A Revolut, fintech nascida em Londres, mas com estratégia global, não quer ser apenas mais um banco digital. Com 70 milhões de usuários e presença em 39 mercados, a empresa deu seu passo mais ambicioso ao anunciar a parceria de naming rights com a Audi para sua entrada na Fórmula 1. Em um movimento que une tecnologia de ponta, alta performance e narrativa de “disrupção”, como explica, para a Forbes Brasil, Antoine Le Nel, Global Chief Growth Officer (CGO) & Chief Marketing Officer (CMO) da Revolut.
O timing não poderia ser mais estratégico. Enquanto competidores como Nubank, Monzo e N26 mantêm forças concentradas em regiões específicas, a Revolut apostou no esporte que hoje é o ápice do entretenimento global e tecnológico. Para Antoine Le Nel, é o veículo perfeito para amortizar investimentos de marketing em dezenas de países simultaneamente, aproveitando a visibilidade de 25 Grandes Prêmios anuais. A fintech usará a F1 para alcançar 100 milhões de usuários até 2027.
Mais do que exposição de logo, a estratégia é uma demonstração de força operacional. A Revolut opera com um modelo “in-house” radical, desde a negociação com a Audi até a criação das campanhas, tudo é feito sem agências externas. É uma cultura de velocidade e eficiência que Le Nel trouxe da indústria de games (com passagens pela King, de Candy Crush) para o coração do sistema financeiro. Os detalhes da equipe e do carro serão anunciados em Berlim, na tarde desta terça-feira, (20).
Forbes Brasil – A Revolut acaba de anunciar uma parceria de peso com a Audi na Fórmula 1; como esse projeto nasceu e qual o objetivo principal por trás dessa escolha?
Antoine Le Nel – Nos últimos anos, percebemos que tínhamos a oportunidade de reforçar nosso crescimento e começamos a construir presença no marketing de forma muito cuidadosa. Chegamos a um tamanho onde precisávamos de uma plataforma global. Ao contrário de competidores como Nubank ou Monzo, que nasceram muito locais, a Revolut nasceu com visão global. A F1 é uma IP (propriedade intelectual) que nos permite estar em 17 dos 25 mercados onde há GPs hoje. Além disso, o DNA da F1, inovação, velocidade e alta competição, se encaixa perfeitamente com o que buscamos.
FB – Por que escolher a Audi especificamente, considerando que existem equipes já consagradas no grid?
Le Nel – A Audi é o jogo perfeito para nós por ser uma “newcomer” (recém-chegada). Eles estão entrando para competir contra os incumbentes que estão lá há décadas, exatamente o que nós fazemos no setor bancário. É o mesmo DNA de desafio. Além disso, a Audi é uma marca “inspiracional”, mas “atingível”. Ela traz confiança e é relacionável, que é exatamente como a Revolut quer ser vista pelos clientes.
FB – Como essa parceria se traduz na prática para o usuário e para o negócio B2B da Revolut?
Le Nel- São dois pilares. No B2B, a equipe Audi F1 vai operar com o Revolut Business Banking. Se o nosso produto suporta a operação complexa e os limites de custos de uma equipe de F1, ele pode ser usado por qualquer empresa no mundo. No B2C, traremos o acesso exclusivo para nossos 70 milhões de usuários: conteúdos, experiências e cartões. Não estamos apenas “pegando” visibilidade da F1; estamos entregando nosso alcance global de volta para o esporte.
FB – Vocês mencionaram que todo esse acordo e o marketing da empresa são feitos “em casa”, sem agências. Por que manter essa estrutura interna mesmo sendo tão grandes?
Le Nel – Eliminar intermediários torna a integração mais genuína. Muitas empresas usam agências porque não conseguem atrair talentos criativos de ponta, mas na Revolut nós conseguimos contratar os melhores porque temos os projetos mais interessantes. Isso nos dá qualidade, velocidade e é mais barato. No processo com a Audi, não perdemos semanas em alinhamentos entre agência, cliente e equipe; decidimos e executamos. No crescimento forte, você precisa de velocidade.
FB – Como equilibrar essa estratégia “Born Global” com a necessidade de ser relevante em mercados locais, como o Brasil ou a França?
Le Nel – É um equilíbrio de 50/50. A plataforma global (como a F1) constrói nossa reputação e nos posiciona acima da concorrência. Mas precisamos ser culturalmente relevantes. Por isso, temos embaixadores locais, como o Mario Götze na Alemanha e, em breve, teremos novidades no Brasil com o Gabriel Bortoleto. Você precisa ser global para ser grande, mas local para ser confiável.
FB – Falando em futuro e tecnologia, como a Inteligência Artificial está moldando sua estratégia de marketing atual?
Le Nel – Para nós, IA não é novidade. Vim do mundo dos games, onde o aprendizado de máquina já gerenciava a performance e a venda. Usamos IA em duas frentes: na compra de mídia e segmentação, para garantir eficiência, e na IA Generativa para escala criativa. Como operamos em 39 mercados, a IA Generativa nos permite construir campanhas globais e localizá-las de forma super rápida e barata. É o que permite manter a qualidade sem perder a agilidade.