mesmo com a escala atual. O foco permanece no cliente, com investimentos em tecnologia, infraestrutura e pessoas. “O médico não quer ser gestor de RH ou de contabilidade. Ele quer ter tempo para o paciente, com dignidade e eficiência. É isso que estamos construindo”, reforça Gustavo Machado.

A relação com a Endeavor, segundo os fundadores, tem sido estratégica para os próximos passos da Livance. Além da visibilidade, a participação como Empreendedores Endeavor garantiu acesso a mentorias valiosas, como com o presidente do Conselho da Droga Raia, Pipponzi, e o presidente do Conselho da Renner, Gallo. Momentos marcantes, como o painel local com Paulo Veras, fundador da 99, o primeiro unicórnio brasileiro, fortaleceram ainda mais a trajetória da empresa, mostrando como o apoio de uma organização focada em empreendedorismo pode impulsionar o crescimento.

Olhando para o futuro, a Livance aposta em uma série de tendências. Da integração entre o físico e o digital ao uso de inteligência artificial para otimizar processos, uma tecnologia que já está presente em 21% das healthtechs brasileiras. O objetivo é melhorar a experiência dos profissionais de saúde e garantir que o cuidado certo chegue à pessoa certa, no momento certo. A revolução na forma de gerenciar consultórios já começou. E, se depender da Livance, vai começar pela porta do consultório.

A Endeavor é uma rede global presente em mais de 40 países e formada pelos empreendedores e empreendedoras que mais crescem no mundo. No Brasil desde 2000, acelera negócios com potencial escalável por meio do programa Scale-Up e promove conexões entre os maiores líderes do país e empreendedores em início de jornada. Também investe em startups em fases Seed e Series A, com o fundo Scale-Up Ventures.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião da Forbes Brasil e de seus editores.

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