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Genebra Traduz Guia de Alta Relojoaria Para o Português e Espera Aumento de Turistas em Futuro Breve

A 80 quilômetros do pico mais alto da Europa Ocidental, cidade reforça sua tradição secular que transita entre arte e ciência

4 min

É usual ouvir dos moradores locais e de especialistas que Genebra é uma cidade “muito internacional”. É algo totalmente esperado para uma localidade que reúne a sede da ONU, o CERN (com milhares de cientistas de ponta do mundo todo) e incontáveis lugares que mostram o tamanho da tradição suíça na gestão de fortunas. Agora, com a nova edição do Geneva Watchmaking Guide, a segunda maior cidade do país mostra que quer avançar ainda mais nessa direção — e faz um aceno aos falantes de português e espanhol.

O guia havia sido publicado originalmente em francês (idioma local) e inglês. Agora, tem duas versões bilíngues, em alemão/italiano e em português/espanhol, lançadas oficialmente em evento ocorrido nesta quinta-feira (5).

São 175 páginas dedicadas a enriquecer quem quiser lê-las, do connoisseur ao admirador iniciante da alta relojoaria. O guia detalha os motivos que tornam Genebra a cidade mais especial do mundo para a atividade relojoeira, uma intersecção entre a arte e a ciência.

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O esforço da Fundação Genève Tourisme & Congrès (FGTC) e da Fondation de la Haute Horlogerie (FHH) por publicá-lo em outros idiomas está em linha com o ânimo da cidade em receber mais e mais turistas das mais diversas nacionalidades, incluindo brasileiros.

Os brasileiros ainda representam um dígito percentual baixo do público visitante de Genebra. No entanto, Adrien Genier, CEO da Geneva Tourism, avalia que isso deve mudar nos próximos anos.

A tese é que os brasileiros não serão a maioria dos turistas, mas terão um dos maiores percentuais de crescimento.

“As pessoas vêm muito para cá por conta do frio, para esquiar. Mas elas estão aproveitando para ficar de uma a três noites em Genebra antes ou depois de estar nos alpes”, diz.

Evento de lançamento do Geneva Watchmaking Guide
Genève TourismEvento de lançamento do Geneva Watchmaking Guide

Antes ou depois de ir ao Mont Blanc (a mais alta montanha dos Alpes e da União Europeia, a 80 quilômetros da cidade), é possível explorar o que há de mais tradicional e sofisticado na relojoaria, e ver a olhos nu peças que remontam a séculos de tradição — como os relógios da Breguet, fundada em 1775, ou da Vacheron Constantin, fundada em 1755, a fabricante mais antiga do planeta ainda em atividade.

Ironicamente, é tempo que falta para quem gosta de relojoaria e visita a cidade, pois os letreiros das maiores maisons do mundo, como Rolex e Patek Philippe, são muitos.

Nesse panorama, o Geneva Watchmaking Guide é, em parte, um playbook para os turistas que quiserem aproveitar o que há de melhor na cidade que envolve a arte de mensurar o recurso mais valioso para os humanos.

As três edições do guia, em diferentes idiomas, podem ser adquiridas no Centro de Informações Turísticas de Genebra (que fica na estação ferroviária de Cornavin), assim como em uma seleta lista de hotéis, museus e livrarias da cidade. O preço é de trinta francos suíços. Também é possível encomendar exemplares pelo site geneve.com.

Getty Images

O turismo relojoeiro, vale frisar, se mescla com tudo que a cidade tem para oferecer de melhor: dos chocolates exclusivos de produtores locais e independentes à arquitetura clássica, neoclássica e medieval, com monumentos como a Catedral de São Pedro, cujas obras se iniciaram por volta de 1150.

A área de dezesseis quilômetros quadrados da cidade também é particularmente silenciosa. Ouve-se a natureza, os sinos das igrejas e as palavras cordiais dos moradores locais. Nada grita, sonora ou visualmente.

A capitale de la paix faz valer a máxima “money talks, wealth whispers”, proferida pela pianista de jazz norte-americana Dorothy Donegan.

Ou melhor, o que disse o poeta Henri-Frédéric Amiel, natural de Genebra: o pudor é a consciência do corpo, e a discrição é a consciência do espírito.

*Viajou a convite da Geneva Tourism

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