Depois de anos como coadjuvante em academias e hotéis, a sauna se tornou protagonista de um movimento de bem-estar que promete regular sono, humor e até a resposta do corpo ao estresse.
Os benefícios para a saúde são muitos. Quando acompanhadas de mergulhos em águas geladas, prática conhecida como terapia de contraste, a mudança brusca de temperatura acelera a circulação, fortalece o sistema cardiovascular, relaxa músculos, enquanto reduz inflamação, estimula a imunidade e ajuda a pele a eliminar toxinas e desinchar.
Apesar da recente popularização, a sauna é considerada um ritual ancestral na Finlândia. A prática é parte tão profunda da identidade do país que, em 2020, a Unesco reconheceu essa cultura como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A sauna foi redescoberta nos últimos anos, tornando-se um fenômeno de exportação e até mesmo um destino turístico por si só.
Cada país passou a imprimir nas saunas a própria cultura, rituais e arquitetura. No Japão, onde o banho é um ritual ancestral, saunas têm sido incorporadas aos onsens tradicionais; em capitais nórdicas como Oslo, Copenhague e Estocolmo, popularizou-se o modelo de sauna flutuante, aproveitando as águas ricas em minerais com propriedades esfoliantes e anti-inflamatórias.
Para tentar organizar esse universo, o World Sauna Awards, prêmio produzido pela japonesa TTNE, elegeu as 37 melhores casas do mundo, avaliadas por critérios como qualidade da água, hospitalidade, ambientação, limpeza, equipamento e inovação. Algumas delas estão listadas abaixo:
#1. Serlachius Art Sauna (Finlândia)
É difícil se destacar em um país com cerca de 3 milhões de saunas para 5,6 milhões de habitantes, mas a Serlachius Art Sauna dá conta do recado. Projetada pelo trio de arquitetos Héctor Mendoza, Mara Partida e Boris Bežan, a estrutura se esconde atrás do museu Gösta Serlachius, numa encosta que desce até a margem do lago.
A proposta é transformar o caminho até a câmara de sauna em uma experiência artística em si, passando por diversas obras de arte. A pintura “Birdbath”, de Satu Rautiainen, estampa a parede do saguão; no lounge, as peças são de Anni Rapinoja e Jussi Goman e, do lado de fora, está “No Heaven Up in the Sky”, de Laura Könönen. O mobiliário reúne ainda nomes como Òscar Tusquets, Patricia Urquiola, Jasper Morrison e Faye Toogood.
Depois do calor das saunas, os hóspedes podem se refrescar em banheiras de hidromassagem ou mergulhar direto no lago a partir do cais; no inverno, é possível experimentar o banho no gelo.
#2. Adventuremine (Suécia)
A experiência acontece 80 metros abaixo da superfície, dentro de uma mina desativada em Tuna Hästberg, na região de Dalarna. Guiados por capacete e lanterna, os visitantes descem por escadarias de pedra até alcançar a câmara da sauna, batizada em homenagem à Gruvfrun (ou “Senhora da Mina”), figura do folclore sueco de mineração que vigiava os túneis.
Depois do calor intenso, um mergulho em águas cristalinas de tom turquesa traz o equilíbrio perfeito. A água conta com alta concentração de calcário e é mantida entre 4°C e 5°C durante o ano inteiro. A experiência leva cerca de três horas e meia de duração e é limitada a 14 pessoas por grupo.
#3. Arctic Bath (Lapônia sueca)
No inverno, a paisagem ao redor é um campo infinito de gelo branco; no verão, o dia não escurece por completo e é permeado pelo som das águas do Rio Lule. É nesse cenário que está o Arctic Bath, um hotel-spa cuja atração é uma piscina de imersão fria ao ar livre, bem no centro do espaço. Ao redor dela, duas saunas secas e uma sauna a vapor constroem o ambiente ideal para o ritual de alternância entre calor e frio.
Para quem quer ir além do circuito padrão, o hotel organiza o evento “Fogo e Gelo”, que combina sessões de sauna, banhos gelados e uma seleção de iguarias locais.
#4. Kan no Jigoku Ryokan (Japão)
O ritual de banho em águas termais, o onsen, já é parte da cultura japonesa há séculos. Mas agora o país vive uma fase de plena expansão quando o assunto também é saunas.
A pousada Kan no Jigoku Ryokan, erguida em 1928, é abastecida por uma fonte de água fria rara no Japão, que flui a mais de duas toneladas por minuto, com temperatura entre 13°C e 14°C. Após mergulharem nas águas ricas em minerais, os hóspedes podem se aquecer em uma sauna que promete ajudar a absorver as propriedades da água.
Em julho de 2023, o ryokan inaugurou uma sauna à lenha que ultrapassa os 100°C, criando, ao lado da fonte gelada, uma das experiências de banho com contraste quente e frio mais intensas do Japão.
#5. Vabali Spa Hamburg (Alemanha)
O Vabali Spa Hamburg é um resort de bem-estar de inspiração balinesa, com hotel próprio anexado. Isso dá aos hóspedes acesso direto às saunas, piscinas e outras instalações de wellness.
A área de saunas se estende por dois andares, somando 13 saunas ao total: uma panorâmica, uma à beira do lago, uma bio sauna, uma sauna de jardim, uma de meditação e outras saunas de infusão de diferentes tamanhos. A programação de infusões vai das clássicas (com sal, mel e frutas) a meditações guiadas e aplicações de ervas. Banhos a vapor, piscinas e um laconium também compõem o espaço.
#6. Biome by Corinthia London (Inglaterra)
O Corinthia London reabriu seu spa de 3.300 m² sob nova identidade: Biome. O espaço agora é guiado pelo conceito de “Primal Luxury”, um cruzamento entre ritual natural e ciência clínica.
A protagonista do andar térmico é uma sauna-anfiteatro encapsulada em vidro. Ali acontece o Biome Sync Sauna, um ritual guiado que combina automassagem rítmica, o abano de toalhas aromáticas e alongamentos guiados para aliviar tensão.
O espaço é acompanhado de outras instalações, que incluem piscina, piscina de vitalidade, sauna-anfiteatro com paredes de vidro, sala de vapor, chuveiros de experiência, espreguiçadeiras de mármore aquecidas, cápsulas de sono privativas e uma fonte de gelo.
#7. Solar Egg (Suécia)
Esta sauna em forma de ovo foi criada pela dupla de artistas Bigert & Bergström, com interior em madeira de pinho e painéis externos de aço inoxidável banhados a ouro. Fora do comum, ela se tornou um ponto turístico por si só, tendo viajado por Paris, Estocolmo e outras cidades ao redor do mundo.
A estrutura tem 4,5 metros de altura e pesa 2.750 quilos; os painéis dourados que formam sua superfície refletem a paisagem ao redor. Internamente, o fogão a lenha em formato de coração ocupa o centro, mantendo a temperatura interna entre 75°C e 85°C. Não há banho de água fria por perto, mas a região de Kiruna oferece neve abundante durante boa parte do ano.
#8. Crystal Sauna (Suécia)
Seguindo a mesma lógica do Solar Egg (já que é assinada pela mesma dupla por trás do projeto), em maio foi inaugurada a Crystal Sauna. Esta sauna rosa e facetada fica localizada no Wasteland, o primeiro Parque de Ação Climática da Europa, na Suécia – que foi convertido em espaço de arte, recreação e inovação climática.
A sauna tem seu formato inspirado em um cristal de lítio, símbolo da transição para uma economia verde. Pode ser reservada por grupos privados de até 12 pessoas.
#9. Löyly, Helsinki (Finlândia)
Referência no país, a Löyly é revestida por ripas de pinho que revestem tanto as saunas quanto o restaurante à beira do Mar Báltico. O local – que figurou na lista das 100 melhores atrações do mundo, segundo a revista Time – funciona com energia eólica e solar.
Internamente, visitantes encontram três saunas em sequência: uma a lenha de aquecimento contínuo, uma de aquecimento pontual e a savusauna – aquecida à base de fumaça finlandesa, processo que leva horas, mas recompensa a espera com um calor mais suave e profundo. A instalação tem acesso direto ao mar para mergulho durante o ano inteiro.
#10. 38° The Bathhouse (Austrália)
O nome celebra a piscina de magnésio a 38°C que ocupa o centro do espaço, redesenhado como um balneário social para a comunidade.
Durante sessões de 90 minutos, hóspedes transitam entre sauna finlandesa, banho de vapor, piscina de água fria e piscina de magnésio – um ciclo de calor e frio pensado para ser tanto restaurador quanto social.
#11. Termas Olimia (Eslovênia)
Eleito o melhor centro de bem-estar da Eslovênia, o complexo reúne piscinas internas e externas distribuídas por diferentes áreas temáticas. Seu núcleo é o Mundo das Saunas, com 1.550 m², reunindo oito saunas em áreas de descanso temáticas.
Entre elas, vale destacar a sauna finlandesa “Teatro do Vento”, com capacidade para 100 pessoas. Nela, os rituais são conduzidos pelos “Mestres do Vento”, em rituais coletivos de infusão.
#12. Ästad Vingård (Suécia)
O Sinnenas Spa (“Spa dos Sentidos”) é cercado por doze reservas naturais. A atração, no entanto, é uma sauna subaquática aquecida a lenha: os hóspedes descem por uma escada até a câmara, onde grandes janelas de vidro dão vista direta para dentro do lago, com trutas arco-íris e lagostins circulando a centímetros de distância.
Depois de aquecidos, visitantes seguem para um mergulho na lagoa ou então na piscina externa aquecida a 39°C. O restante do Sinnenas Spa reúne ambientes com aromas inspirados na floresta de faias de Åkulla Bokskogar – terra molhada, madeira serrada – e uma sauna a lenha adicional.
#13. Hotel Tjampuhan e Spa (Indonésia)
Erguido em 1928 por ordem do rei de Ubud para hospedar convidados da realeza, o Hotel Tjampuhan é o mais antigo da região. O spa ocupa uma caverna de pedra na base do vale, junto ao rio, com esculturas artesanais que cobrem paredes e teto.
Jacuzzis quentes e frios dividem o espaço com uma sauna seca e uma sauna a vapor com ervas, cercados por vegetação tropical densa.
#14. Ochiairo (Japão)
Fundado em 1874, o Ochiairo é um ryokan erguido no encontro de dois rios em Izu. Quase 90% da propriedade é Patrimônio Cultural Tangível Registrado do Japão, incluindo a casa principal e o salão de jacarandá, com colunas talhadas em madeira de mais de dois mil anos.
Além dos banhos termais tradicionais, o ryokan oferece cinco saunas distintas: uma inspirada em casa de chá, outra em terraço com vista para o rio Kano e uma em formato de barril à beira d’água. Os hóspedes praticam rituais de auto-löyly e vihta antes de mergulhar direto no rio, em meio ao som da correnteza e à mata ao redor.
#15. Kallbadhuset Varberg (Suécia)
Um dos mais belos balneários marítimos da Suécia, o Kallbadhuset Varberg é um palácio de madeira em estilo mourisco erguido sobre as águas. É um dos poucos balneários desse tipo preservados na costa sueca, com vista para o Mar de Kattegat e para a Fortaleza de Varberg.
A experiência segue um princípio rígido: banho nu, com áreas de sauna e mergulho estritamente separadas por gênero, uma em cada ala do edifício. O ritual intercala sessões de sauna com mergulhos diretos nas águas frias do Kattegat.
#16. Wild Sauna, Lapinha Spa (Brasil)
A fundadora Margarida Bornschein Langer queria trazer da Suíça os princípios da medicina naturista. Assim, o Lapinha passou a ser considerado o primeiro spa médico do Brasil. A propriedade no Paraná já foi eleita Spa Mais Sustentável do Mundo (2021) e Melhor Spa Independente do Mundo (2022) pelo World Spa & Wellness Awards.
A Wild Sauna é integrada diretamente à natureza, sem uma estrutura isolando o banhista do entorno. A proposta é somar o calor da terapia térmica ao contato direto com a mata nativa de araucárias, complementada por atividades como yoga e trilhas. São oferecidos também tratamentos exclusivos da casa, como o Mayr Prevent, focado em equilíbrio da microbiota intestinal.
#17. Lapis Spa & Wellness (EUA)
O Lapis Spa & Wellness reúne o melhor circuito de hidroterapia da cidade. O espaço de 5.100 m² conta com sala de sal do Himalaia, piscinas de imersão fria, sauna infravermelha e um chuveiro de neve resfriado a 14°C.
Incorporando a cultura de espetáculos de Las Vegas, o Event Sauna é um ambiente grande o suficiente para funcionar como espaço de eventos, onde acontece o ritual de Aufguss, tradição europeia de sauna social. Um “sauna meister” (alguns deles ex-artistas do Cirque du Soleil) despeja gelo perfumado com óleos essenciais sobre pedras quentes e conduz coreografias com toalhas para espalhar o calor aromático pela sala, numa versão quase teatral da experiência.
#18. AQVA Spa, Grand Hotel Fasano (Itália)
O Grand Hotel Fasano ocupa as margens do Lago di Garda, em Gardone Riviera, há 135 anos. O spa foi revitalizado com mais de 3.500 m² e 80% das superfícies revestidas em mármore de Botticino.
O circuito reúne uma sauna finlandesa a 90°C, um laconium mais ameno a 45°C e dois banhos turcos, além de um percurso Kneipp e duchas de cromoterapia. A piscina coberta se conecta à externa por um túnel iluminado, e o jardim do spa se abre direto para a margem do lago – que faz as vezes do mergulho frio.
#19. Isbreen The Glacier (Noruega)
Isbreen the Glacier é um refúgio de iglus com domos geodésicos, erguidos na floresta boreal, ao pé da geleira Øksfjordjøkelen. A propriedade recebe auroras boreais em média 200 noites por ano e sol da meia-noite no verão.
Construída em uma clareira, a sauna em formato de barril é aquecida exclusivamente a lenha e fica a 250 metros da construção principal, acessível a pé ou de raquete de neve. Isolada, oferece privacidade total: só o som da floresta, do fiorde e do fogo na lareira.
#20. Chablé Yucatán (México)
Erguido na selva da Península de Iucatã, o Chablé Yucatán é o único spa do mundo construído ao redor de um cenote – reservatório subterrâneo de água cristalina considerado sagrado pelos maias. O resort foi eleito, pelo segundo ano consecutivo, o melhor hotel da América do Norte pelo ranking The World’s 50 Best Hotels 2025.
O ritual central do spa acontece no temazcal, a tradicional casa de vapor mesoamericana (equivalente maia à sauna), onde cerimônias de purificação guiadas por uma curandeira local combinam ervas, cânticos e calor intenso para induzir um estado de introspecção profunda. Ao redor do cenote, cabines de tratamento privativas complementam a experiência com massagens tradicionais, cerimônias de cacau e circuito de hidroterapia guiada.