A música é uma das melhores ferramentas para construir o mood de um ambiente. Se o disco leva o público para a pista e pede movimento, ritmos mais suaves, como o R&B, podem criar o cenário para momentos mais intimistas. No caso de um date, porém, mais do que escolher músicas sexys, é preciso entender o efeito que cada faixa provoca no ambiente.
Para o Dia do Sexo, celebrado hoje (6 de setembro), a DJ Sarah Stenzel ajuda a montar a trilha sonora para uma noite em que o date é só o começo. Segundo ela, o primeiro passo é fazer com que as pessoas se sintam confortáveis. “Quanto mais instrumental, melhor, para não brigar com a conversa”. O ritmo também deve acompanhar o momento, começando de maneira mais tranquila e ganhando intensidade aos poucos. “Existe uma diferença enorme entre as pessoas dançarem e você conduzir uma experiência emocional. Um bom DJ administra energia, não só BPM”, conta Sarah em entrevista à ForbesLife.
Acostumada a conduzir pistas na Europa, nas Américas e na Ásia, Sarah construiu sua identidade no afro house, incorporando referências da música brasileira e instrumentos locais. Sua paixão pela música eletrônica começou na adolescência e, há cerca de dez anos, virou profissão. “A arte que eu faço é realmente uma extensão do meu corpo, o que me faz vibrar. Eu nunca quis seguir uma tendência só porque funcionava, preferi construir uma identidade musical que fizesse sentido para mim”, afirma.
O resultado são músicas repletas de grooves de tambor, que, segundo a DJ, trazem mais malemolência e ritmo ao corpo. Sarah considera suas próprias produções sensuais, graças ao uso de cordas em algumas delas.
“O meu trabalho não é só escolher música, é desenhar mesmo um estado emocional. A música é como o vinho: muito bem produzida e muito bem pensada, com várias texturas, elementos e misturas. As pessoas podem não entender tecnicamente, mas deve conduzir o corpo, a mente e o estado emocional das pessoas.”
Na hora de construir o mood para um date, a DJ apostaria justamente no chamado slow burn: uma condução gradual, que começa com uma dose de euforia e, aos poucos, dá espaço para músicas mais melódicas, embalando os corpos no ritmo da noite. Aos poucos, aumentaria os intervalos entre as faixas para criar um ambiente mais enigmático, deixando que os silêncios falem por si só.

A playlist ideal para um date, segundo Sarah Stenzel
Uma música sexy, para Sarah, é aquela que cria tensão sexual sem entregar tudo: tem ritmo, intenção e um certo mistério. “É uma música que você sente no corpo antes mesmo de prestar atenção nela”, conta.
Para a DJ, “Paradise Circus”, do Massive Attack, é tiro certo. A faixa tem mistério, tensão, elegância e aquela coisa hipnótica que não força o mood. “É sexy sem ser óbvia”. Morshiba é outra banda que a DJ considera uma aposta certa, super sexy e cool no limite.
Em compensação, músicas muito agitadas e cantadas podem não funcionar tão bem. Hits como “Happy”, de Pharrell Williams, por exemplo, poderiam ser desastrosas. “É uma ótima música, mas péssima trilha para criar mistério num date. É solar, expansiva e quase motivacional; desmonta completamente a tensão”, explica.
A playlist ideal para um date, segundo Sarah, precisa construir o ambiente em uma progressão clara – um verdadeiro build-up de energia, tensão e expectativa. Confira:
- “Corcovado” – Stan Getz & João Gilberto (Começo de noite, conversa, vinho);
- “Almost Blue” – Chet Baker (intimidade e um pouco de melancolia);
- “The Greatest” – Cat Power (quebra o previsível e traz personalidade);
- “Paradise Circu” – Massive Attack (aqui aparece a tensão);
- “The Limit to Your Love” – Feist (minimalismo, voz e grave);
- “Panama” – HVOB (a eletrônica começa a ocupar o ambiente);
- “Santa Maria (Del Buen Ayre)” – Gotan Project (sensual, cinematográfica, inesperada);
- “Rej” – Âme (o corpo entra definitivamente na história);
- “You Wanted a Hit” – LCD Soundsystem (tem groove, atitude e cresce sem virar “festival”);
- “Angel” – Massive Attack (termina escura, lenta e com tensão).