Produzir os delicados e coloridos bombons da Mica Chocolates move um batalhão. Apesar de devorada em segundos, cada unidade leva até três dias para ficar pronta. Do momento em que o chocolate é temperado até as finas casquinhas serem pintadas à mão e os moldes devidamente recheados e resfriados, Michelle Kallas lidera uma estrutura capaz de produzir mais de 100 mil bombons todo mês – e que não para de crescer, tamanha a demanda.
É um cenário bem diferente do de 2017, quando a confeiteira e empresária começou a marca em uma pequena sala, com um perfil no Instagram e a decisão de deixar a advocacia para trás. Hoje, são cerca de 50 funcionários, uma fábrica que funciona praticamente 24 horas por dia, duas lojas em São Paulo, delivery para todo o Brasil e cerca de 15 toneladas de chocolate por ano.
Agora, Mica – seu apelido desde a infância – se prepara para abrir seu próximo ponto físico: um quiosque de seis metros quadrados no Shopping Pátio Higienópolis. Com a novidade, a produção vai saltar de 20 mil para 32 mil bombons semanalmente.

Apesar do tamanho enxuto, o modelo já se provou um sucesso. A unidade inaugurada em 2024 no Shopping JK Iguatemi, com apenas nove metros quadrados, já fatura mais do que a sua sede em Pinheiros e representa 15% de toda a receita da marca.
“Eu não queria abrir mais lojas agora, porque já estamos no limite da capacidade, mas não deu para recusar”, confessa a fundadora sobre o êxito das lojas de shoppings centers. “Sinto que as pessoas estão cada vez menos andando na rua. No shopping, é uma ocasião de consumo mais fácil”. No caso de Higienópolis, onde a Mica já concentra 15% das suas vendas via delivery, a expectativa é impactar mensalmente cerca de 250 mil pessoas que circulam pelo shopping.
O próximo passo (e desafio) é fazer com que a estrutura acompanhe o tamanho que a marca alcançou. Mica já procura um novo espaço para a operação industrial, hoje distribuída entre quatro casas vizinhas. “A gente quer centralizar toda a produção numa fábrica grande“, diz, já de olho em plantas de pelo menos mil metros quadrados. A partir daí, diz ela, o céu pode ser o limite: “Tanto faz serem três ou 10 lojas”.

Criatividade como negócio
Em um mercado em que ser apenas mais um doce na vitrine não basta, a criatividade virou parte importante da estratégia da Mica. “Ser gostoso é pré-requisito”, afirma Michelle. “Nossos outros atributos são trabalhar com embalagens legais, ter essa apresentação diferenciada e o design do chocolate”.
É essa busca por sair da mesmice que aparece no cardápio, com sabores de bombons pouco óbvios como pavlova, batatinha chips, azeite e pão na chapa, além de produtos que brincam com formatos conhecidos, como as barras de chocolate que imitam pedaços de pizza ou ovo frito. “Nosso DNA é fazer chocolates que saiam da mesmice e sejam impactantes tanto no visual quanto no sabor”.

A criatividade também se tornou negócio no B2B. Cerca de um terço do faturamento vem de pedidos corporativos, como gifts e brindes personalizados para grandes empresas, como Netflix, Google, Globo, iFood e Itaú. No ano passado, por exemplo, foram 30 mil calendários do advento para uma marca de mercados. “A gente desenvolve do zero o produto, a embalagem”, explica Mica, apaixonada também por design.
Outro terço do seu faturamento vem do delivery, que hoje leva os chocolates para todo o Brasil. Recentemente, a marca despachou seu primeiro pedido para Europa.
No varejo, está um consumidor que, segundo Michelle, é majoritariamente feminino e tem entre 20 e 45 anos. Há dois perfis principais: “Ou é uma pessoa que quer presentear com alguma coisa para não cair na rotina e surpreender, ou alguém que gosta muito de gastronomia e quer provar coisas diferentes.”
A fórmula tem dado certo. Em 2025, a Mica aumentou seu faturamento em 30% e, para 2026, projeta uma alta de 40%. Nem mesmo o avanço das canetas emagrecedoras, segundo Michelle, alterou de forma relevante a demanda pelos bombons. “Eles são para ocasiões especiais. É uma indulgência”. E a confeiteira pretende fazer com que esse momento indulgente seja o mais gostoso – e lindo – possível.