A partir desta terça-feira (07), a Mendes Wood DM apresenta simultaneamente duas exposições em seus espaços paulistanos: “Sendo”, a primeira individual de Lygia Pape na galeria, e “Uma folha translúcida no lugar dos olhos”, de Daniel Steegmann Mangrané, artista catalão radicado no Rio de Janeiro que retorna a São Paulo depois de oito anos. As duas instalações artísticas ficam em cartaz na Barra Funda até 1º de agosto e na Casa Iramaia até 20 de maio.
“Sendo”: Lygia Pape no dia em que completaria 99 anos
“Sendo” abre no dia 7 de abril — data de aniversário de Lygia Pape (1927–2004) e exatamente um ano antes de seu centenário. Uma das artistas mais importantes da história da arte brasileira e cofundadora do movimento Neoconcreto, Pape teria 99 anos na data da inauguração. A exposição percorre mais de cinco décadas de produção — desenhos, xilogravuras, pinturas, esculturas e instalações —, reunindo trabalhos centrais de sua trajetória ao lado de obras raramente exibidas ao público.

O grande destaque da mostra são as duas montagens de Ttéia, distribuídas entre os dois espaços da galeria. Criada a partir da disposição geométrica de fios no espaço, a série é uma das mais reconhecidas da artista — e uma das mais difíceis de ver. Sua escala e caráter instalativo fazem com que cada montagem seja única e adaptada ao espaço que ocupa. No Brasil, uma montagem pode ser vista em caráter permanente no Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), que mantém um pavilhão dedicado à artista. No exterior, a obra integra a coleção do Metropolitan Museum of Art, em Nova York, e já foi exibida no Museo Reina Sofía, nas Serpentine Galleries, na Bienal de Veneza e na Bourse de Commerce – Pinault Collection, em Paris.
Em São Paulo, a série aparece em duas configurações distintas. Na Casa Iramaia, Ttéia 1 b (2000) organiza fios prateados em formas cilíndricas que traçam linhas de luz e sombra entre as paredes. No galpão da Barra Funda, Ttéia nº 7 (1991) opera de outra forma: duas estruturas piramidais cobertas de pigmento azul são iluminadas apenas por lâmpadas da mesma cor em uma sala escura. O pó que escorre das pirâmides até o chão torna visível o que a luz, aos poucos, desfaz.
Uma folha translúcida no lugar dos olhos: Steegmann Mangrané retorna a São Paulo

Simultaneamente, a galeria apresenta a primeira exposição de Daniel Steegmann Mangrané em São Paulo desde 2018. A mostra reúne pinturas, esculturas e hologramas que exploram as conexões entre o orgânico, o geométrico e o perceptivo. Entre os destaques estão as pinturas inéditas da série Folhas translúcidas (2026), nas quais camadas finas de tinta se sobrepõem a desenhos de folhas, encobrindo-os em diferentes graus — produzindo a sensação de observar algo por trás de uma superfície translúcida. Nos hologramas vermelhos em cristal, a imagem só se constitui com o movimento do espectador ao redor da peça, nunca se fixando inteiramente.