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Estes 7 Vilarejos Acabam de Ser Eleitos os Mais Bonitos da Itália

A lista "I Borghi Più Belli d’Italia" acaba de incluir novidades em sua rede de destinos pequenos e autênticos

8 min

Recentemente, I Borghi Più Belli d’Italia (Os Vilarejos Mais Bonitos da Itália), associação dedicada a promover os inúmeros atrativos das pequenas cidades italianas de relevância cultural e artística, adicionou sete novos borghi à sua rede.

As recentes inclusões vão do Piemonte à Basilicata e cada uma delas revela um aspecto da la vera Italia, a Itália verdadeira, que, mesmo em tempos de turismo excessivo, ainda é fácil de encontrar quando se sabe onde procurar.

Confira os sete novos vilarejos da lista

Limone sul Garda

Divulgação/GETTYO porto de Limone sul Garda

A colorida cidade que fica na margem oeste do Lago de Garda, Limone sul Garda, é uma das escolhas mais conhecidas da associação. Trata-se de uma cidade-balneário que pode ficar bastante cheia no verão e que chegou até a aparecer no filme de James Bond Quantum of Solace, quando Daniel Craig, no papel do agente 007, percorre uma estrada cênica próxima (a SS45bis) a bordo de um Aston Martin.

Ainda assim, o compromisso de Limone com o turismo sustentável e a preservação histórica — critérios fundamentais para a inclusão na lista dos “mais bonitos” — garantiu seu lugar no anúncio de dezembro.

O visitante encontra ali elementos semelhantes aos vilarejos mais disputados do Lago de Como: casas antigas com pátina do tempo, ruas estreitas de paralelepípedos, inúmeras lojas e restaurantes, antigos portos evocativos, além de uma paisagem que lembra um fiorde e um lago que, em dias ensolarados, assume tons profundos de azul-esverdeado. A cidade é famosa por sua tradição ligada ao limão, fruto que, cultivado nas tradicionais limonaie (casas de limão), teve papel central na economia local. É possível visitar a histórica Limonaia del Castèl, onde ainda são cultivados limões, cidras, laranjas, chinottos e toranjas. Há também um lungolago, termo italiano para orla, para caminhadas durante todo o ano e várias pequenas praias às margens do lago.

Pieve di Teco

Divulgação/GETTYUma rua em Pieve di Teco

A Ligúria (também conhecida como Riviera Italiana) é célebre por seu litoral sedutor, mas o interior montanhoso da região guarda uma rede de vilarejos que rivaliza com destinos da Úmbria ou da Toscana — sem as multidões. Com populações reduzidas, tradições preservadas, culinária hiperlocal e vistas deslumbrantes do alto, esses lugares representam alguns dos destinos mais autenticamente italianos.

Pieve di Teco passa agora a integrar a lista ao lado de outros vilarejos do oeste da Ligúria, como Dolceacqua (imortalizada em pinturas de Monet), Seborga (que reivindica status de principado) e Apricale, refúgio de artistas.

Datada do século XIII, Pieve di Teco chama atenção por sua rua principal com arcadas, lembrando Chiavari, cidade costeira liguriana conhecida por seus pórticos históricos. O centro histórico é bem preservado e abriga construções importantes, como o Teatro Salvini, do século XIX — um dos menores teatros da Europa —, a igreja paroquial de San Giovanni Battista, com uma notável coleção de pinturas dos séculos XVI ao XIX, e o ousado Museo delle Maschere di Ubaga, que exibe máscaras tribais pagãs criadas por artistas contemporâneos para destacar a antiga cultura montanhosa da região. A cidade também é conhecida pela cucina bianca, estilo culinário pastoral baseado em ingredientes claros ou “sem cor”, como queijo de cabra, batatas e alho-poró, presentes em sopas de ervas, raviólis de batata, lasanhas vegetais e tortas salgadas.

Castelvetro di Modena

Divulgação/GETTYVinhedos de Lambrusco Grasparossa em Castelvetro di Modena

A poucos quilômetros ao sul de Modena — cidade famosa por seus carros esportivos e pela gastronomia —, Castelvetro di Modena é um destino dos sonhos para amantes da boa mesa. Cercada por vinhedos de Lambrusco e associada a produtos emblemáticos como o vinagre balsâmico e o Parmigiano Reggiano, a cidade oferece restaurantes que servem especialidades rurais, muitas vezes artesanais, como tortellini, gnocco fritto (pão frito acompanhado de embutidos) e o bensone, um bolo-pão recheado com geleias de frutas.

Em um cenário quase cinematográfico, Castelvetro preserva seu legado medieval com seis torres antigas, duas delas voltadas para a Piazza Roma, ao lado do Palazzo Municipio (a prefeitura). Na praça, destaca-se uma atração curiosa: um grande tabuleiro de xadrez em preto e branco, de criação mais recente. O local sedia festivais gastronômicos e enológicos, além da Festa a Castello, de inspiração renascentista, realizada duas vezes por ano, e da Partita a Dama Vivente, um jogo de damas em tamanho real no qual pessoas fazem o papel das peças. Próximo dali está o Palazzo Rangoni, antiga residência de nobres governantes, com salas ricamente decoradas do século XVI. Sua exposição permanente Fili d’Oro apresenta trajes da era renascentista.

Cusano Mutri

Divulgação/GETTYCusano Mutri em Campania

Situada no interior da Campânia, não muito longe da fronteira com Molise, Cusano Mutri parece ter congelado no tempo, como se pertencesse a um mundo distante do ritmo frenético da Costa Amalfitana, localizada a cerca de 120 quilômetros. O site Italy for Movies, que cataloga cenários cinematográficos no país, destaca a cidade por seu “caráter medieval”. Entre os atrativos estão os vestígios de um castelo do século XIII e, como descreve o site, “vielas sinuosas e escadarias de pedra, arcos, campanários e cúpulas que despontam acima dos telhados”. O traçado compacto e antigo cria inúmeros recantos cênicos e, a 475 metros de altitude, oferece mirantes com vistas amplas — um verdadeiro deleite para cineastas.

Além do centro histórico preservado, marcado pela arquitetura em pedra calcária, há diversas igrejas que guardam artefatos medievais e proporcionam panoramas ainda mais impressionantes, como a Igreja do Monte Calvário e a Igreja de São Pedro e São Paulo, situada no ponto mais alto da área histórica.

Cusano Mutri também é palco de vários festivais, entre eles a Infiorata, em junho, com elaborados tapetes florais, e a Sagra dei Funghi, celebração dedicada aos cogumelos realizada no outono e que dura várias semanas.

Rivello

Divulgação/GETTYRivello em Basilicata

Rivello é uma cidade “de colinas”, e não de uma única colina: seus agrupamentos de casas com telhados de terracota se espalham por três elevações distintas. Não deve ser confundida com Ravello, o famoso balneário da Costa Amalfitana, localizado cerca de duas horas ao norte de carro. Rivello, na Basilicata, fica a aproximadamente 12 quilômetros do litoral, e seus diversos pontos elevados oferecem vistas espetaculares do Mar Tirreno.

Embora a Itália seja repleta de cidades com histórias profundamente estratificadas, Rivello se destaca por ter mantido dois distritos distintos — e não mesclados — que refletem as culturas de povos conquistadores. A parte alta remete à herança romana e latino-lombarda, enquanto a área mais baixa evidencia suas raízes bizantinas; ambas coexistiram por séculos em uma espécie de união de conveniência econômica e religiosa. Como resultado dessas duas tradições, a cidade abriga numerosas igrejas e capelas, como a bizantina San Michele dei Greci e templos de matriz latina, entre eles Santa Maria Maggiore e San Nicola.

Vilarejos convidados

Dois “vilarejos convidados” foram incluídos na lista como membros honorários por dois anos, já que suas populações ultrapassam 15 mil habitantes — o limite para a inclusão permanente.

Borgo Il Piazzo, Biella

Divulgação/GETTYBorgo Il Piazzo

Datado do século XII, Borgo Il Piazzo é considerado a parte mais antiga de Biella, cidade reconhecida como Cidade Criativa da UNESCO desde 2019 e, por séculos, um importante polo de produção de lãs finas e cashmere.

Borgo Vecchio, Termoli

Divulgação/GETTYCidade antiga de Termoli, em Molise

Borgo Vecchio, o centro histórico de Termoli — principal destino de praia de Molise, região ainda pouco explorada por viajantes —, está situado em um promontório com vista para o Adriático, combinando atmosfera medieval com um agradável clima litorâneo. Na entrada do vilarejo ergue-se um Castelo Suábio, construído por Frederico II, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, figura central no sul da Itália no século XIII e considerado um “homem do Renascimento” avant la lettre, graças ao seu cosmopolitismo e interesses intelectuais.

*Matéria originalmente publicada em Forbes.com

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