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Conheça experiências desconectadas na Indonésia, no Canadá e na Namíbia

Novo conceito de turismo de luxo é permanecer offline para mergulhar em experiências livres de intoxicação digital

3 min
Derrick Thomson
Derrick ThomsonMisool Eco Resort, na Indonésia

Parece tentador bradar aos quatro ventos que pretendemos tirar uns dias de folga para “esquecer do mundo”. Que estamos planejando uma viagem para nos desligarmos do trabalho e das preocupações e nos conectarmos com as pessoas, com a natureza, conosco mesmos. O discurso é belo – e, sabemos, mais do que necessário, já que cada vez mais somos escravos de nossos dispositivos digitais e, como consequência, perdemos importantes interações sociais e não vivenciamos na plenitude experiências que poderiam ser enriquecedoras, inesquecíveis e transformadoras. Mas, como diz a sabedoria popular, na prática a teoria é outra.

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“Embora tenhamos total consciência de que precisamos nos desconectar, basta eu sugerir um destino remoto, como uma viagem para observação de gorilas em Ruanda, para o cliente logo perguntar: ‘Mas tem wi-fi lá, né?’”, diz Marina Gouvêa, CEO da Primetour, agência especializada em turismo de luxo e experiências. “Muito se fala sobre desconexão e detox digital, e as viagens para isso são uma tendência no exterior. Agora os brasileiros estão percebendo que, em uma viagem para descansar, eles têm de fato que passar a maior parte do tempo sem se conectar em seus smartphones ou tablets.”

Ficar um tempo offline é, comprovadamente, uma necessidade. Levantamento feito pela consultoria Deloitte mostra que mais de 60% dos brasileiros usam o smartphone para fins profissionais fora do horário normal de trabalho com alguma ou muita frequência. Mais de um terço dos entrevistados sente necessidade de conferir constantemente o telefone, enquanto 30% não conseguem dormir no horário pretendido ou se distraem com seus aparelhos ao concluir uma tarefa. E incríveis 68% pegam o celular quando ainda estão dormindo. “Há um movimento para que as pessoas se desconectem, mas também percebemos que elas são muito dependentes do wi-fi quando sugerimos um destino em que avisamos que não haverá sinal por alguns dias – elas ficam tensas”, afirma Gabriela Figueiredo, diretora da agência Matueté, produtora de viagens luxuosas. “No entanto, quando voltam, elas dizem que as experiências foram transformadoras. Outra coisa que costumam valorizar é o fato de os filhos também ficarem sem conexão.”

Gabriela lembra que há uma feira voltada para profissionais do turismo, a Remote, em que a proposta é justamente desconectar-se – se não por dias inteiros, pelo menos por várias horas do dia. “Assim, podemos nos concentrar nas relações que construímos lá. E elas acabam sendo muito mais fortes do que as de outras feiras onde temos conexão wi-fi o tempo todo.”

Marina Gouvêa, da Primetour, acredita que quanto mais a natureza se faz próxima e presente, mais conseguimos nos desligar. “Apesar do paradoxo de todo mundo só fotografar hoje usando smartphones, e não mais com câmeras fotográficas, esses locais em que há contato mais forte com a natureza realmente não combinam com o hábito de ficar no celular”, afirma. “Luxo é ter poder de escolha, é eu escolher que não vou permanecer conectado.”

Veja, na galeria de fotos a seguir, destinos para aproveitar… e desconectar:

Reportagem publicada na edição 67, lançada em maio de 2019

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