Recentemente, I Borghi Più Belli d’Italia (Os Vilarejos Mais Bonitos da Itália), associação dedicada a promover os inúmeros atrativos das pequenas cidades italianas de relevância cultural e artística, adicionou sete novos borghi à sua rede.
As recentes inclusões vão do Piemonte à Basilicata e cada uma delas revela um aspecto da la vera Italia, a Itália verdadeira, que, mesmo em tempos de turismo excessivo, ainda é fácil de encontrar quando se sabe onde procurar.
Confira os sete novos vilarejos da lista
Limone sul Garda

A colorida cidade que fica na margem oeste do Lago de Garda, Limone sul Garda, é uma das escolhas mais conhecidas da associação. Trata-se de uma cidade-balneário que pode ficar bastante cheia no verão e que chegou até a aparecer no filme de James Bond Quantum of Solace, quando Daniel Craig, no papel do agente 007, percorre uma estrada cênica próxima (a SS45bis) a bordo de um Aston Martin.
Ainda assim, o compromisso de Limone com o turismo sustentável e a preservação histórica — critérios fundamentais para a inclusão na lista dos “mais bonitos” — garantiu seu lugar no anúncio de dezembro.
O visitante encontra ali elementos semelhantes aos vilarejos mais disputados do Lago de Como: casas antigas com pátina do tempo, ruas estreitas de paralelepípedos, inúmeras lojas e restaurantes, antigos portos evocativos, além de uma paisagem que lembra um fiorde e um lago que, em dias ensolarados, assume tons profundos de azul-esverdeado. A cidade é famosa por sua tradição ligada ao limão, fruto que, cultivado nas tradicionais limonaie (casas de limão), teve papel central na economia local. É possível visitar a histórica Limonaia del Castèl, onde ainda são cultivados limões, cidras, laranjas, chinottos e toranjas. Há também um lungolago, termo italiano para orla, para caminhadas durante todo o ano e várias pequenas praias às margens do lago.
Pieve di Teco

A Ligúria (também conhecida como Riviera Italiana) é célebre por seu litoral sedutor, mas o interior montanhoso da região guarda uma rede de vilarejos que rivaliza com destinos da Úmbria ou da Toscana — sem as multidões. Com populações reduzidas, tradições preservadas, culinária hiperlocal e vistas deslumbrantes do alto, esses lugares representam alguns dos destinos mais autenticamente italianos.
Pieve di Teco passa agora a integrar a lista ao lado de outros vilarejos do oeste da Ligúria, como Dolceacqua (imortalizada em pinturas de Monet), Seborga (que reivindica status de principado) e Apricale, refúgio de artistas.
Datada do século XIII, Pieve di Teco chama atenção por sua rua principal com arcadas, lembrando Chiavari, cidade costeira liguriana conhecida por seus pórticos históricos. O centro histórico é bem preservado e abriga construções importantes, como o Teatro Salvini, do século XIX — um dos menores teatros da Europa —, a igreja paroquial de San Giovanni Battista, com uma notável coleção de pinturas dos séculos XVI ao XIX, e o ousado Museo delle Maschere di Ubaga, que exibe máscaras tribais pagãs criadas por artistas contemporâneos para destacar a antiga cultura montanhosa da região. A cidade também é conhecida pela cucina bianca, estilo culinário pastoral baseado em ingredientes claros ou “sem cor”, como queijo de cabra, batatas e alho-poró, presentes em sopas de ervas, raviólis de batata, lasanhas vegetais e tortas salgadas.
Castelvetro di Modena

A poucos quilômetros ao sul de Modena — cidade famosa por seus carros esportivos e pela gastronomia —, Castelvetro di Modena é um destino dos sonhos para amantes da boa mesa. Cercada por vinhedos de Lambrusco e associada a produtos emblemáticos como o vinagre balsâmico e o Parmigiano Reggiano, a cidade oferece restaurantes que servem especialidades rurais, muitas vezes artesanais, como tortellini, gnocco fritto (pão frito acompanhado de embutidos) e o bensone, um bolo-pão recheado com geleias de frutas.
Em um cenário quase cinematográfico, Castelvetro preserva seu legado medieval com seis torres antigas, duas delas voltadas para a Piazza Roma, ao lado do Palazzo Municipio (a prefeitura). Na praça, destaca-se uma atração curiosa: um grande tabuleiro de xadrez em preto e branco, de criação mais recente. O local sedia festivais gastronômicos e enológicos, além da Festa a Castello, de inspiração renascentista, realizada duas vezes por ano, e da Partita a Dama Vivente, um jogo de damas em tamanho real no qual pessoas fazem o papel das peças. Próximo dali está o Palazzo Rangoni, antiga residência de nobres governantes, com salas ricamente decoradas do século XVI. Sua exposição permanente Fili d’Oro apresenta trajes da era renascentista.
Cusano Mutri

Situada no interior da Campânia, não muito longe da fronteira com Molise, Cusano Mutri parece ter congelado no tempo, como se pertencesse a um mundo distante do ritmo frenético da Costa Amalfitana, localizada a cerca de 120 quilômetros. O site Italy for Movies, que cataloga cenários cinematográficos no país, destaca a cidade por seu “caráter medieval”. Entre os atrativos estão os vestígios de um castelo do século XIII e, como descreve o site, “vielas sinuosas e escadarias de pedra, arcos, campanários e cúpulas que despontam acima dos telhados”. O traçado compacto e antigo cria inúmeros recantos cênicos e, a 475 metros de altitude, oferece mirantes com vistas amplas — um verdadeiro deleite para cineastas.
Além do centro histórico preservado, marcado pela arquitetura em pedra calcária, há diversas igrejas que guardam artefatos medievais e proporcionam panoramas ainda mais impressionantes, como a Igreja do Monte Calvário e a Igreja de São Pedro e São Paulo, situada no ponto mais alto da área histórica.
Cusano Mutri também é palco de vários festivais, entre eles a Infiorata, em junho, com elaborados tapetes florais, e a Sagra dei Funghi, celebração dedicada aos cogumelos realizada no outono e que dura várias semanas.
Rivello

Rivello é uma cidade “de colinas”, e não de uma única colina: seus agrupamentos de casas com telhados de terracota se espalham por três elevações distintas. Não deve ser confundida com Ravello, o famoso balneário da Costa Amalfitana, localizado cerca de duas horas ao norte de carro. Rivello, na Basilicata, fica a aproximadamente 12 quilômetros do litoral, e seus diversos pontos elevados oferecem vistas espetaculares do Mar Tirreno.
Embora a Itália seja repleta de cidades com histórias profundamente estratificadas, Rivello se destaca por ter mantido dois distritos distintos — e não mesclados — que refletem as culturas de povos conquistadores. A parte alta remete à herança romana e latino-lombarda, enquanto a área mais baixa evidencia suas raízes bizantinas; ambas coexistiram por séculos em uma espécie de união de conveniência econômica e religiosa. Como resultado dessas duas tradições, a cidade abriga numerosas igrejas e capelas, como a bizantina San Michele dei Greci e templos de matriz latina, entre eles Santa Maria Maggiore e San Nicola.
Vilarejos convidados
Dois “vilarejos convidados” foram incluídos na lista como membros honorários por dois anos, já que suas populações ultrapassam 15 mil habitantes — o limite para a inclusão permanente.
Borgo Il Piazzo, Biella

Datado do século XII, Borgo Il Piazzo é considerado a parte mais antiga de Biella, cidade reconhecida como Cidade Criativa da UNESCO desde 2019 e, por séculos, um importante polo de produção de lãs finas e cashmere.
Borgo Vecchio, Termoli

Borgo Vecchio, o centro histórico de Termoli — principal destino de praia de Molise, região ainda pouco explorada por viajantes —, está situado em um promontório com vista para o Adriático, combinando atmosfera medieval com um agradável clima litorâneo. Na entrada do vilarejo ergue-se um Castelo Suábio, construído por Frederico II, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, figura central no sul da Itália no século XIII e considerado um “homem do Renascimento” avant la lettre, graças ao seu cosmopolitismo e interesses intelectuais.
*Matéria originalmente publicada em Forbes.com