O mercado premium brasileiro terminou setembro com uma configuração que, até pouco tempo atrás, pareceria improvável. A BMW continua na liderança, mas a segunda posição ficou novamente com uma marca chinesa.
A Denza, que faz parte do grupo BYD, emplacou 698 veículos em setembro, o equivalente a 18,4% do segmento. A BMW somou 1.230 unidades e manteve a ponta, com 32,4%. Mercedes-Benz aparece na sequência, com 496 carros e 13,1%, seguida por Volvo, com 448, e Audi, com 346.
Não é um resultado isolado. Em agosto, a Denza já havia terminado o mês na vice-liderança, com 683 unidades e 18,2% de participação. Ou seja, setembro não apenas repetiu a posição como ampliou ligeiramente volume e presença no mercado.
A diferença para a terceira colocada também chama atenção. A Denza vendeu 202 carros a mais que a Mercedes-Benz no mês. O movimento acontece em um segmento de apenas 3.795 automóveis em setembro, no qual marcas tradicionais construíram presença ao longo de décadas.
Os números no ano
Nos nove primeiros meses de 2026, a BMW acumula 10.901 emplacamentos, ou 31,5% do mercado premium. A Volvo aparece em segundo lugar no acumulado, com 5.460 carros e 15,8%, seguida pela Mercedes-Benz, com 5.245 e 15,2%.
A Denza ocupa a quarta colocação, mas já soma 3.258 unidades e 9,4% de participação. Isso a coloca à frente de Audi, com 2.981 carros, Porsche, com 2.941, e Land Rover, com 1.836.
A diferença entre os rankings mensal e anual ajuda a dimensionar a velocidade da mudança. A Denza ainda está em quarto no acumulado, mas passou a disputar a vice-liderança quando se olha apenas para os meses mais recentes. Em setembro, aproximadamente um em cada cinco Denza vendidos em 2026 foi emplacado naquele próprio mês.
Marcas premium: emplacamentos em setembro
- 1º BMW: 1.230 emplacamentos — 32,4% de participação
- 2º Denza: 698 — 18,4%
- 3º Mercedes-Benz: 496 — 13,1%
- 4º Volvo: 448 — 11,8%
- 5º Audi: 346 — 9,1%
- 6º Porsche: 234 — 6,2%
- 7º Land Rover: 168 — 4,4%
- 8º Lexus: 90 — 2,4%
- 9º Zeekr: 42 — 1,1%
- Outras marcas: 43 — 1,1%
Um carro responde por quase tudo
A explicação para o salto tem nome: Denza B5. O SUV registrou 646 emplacamentos em setembro e terminou pelo quarto mês consecutivo como o automóvel premium mais vendido do Brasil.
O BMW X1 ficou em segundo, com 489 unidades. A diferença foi de 157 carros. Depois aparecem Volvo XC60, com 197; BMW 320i, com 193; e BMW X3, com 163.
O contraste entre Denza e BMW é interessante. Enquanto a chinesa concentra praticamente todo o resultado em um modelo, a alemã distribui suas vendas por diferentes faixas do mercado. Além do X1, colocou 320i, X3, X2 e X5 entre os 16 primeiros do mês.

No acumulado do ano, essa diversidade ainda faz diferença. O BMW X1 lidera com 3.544 unidades, enquanto o B5 aparece em segundo, com 3.196. O BMW 320i completa os três primeiros, com 2.335.
Ainda assim, para um modelo que iniciou a trajetória brasileira recentemente, assumir a liderança mensal por quatro meses seguidos é o dado que melhor traduz a entrada da Denza no premium.
Denza começa a depender menos do B5
Setembro também trouxe um primeiro sinal de diversificação. O Z9 GT contabilizou 52 emplacamentos, ficando na 21ª posição entre os modelos premium. Somado às 646 unidades do B5, ele explica exatamente os 698 carros registrados pela marca no mês.
Até recentemente, o resultado da Denza no Brasil dependia praticamente de um único produto. Agora, o Z9 GT começa a adicionar volume enquanto o D9 entra em fase de pré-venda. O próximo teste será justamente descobrir se a marca consegue transformar o sucesso inicial do B5 em desempenho de portfólio.
O Z9 GT também estreia no país a tecnologia de recarga ultrarrápida da Denza. O chamado Flash Charging pode elevar a bateria de 10% a 70% em cinco minutos e chegar a 97% em nove minutos. A primeira instalação brasileira está em Brasília, e a empresa planeja ampliar essa infraestrutura.
A China já é um quinto do mercado brasileiro
O avanço da Denza acontece dentro de uma mudança bem maior. Considerando todo o mercado de veículos leves, e não apenas os premium, as marcas chinesas responderam por 21,4% dos emplacamentos brasileiros em setembro.
Foram 56.766 veículos. No mesmo mês de 2025, haviam sido 23.422, ou 10,1% do mercado. Em um ano, portanto, o volume mais que dobrou e a participação cresceu 11 pontos percentuais.
Os eletrificados também ganharam escala. Setembro terminou com 60.821 veículos eletrificados, correspondentes a 22,9% de todos os automóveis e comerciais leves emplacados no país.
Um ano antes, eram 26.483, equivalentes a 11,4%. O crescimento do volume foi de 129%. Esse contexto ajuda a explicar por que uma fabricante chinesa conseguiu avançar tão rapidamente justamente no segmento de maior valor.
SUVs e eletrificação mudam o premium
Há ainda uma coincidência importante entre o produto da Denza e o que o consumidor premium vem escolhendo. Em agosto, os SUVs responderam por 74,2% das vendas premium, contra 58% um ano antes. Ao mesmo tempo, 53,7% dos carros premium vendidos naquele mês eram eletrificados.
O B5 está justamente na intersecção desses dois movimentos: é um SUV e um híbrido plug-in. No mercado total, setembro reforçou a mesma direção. SUVs responderam por 42,6% dos veículos leves, enquanto mais de um em cada cinco carros vendidos no país já tinha algum grau de eletrificação.