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Bolsa de Arte Reabre em Porto Alegre e Inaugura Nova Fase em Parceria com a Almeida & Dale

Galeria histórica do Sul do país reinaugura sua sede no sábado (13) com Stromboli, coletiva que reúne mais de 50 artistas, de Tarsila do Amaral a Louise Bourgeois

4 min

Após 46 anos de atuação no mercado brasileiro, a Bolsa de Arte inicia um novo capítulo de sua história. A galeria reabre sua sede em Porto Alegre neste sábado (13) em parceria com a Almeida & Dale, movimento que reafirma seu papel na consolidação da arte moderna e contemporânea no Sul do Brasil e amplia sua atuação nos circuitos nacional e internacional.

Fundada em 1980 e dirigida por Marga Pasquali desde 1986, a Bolsa de Arte teve papel decisivo na formação do circuito de arte contemporânea no Sul do país. Agora, soma forças com o grupo comandado por Antônio Almeida e Carlos Dale, que vem liderando a descentralização do mercado de arte brasileiro com galerias em Recife, Goiânia, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, além de planos de expansão internacional.

A decisão de investir em Porto Alegre não foi tomada às cegas. “A região tem muito potencial — frequento há cerca de 15 anos. Há muitos artistas jovens fortes e muitos potenciais compradores, futuros colecionadores”, afirma Almeida. Dale completa a lógica da escolha: “O Sul era a última região a ser alcançada.” Para além da programação expositiva, a dupla anuncia um compromisso com formação de público: debates, rodas de conversa e palestras integrarão a agenda da galeria daqui em diante.

Entre 2014 e 2024, a Bolsa manteve também uma sede em São Paulo, construindo uma ponte entre as cenas das duas capitais. Com a nova sociedade, a galeria encerra o espaço paulistano para concentrar sua atuação em Porto Alegre, posição estratégica que pretende transformar a cidade em núcleo de irradiação para diálogos entre o circuito artístico do Mercosul, outras regiões do Brasil e o cenário global.

A chegada a esse novo capítulo tem endereço renovado. A sede da Rua Visconde do Rio Branco passou por uma grande reforma que devolveu fôlego a um lugar já icônico no circuito gaúcho. Na sala principal, o pé-direito alto dá escala às obras da coletiva de reabertura.

Stromboli: o corpo como vulcão

Anderson AstorManacá (1927), de Tarsila do Amaral (à esquerda), ancora o diálogo entre moderno e contemporâneo proposto pela curadoria

A exposição que marca a reabertura não economiza em ambição. Com curadoria de Bernardo José de Souza, Stromboli reúne mais de 50 artistas em torno das tensões, violências e transformações que atravessam o corpo. O conjunto aproxima figuras fundamentais da arte moderna, como Cândido Portinari, Iberê Camargo, Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti, de nomes centrais da produção contemporânea brasileira e internacional, entre eles Adriana Varejão, Cildo Meireles, Lygia Pape, Louise Bourgeois, Robert Mapplethorpe, Sarah Lucas, Amoako Boafo e Toyin Ojih Odutola.

O título remete à ilha vulcânica de Stromboli, na Itália, em erupção há mais de mil anos. No texto curatorial, a ilha aparece como metáfora de um corpo, individual e coletivo, em permanente estado de transformação, atravessado por forças simultaneamente destrutivas e regeneradoras.

Anderson AstorUma das vistas da exposição ‘Stromboli’, no centro a escultura Cherie (2022) da britânica Sarah Lucas, um dos grandes nomes da arte contemporânea internacional

“Stromboli reúne artistas de um amplo arco geográfico-geracional para especular sobre as transformações sofridas pelo corpo tanto na vida quanto na arte, seja ele humano, não humano ou mais que humano”, afirma o curador.

Nova fase, novos nomes

A reinauguração vem acompanhada de uma atualização no time de artistas representados. Entre os destaques da nova seleção estão Bruno Novelli, André Severo, Camila Elis, Eduardo Haesbaert, Ío, Letícia Lopes, Maria Lídia Magliani, Marina Borges, Mauro Fuke, Saint Clair Cemin e Túlio Pinto.

Stromboli fica em cartaz de 13 de junho a 16 de agosto na sede da Bolsa de Arte, na Rua Visconde do Rio Branco, 365, em Porto Alegre.

Anderson AstorUma das vistas da exposição ‘Stromboli’
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