Stella McCartney segue como o principal nome da indústria da moda global a conseguir unir um repertório desejável a uma consciência ambiental inabalável. Pioneira no uso de materiais responsáveis no prêt-à-porter de luxo, Stella, desta vez, olha para os oceanos, não apenas para alertar sobre a importância da preservação dos mesmos, mas também como referência de estilo: o ecossistema marinho serve de ponto de partida para a coleção de verão 2027, apresentada em Paris nesta quarta-feira (30).
Estão ali a cartela repleta de azuis, tons pastel e outros terrosos, com movimentos em drapeados nos vestidos ao melhor estilo sereia e babados nos tops-faixa, que remetem ao vaivém das ondas e das correntes marítimas. Há também alusões aos corais em detalhes nos maxiblazers e nos vestidinhos regata perfeitos para o verão, e a animais como os pinguins desenhados nos suéteres e nas camisetas que já nascem hit.
Além de apostar em materiais sustentáveis em 100% da coleção, Stella remixou sucessos de sua trajetória, como a alfaiataria de linhas amplas ou a silhueta de proporções invertidas – ampla em cima, slim embaixo, como nos blazers combinados a leggings, e vice-versa, nos tops mínimos usados com calças oversized. Como é de costume, o sportswear se intromete na alfaiataria para dar o ar urbano que Stella tanto aprecia; alguns tênis da sua parceria com a Adidas apareceram nos pés das modelos para temperar ainda mais esse crossover de universos. A designer inglesa é mais uma na temporada a apostar no jeans, e ele vem reciclado (of course), amplo, desabado, desbotado, com cara de verão, para usar com sapatos baixos e uma camisa branca statement, com volume nas mangas e cintura marcada. Prático e certeiro.
Casacos peso pluma, feitos de organza, bolsas que levam garrafas PET na composição, algodão leve com certificação GOTS que aparece em vestidos, trench coats e calças, enquanto o algodão técnico e o náilon lavado conferem um caráter utilitário às peças de outerwear. O repertório próprio de Stella McCartney é muito consistente e prova, mais uma vez, que, sim, é possível fazer luxo sustentável dos bons.
*Com Sylvain Justum