A francesa Renault e a chinesa Geely oficializaram nesta segunda-feira, 17, no complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná, um dos maiores anúncios da indústria automotiva brasileira nos últimos anos: um investimento de R$ 3,8 bilhões para instalar novas plataformas de veículos.
A parceria acontece meses após a Geely assumir 26,4% da Renault do Brasil, consolidando um movimento global de cooperação entre os dois grupos — que já atuam juntos na Coreia do Sul e na Horse, empresa dedicada a motores híbridos e a combustão de baixa emissão.
Como parte do acerto, a Geely terá acesso à fábrica da Renault no Brasil para montar seus veículos e distribuí-los por meio da rede da parceira. Embora os modelos que serão produzidos localmente ainda não estejam definidos, já se sabe que a primeira plataforma a ser instalada — a GEA, da Geely — é a mesma base tecnológica usada no EX2, o carro mais vendido da China em 2024 e recém-lançado no mercado brasileiro.
A escolha reforça a estratégia de trazer ao país tecnologias de última geração e acelerar a transição para veículos eletrificados produzidos localmente. As adequações da fábrica, na região de Curitiba, começam já nas próximas semanas.
O plano prevê três frentes principais: a produção da nova plataforma GEA, que dará origem a dois novos modelos no segundo semestre de 2026; a renovação de um veículo Renault no mesmo período; e a montagem de uma segunda plataforma 100% elétrica voltada a um novo modelo da marca francesa a ser lançado em 2027.
“Celebramos a próxima era dessa parceria no Brasil. Não é apenas uma joint venture tradicional, mas uma cooperação estratégica focada em um mercado de alto potencial”, diz Fabrice Cambolive, CEO da Renault. Para Victor Yang, da Geely, o acordo deve criar “nova vitalidade” para a indústria automotiva brasileira e se tornar “um modelo para o futuro verde e inteligente” do setor.
Com a união entre a Renault — que oferece capilaridade industrial e comercial — e a Geely — detentora de algumas das plataformas eletrificadas mais avançadas do mundo —, o Brasil se coloca no centro do plano global das duas marcas para veículos de zero e baixas emissões. E, embora ainda uma definição, o carro que sairá de São José dos Pinhais já nasce com pedigree: a mesma base tecnológica do elétrico mais vendido da China.