Sim, o Rio de Janeiro continua lindo. É o principal cartão postal do país e seguirá, justamente, exaltado por suas belezas naturais e por seu lifestyle particular. Depois da temporada de 20 desfiles no Rio Fashion Week (14 a 18 de abril), a cidade também voltou a ser protagonista no cenário da moda brasileira.
O retorno da semana de moda local, uma década depois do extinto Fashion Rio, evidenciou o acerto na unificação do calendário, com uma fashion week acontecendo em terras cariocas no primeiro semestre e outra em São Paulo no segundo. Havia um frenesi no ar, um otimismo contagiante que só pode ser benéfico para fazer a roda girar. Com um line-up bem equilibrado entre nomes consagrados e outros emergentes, o evento curado por Olivia Merquior não se limitou aos desfiles; promoveu também debates e encontros B2B, e sinalizou novos ventos para impulsionar a indústria.
O resultado já foi medido: a semana de moda movimentou cerca de R$ 100 milhões e gerou aproximadamente 7 mil empregos diretos e indiretos. As passarelas também trouxeram novidades: retornos importantes, como Osklen e Lenny Niemeyer, estreias como a de Karoline Vitto e sua moda inclusiva, sucesso em Londres, ou as contagiantes odes ao Rio, temas de Patricia Viera e Blue Man. Com o tempo, é possível que o ufanismo acalme e que o objetivo passe a ser produzir boa moda, independente da plataforma onde é apresentada.
Confira 5 destaques (+1!) do Rio Fashion Week 2026
Cenário: A Praça da Apoteose, em plena Marquês de Sapucaí, foi palco para o grandioso desfile da Misci. Consolidado como expoente da nova geração da moda nacional, Airon Martin fez sua apresentação mais sexy, com a habitual alfaiataria recortada, profusão de texturas e muita pele à mostra desfilando ao som da bateria da Beija-Flor de Nilópolis.

Trilha: A ópera executada ao vivo pela Companhia de Ópera da Lapa, sob regência de maestro do Theatro Municipal na passarela da Handred, deu o tom imponente da bela coleção de André Namitala. A carga de dramaticidade da música se estendeu às roupas, apresentadas em cartela densa, com construção em camadas de tecidos nobres e estruturados.

Acessório: Carlos Penna é o nome mais quente quando se fala de acessórios para os melhores desfiles nacionais. Para a Apartamento 03, ele desenvolveu ótimos brincos dourados em formato de figas para arrematar os looks festivos de Luiz Claudio Silva, que são poesia pura.

Estreia: Karoline Vitto é radicada em Londres e já recebeu apoio da Dolce & Gabbana para produzir suas roupas plus size. Ela fez seu début nas passarelas há quatro anos, com a incubadora de talentos Fashion East, e trouxe pela primeira vez ao Brasil os vestidos sinuosos e abusados que marcam orgulhosamente a silhueta, e que vão na direção contrária à magreza extrema que voltou a predominar nas passarelas.

Comeback: A Osklen estava há quase oito anos sem desfilar. Coube à grife de Oskar Metsavaht a incumbência de abrir o Rio Fashion Week, com a já icônica apresentação no Palácio da Cidade, em Botafogo, inspirada na diversidade de estilos do calçadão de Ipanema. O retorno também marca a maior participação dos filhos de Oskar na empresa, a exemplo de Felipe Metsavaht, que assinou a direção artística do desfile.

+ 1
Momento fashion: Ícone do beachwear couture nacional, Lenny Niemeyer celebrou 35 anos de sua marca com um belo desfile-retrospectiva no Museu do Amanhã. Com a presença de tops icônicas como Isabeli Fontana, Fernanda Tavares e Raica Oliveira, a apresentação de mood futurista resgatou memórias de coleções inesquecíveis na trajetória da estilista, que, sem tempo para saudosismo, já divide a criação com sua filha Bel de olho nos próximos 35 anos. Viva Lenny!
