O Brasil tem dois restaurantes entre os 25 melhores do mundo em 2026, segundo o ranking The World’s 50 Best Restaurants, divulgado nesta quarta-feira (4), em cerimônia realizada em Lima, no Peru. O paulistano Tuju ocupa a 16ª posição, enquanto o carioca Lasai aparece em 25º lugar – uma bela performance da gastronomia brasileira na edição deste ano.
Sob a batuta do chef Ivan Ralston, o Tuju estreou na lista global já em destaque: saltou 54 posições em relação à edição anterior, quando figurou na lista estendida, em 70º lugar. Seu debut entre os 50 primeiros, já na 16ª colocação, foi a entrada mais alta do ranking mundial em 2026. Mais cedo este ano, a casa já havia recebido o prêmio Art of Hospitality, que reconhece excelência em hospitalidade – feito inédito para um restaurante da América Latina. O Lasai, do chef Rafa Costa e Silva, por sua vez, avançou três posições: depois de estrear na lista mundial em 2025, na 28ª colocação, chegou ao 25º lugar.
A presença dos dois endereços no top 25 reforça o ótimo momento da gastronomia brasileira, que também conquistou outro marco este ano no Guia Michelin: as primeiras 3 estrelas da América Latina, classificação máxima do guia, dadas ao Tuju e ao também paulistano Evvai.
No 50 Best, a presença brasileira não se limitou aos 50 primeiros colocados. Divulgada em 21 de outubro, a lista estendida (que reúne as posições entre 51º e 100º lugar) também trouxe dois endereços paulistanos: o Nelita, da chef Tássia Magalhães (em 54º lugar), e o Evvai, comandado por Luiz Filipe Souza (na 68ª posição, alta de 27 colocações em relação ao ano passado). Com isso, o Brasil soma quatro representantes entre os 100 melhores restaurantes do mundo em 2026.
A seguir, veja mais destaques da premiação:
O melhor restaurante do mundo
Quem ocupa o topo da gastronomia este ano é o espanhol Asador Etxebarri. Comandada pelo chef Bittor Arginzoniz, no País Basco, e famosa pela cozinha centrada na brasa, a casa havia conquistado a segunda posição em 2025.

Reconhecido pela lista como “o mestre basco da churrasqueira”, o Asador Etxebarri construiu sua reputação a partir de uma abordagem que coloca o ingrediente no centro da experiência. Em uma cozinha equipada com grelhas desenvolvidas pelo próprio chef, praticamente todos os preparos passam pelo fogo, de frutos do mar e vegetais a carnes e sobremesas. Entre os destaques citados pelo 50 Best estão o camarão vermelho de Palamós preparado na brasa, a mozzarella produzida com leite de búfala da própria casa e o corte de carne bovina grelhado que encerra o menu degustação.

O segundo lugar ficou com o tailandês Gaggan, em Bangkok, enquanto o dinamarquês Alchemist, em Copenhague, completou o pódio, na terceira posição.
Tuju: cozinha sazonal e hospitalidade
Comandado pelo chef Ivan Ralston e por Katherina Cordás, diretora de Hospitalidade e do Centro de Pesquisa e Criatividade do restaurante, o Tuju construiu sua identidade a partir de uma cozinha sazonal paulistana, guiada pela pesquisa de ingredientes brasileiros e pelos ciclos climáticos do Sudeste. Fundada em 2014, a casa fechou as portas em 2020 e reabriu em um novo endereço no fim de 2023, em um edifício de três andares no Jardim Paulistano.

A experiência se distribui por diferentes ambientes: no térreo, um bar-pátio tem uma jabuticabeira como elemento central; no segundo andar fica o salão principal, com a cozinha totalmente aberto; e, no terraço lindamente decorado, os clientes podem prolongar a visita depois do jantar com petit fours e um digestivo.
O menu degustação muda a cada três meses e acompanha quatro temporadas definidas a partir dos ciclos de chuva da região: Umidade, Chuva, Ventania e Seca. A pesquisa de ingredientes, o trabalho com pequenos produtores e a valorização de pescados, frutas, hortaliças e carnes de origem brasileira orientam as criações. O menu atual, com 10 tempos, custa R$ 1.650 por pessoa, sem harmonização.
Lasai: uma experiência intimista no Rio
No Rio de Janeiro, a cozinha do Lasai é comandada pelo chef Rafa Costa e Silva, cuja formação gastronômica foi construída, em grande parte, no País Basco. A proposta da casa tem como ponto de partida os vegetais e a sazonalidade, com ingredientes provenientes de duas hortas próprias, em Itanhangá, na cidade do Rio de Janeiro, e no Vale das Videiras, na região serrana fluminense. O chef também trabalha com pequenos produtores locais, pescados e carnes, em uma cozinha que privilegia o máximo frescor e a origem dos produtos.

A experiência foi construída em torno da proximidade entre cozinha e comensais. Em seu endereço no Humaitá, a casa recebe apenas dez pessoas por noite, acomodadas em um balcão em formato de L, de frente para Rafa e sua equipe. O menu degustação, com cerca de 15 etapas, acompanha o que as hortas e os fornecedores oferecem em cada temporada. Ele sai por R$ 1.783 por pessoa.
Momentaneamente fechado, agora o restaurante passa por uma mudança de endereço. A previsão é que o Lasai deixe o espaço no Humaitá e passe a funcionar no 21º andar do novo Sofitel Ipanema, na Avenida Vieira Souto, a partir de meados de novembro. A mudança inaugura uma nova etapa para a casa, que pretende preservar sua proposta intimista, mas agora com vista para a orla carioca.
Como é escolhido o melhor restaurante do mundo?
O The 50 Best Restaurants é organizado pela empresa britânica William Reed e tem seu resultado definido por uma academia internacional com mais de 1.100 integrantes, distribuídos em 28 regiões. O grupo reúne chefs, restaurateurs, jornalistas e críticos gastronômicos, além de pessoas que viajam com frequência e acompanham a cena de restaurantes. Pelo menos 25% dos integrantes são renovados a cada ano.
Cada votante escolhe dez restaurantes nos quais teve suas melhores experiências gastronômicas nos 18 meses anteriores à votação. As escolhas são feitas em ordem de preferência, e cada integrante pode indicar no máximo seis casas de seu próprio país ou território. Os votos são confidenciais.
Não existe uma lista fixa de critérios que determine o que é considerado o melhor restaurante. A avaliação fica a cargo da experiência e do julgamento de cada votante, que pode levar em conta a comida, o serviço, o ambiente e outros aspectos da visita. Para garantir a independência do processo, integrantes da organização e representantes dos patrocinadores não podem votar; restaurantes também não podem se inscrever ou fazer campanha para entrar na lista.
Outra regra importante é a categoria Best of the Best, criada para reunir restaurantes que já conquistaram o primeiro lugar em edições anteriores. Ao vencer, uma casa passa a integrar esse grupo e deixa de ser elegível para os rankings globais e regionais. Foi o que aconteceu com o Maido, de Lima, vencedor em 2025, que abriu caminho para um novo nome no topo em 2026.
Confira o ranking completo do 50 Best 2026:
- Asador Etxebarri (País Basco, Espanha)
- Gaggan (Bangcoc, Tailândia)
- Alchemist (Copenhagen, Dinamarca)
- Quintonil (Cidade do México, México)
- Wing (Hong Kong)
- The Chairman (Hong Kong)
- Kjolle (Lima, Peru)
- Kadeau (Copenhagen, Dinamarca)
- Diverxo (Madrix, Espanha)
- Plénitude (Paris, França)
- Atomix (Nova York, Estados Unidos)
- Sorn (Bangcoc, Tailândia)
- Mérito (Lima, Peru)
- Sühring (Bangcoc, Tailândia)
- Odette (Singapura)
- Tuju (São Paulo, Brasil)
- Mingles (Seoul, Coreia do Sul)
- Nusara (Bangcoc, Tailândia)
- Jan (Munique, Alemanha)
- Piazza Duomo (Alba, Itália)
- Meet the Bund (Xangai, China)
- Boragó (Santiago, Chile)
- Vyn (Skillinge, Suécia)
- Al Gatto Verde (Modena, Itália)
- Lasai (Rio de Janeiro, Brasil)
- Masque (Mumbai, Índia)
- Reale (CasteI di Sangro, tália)
- Trèsind Studio (Dubai, Emirados Árabes Unidos)
- Enigma (Barcelona, Espanha)
- Steirereck (Viena, Áustria)
- Celele (Cartagena, Colômbia)
- Potong (Bangcoc, Tailândia)
- Elkano (Getaria, Espanha)
- Le Coquillage (Saint-Méloir-des-Ondes, França)
- La Colombe (Cidade do Cabo, África do Sul)
- Ru Yuan (Hangzhou, China)
- Nuema (Quito, Equador)
- Atelier Moessmer Norbert Niederkofler (Brunico, Itália)
- Schloss Schauenstein (Fürstenau, Suíça)
- Joardner (Copenhagen, Dinamarca)
- Onjium (Seoul, Coreia do Sul)
- Bozar (Bruxelas, Bélgica)
- Le Calandre (Rubano, Itália)
- Don Julio (Buenos Aires, Argentina)
- Mayta (Lima, Peru)
- El Chato (Bogotá, Colômbia)
- Le Louis XV – Alan Ducasse (Monte Carlo, França)
- Ikoyi (Londres, Inglaterra)
- Naar (Kasauli, India)
- Saint Peter (Sidney, Australia)
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