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Fórmula 1 2026: o Que as Novas Pinturas Revelam sobre a Maior Mudança do Grid

As equipes apresentam suas novas pinturas e começam a testar os carros da Fórmula 1 temporada 2026

7 min

A temporada 2026 da Fórmula 1 começa com carros quase novos do zero e com pinturas pensadas para marcar uma virada rara na história da categoria. Em um mesmo ano, mudam o conceito aerodinâmico e a arquitetura das unidades de potência, algo descrito dentro da própria F1 como um movimento sem precedentes.

É nesse cenário que as equipes apresentam suas novas pinturas e começam a testar, ainda em janeiro e fevereiro, o que pode redesenhar o equilíbrio de forças do grid a partir da primeira corrida, marcada para 8 de março em Melbourne, na Austrália.

Do ponto de vista técnico, 2026 é praticamente um “reset”. Os carros passam a ser mais curtos, estreitos, leves e ágeis. O conceito de efeito solo – com túneis sob o assoalho que marcou a geração anterior – sai de cena para dar lugar a pisos muito mais planos, menos pressão aerodinâmica e altura de rodagem maior.

Na prática, essa combinação abre espaço para uma variação maior de acertos entre as equipes, já que o carro fica menos “colado” ao chão e mais sensível a escolhas de suspensão, altura e asa.

Ao volante, os pilotos ganham um pacote de ferramentas novas. A mais simbólica é o Active Aero, que permite ajustar elementos das asas dianteira e traseira em diferentes pontos da pista. O tradicional DRS dá lugar ao Overtake Mode, e entram ainda um botão de “Boost” para potência máxima e um modo “Recharge” para gerenciamento de energia.

Motores 50% combustão e 50% elétrico

A revolução também acontece na parte que não aparece na pintura: a unidade de potência. A F1 mantém o motor 1.6 V6 turbo híbrido, mas muda a distribuição de força. A potência do motor a combustão é reduzida, enquanto o motor elétrico tem sua contribuição triplicada, chegando a uma divisão aproximada de 50% para cada lado.

Esse desenho deixa os sistemas mais próximos da realidade de desenvolvimento das montadoras, com a retirada do complexo e caro sistema MGU-H de recuperação de calor e a adoção de combustíveis sustentáveis avançados, testados em 2025 na Fórmula 2 e na Fórmula 3. Ao mesmo tempo, os novos carros foram concebidos com foco adicional em segurança, incorporando as lições acumuladas na última década.

Quando o visual ajuda a contar a nova era

Em meio a essa transformação técnica, as equipes usam as pinturas de 2026 para reforçar identidade e mensagem em um campeonato que estreia também novos parceiros e narrativas.

A Aston Martin foi a última a mostrar o layout visual da temporada, em um evento especial em Dhahran, na Arábia Saudita. A equipe revelou a pintura em um carro-conceito do AMR26, enquanto o carro real ficará para os testes oficiais de pré-temporada no Bahrein, entre 11 e 13 de fevereiro e, depois, entre 18 e 20 do mesmo mês, com Fernando Alonso e Lance Stroll ao volante.

A novata Cadillac escolheu um palco duplo para se apresentar: as luzes de Times Square, em Nova York, e a audiência do Super Bowl, com um comercial exibido durante a final da NFL em Santa Clara, na Califórnia. A pintura do carro que será guiado por Valtteri Bottas e Sergio Perez apareceu simultaneamente nas telas e na praça mais famosa dos Estados Unidos, antecipando a ida da equipe aos testes do Bahrein.

A McLaren, atual campeã mundial, fez seu lançamento diretamente no circuito do Bahrein, mantendo a paleta papaya que virou assinatura visual da equipe. A pintura adorna o carro que Lando Norris – defensor do título – e Oscar Piastri levarão para a pista nas duas baterias de testes oficiais de fevereiro, em um evento que reuniu também o chefe Andrea Stella e o CEO Zak Brown.

A Williams apresentou a pintura do FW48, após optar por não participar do shakedown de Barcelona. O evento revelou o visual do carro que Alex Albon e Carlos Sainz levarão ao Bahrein, com a equipe buscando virar a página e aproveitar o “reset” técnico para subir degraus no grid.

Já a Alpine mostrou o A526 apostando na continuidade de uma identidade já conhecida: a combinação de azul e rosa que passou a marcar a presença da marca no grid. Pierre Gasly e o estreante Franco Colapinto serão responsáveis por estrear a nova pintura na pista.

A Audi oficializou sua entrada na Fórmula 1, em Berlim, com o lançamento do Audi Revolut F1 Team, revelando os detalhes do modelo Audi R26 e as metas do plano estratégico “Mission 2030”. O piloto brasileiro Gabriel Bortoleto, de 21 anos, será o protagonista da equipe ao lado do experiente Nico Hulkenberg.

Ferrari, Mercedes e Haas atualizam seus símbolos

A Ferrari manteve a tradição de usar Maranello como palco e transmitiu ao vivo a apresentação da SF-26, que já havia sido mostrada em evento próprio e agora reaparece nesse contexto de grande mudança técnica. A equipe continua com a mesma dupla de pilotos – Charles Leclerc e Lewis Hamilton – e com Fred Vasseur em seu quarto ano como chefe de equipe, usando a nova pintura e o novo projeto como marco da entrada nessa era de carros mais leves e motores com maior peso da parte elétrica.

A Mercedes optou por um lançamento digital: a equipe divulgou renders da pintura do W17 em suas redes sociais. O esquema de cores segue a linha recente, com predominância de preto e prata, somados aos detalhes em verde da Petronas, parceira histórica de combustível e lubrificantes. George Russell e Kimi Antonelli, que permanecem como companheiros em 2026, terão o primeiro contato com o carro real no shakedown de Barcelona.

A Haas também escolheu uma apresentação virtual para revelar o VF-26. A pintura mantém o trio de cores branco, preto e vermelho, mas com um aumento visível da presença da marca Toyota, que assume as funções de patrocinadora principal da equipe norte-americana.

O pacote Red Bull e Racing Bulls na estreia da era Ford

Em janeiro, em Detroit, nos Estados Unidos, a Red Bull revelou a pintura do carro de 2026 em um evento conjunto com a “irmã” Racing Bulls, na casa norte-americana da Ford. É também neste ano que estreia a parceria Red Bull Ford Powertrains, responsável pelas novas unidades de potência tanto da equipe principal quanto da satélite.

A Red Bull divulgou as imagens do RB22 que Max Verstappen e Isack Hadjar levarão à pista. A Racing Bulls, por sua vez, apresentou sua pintura para o novo campeonato no mesmo palco, em Detroit, poucos dias depois de mostrar os macacões que serão usados por Liam Lawson e Arvid Lindblad – único estreante do grid em 2026.

Com carros mais curtos, leves e eletrificados em metade da potência, uma aerodinâmica redesenhada e ferramentas inéditas nas mãos dos pilotos, a Fórmula 1 entra em um dos ciclos de mudança mais amplos de sua história recente. As pinturas de 2026 funcionam como cartão de visitas dessa virada: de lançamentos em Times Square e no Super Bowl à tradição de Maranello, passando por renders digitais e eventos no Bahrein e em Barcelona, as equipes usam a linguagem visual para marcar posição em uma temporada em que, tecnicamente, todo mundo volta à estaca zero.

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