Empreender é assumir riscos, desafiar o impossível e transformar ideias em impacto. Mas, por trás das conquistas visíveis, existe um custo invisível que ainda recebe pouca atenção: a saúde mental de quem empreende.
Um dos momentos mais cruciais da jornada empreendedora não acontece em uma planilha de projeções nem em uma reunião de conselho. Ele acontece dentro da mente. Em momentos críticos, clareza emocional e autocontrole podem ser tão determinantes quanto runway ou product-market fit. Por isso, a saúde mental deixa de ser apenas uma questão individual e passa a ser uma variável estratégica para a performance de toda a companhia.
A pesquisa “Saúde e Performance de Pessoas Empreendedoras”, realizada pela Endeavor, mostra a dimensão do desafio do bem-estar para quem empreende: 94% dos empreendedores já enfrentaram alguma condição adversa de saúde mental ao longo da jornada. O dado evidencia que não se trata de um problema isolado, mas de uma realidade quase universal, um ponto de inflexão que pode definir tanto o futuro da pessoa empreendedora quanto o da empresa que ela lidera.
O foco de quem empreende, portanto, não pode estar apenas nos desafios do negócio. Dilemas pessoais, relacionamentos familiares, com amigos e co-founders e bem-estar físico e emocional, são a base que sustenta toda a jornada. Quando a pessoa empreendedora escolhe cuidar de si com a mesma dedicação que dedica ao crescimento da empresa, não está apenas preservando sua saúde. Ela está garantindo a resiliência do time, a consistência das decisões e, em última instância, ampliando o efeito multiplicador que transforma economias inteiras. Nos momentos mais difíceis, é esse retorno ao cuidado com o próprio bem-estar que se torna decisivo para seguir em frente.
O impacto na jornada empreendedora na saúde mental de founders
A rotina de quem empreende costuma ser marcada por altos níveis de pressão: 56% dos empreendedores descrevem o dia a dia como estressante. Os motivos variam desde a situação financeira da empresa, a dificuldade de equilibrar vida pessoal e profissional, a busca constante por capital e o medo do fracasso. Esses elementos não aparecem apenas em momentos de crise, mas acompanham todo o processo de construir e escalar negócios de alto impacto.
O cenário econômico recente intensifica esse peso: a situação financeira afeta 60% dos empreendedores. Isso exige reestruturações rápidas, cortes de custos, reorganização de times e decisões difíceis, que afetam não só a sustentabilidade da empresa, mas também o bem-estar de quem está à frente dela. Muitas vezes, os desafios que determinam a sobrevivência de um negócio são os mesmos que testam os limites emocionais da pessoa empreendedora.
A dedicação costuma ser vista como sinal de paixão, mas, sem espaço para descanso e recuperação, transforma-se em terreno fértil para queda de produtividade, burnout e adoecimento. O impacto não fica restrito ao ambiente corporativo: atravessa a vida familiar, compromete amizades e atinge até a saúde física.
Apesar disso, falar sobre saúde mental ainda é tabu em boa parte do ecossistema. Muitos empreendedores não se sentem à vontade para abrir esse tema com investidores ou mesmo com suas equipes. Persiste a expectativa de que assumam o papel de super-heróis incansáveis, o que limita o diálogo e reforça o estigma.
O caminho para uma jornada mais leve e resiliente
Empreender é uma jornada solitária — e 70% dos empreendedores confirmam isso. Nesse contexto, ter acesso a uma rede de pares torna-se essencial. Em um ambiente de confiança, cada empreendedor percebe que não está sozinho em suas angústias e aprende que dividir o peso das decisões é também uma forma de fortalecer sua capacidade de seguir crescendo.
Há práticas concretas que ajudam a reduzir riscos e aumentar a performance. Manter o sono em dia, praticar exercícios físicos, investir em uma alimentação equilibrada e buscar apoio profissional são atitudes que fazem diferença. Conexões sociais também cumprem papel fundamental: tempo com familiares e amigos, participação em grupos de interesse ou hobbies e até práticas espirituais, como meditação e participação em cerimônias religiosas.
Essas escolhas, muitas vezes vistas como secundárias, funcionam como infraestrutura invisível de alta performance. São elas que permitem clareza estratégica em meio à incerteza, decisões consistentes em períodos de crise e sustentabilidade em uma jornada que se parece muito mais com uma maratona do que com uma corrida de 100 metros.
Para os empreendedores, lidar com a saúde mental é uma tarefa difícil quando feita de forma isolada. Ao compartilhar esse processo com colegas e membros da equipe, eles encontram não apenas apoio, mas também um ambiente em que outros se sentem à vontade para pedir ajuda.
Cuidar da mente não é fragilidade. É, na verdade, um dos pilares mais importantes para quem empreende e deseja seguir crescendo no longo prazo.
A Endeavor é uma rede global presente em mais de 40 países e formada pelos empreendedores e empreendedoras que mais crescem no mundo. No Brasil desde 2000, acelera negócios com potencial escalável por meio do programa Scale-Up e promove conexões entre os maiores líderes do país e empreendedores em início de jornada. Também investe em startups em fases Seed e Series A, com o fundo Scale-Up Ventures.
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