O que esperar das empresas de construção negociadas na Bolsa em 2022

Gigantes do setor, como MRV, Cyrella e Tenda, viram suas ações caírem mais de 30% entre janeiro e dezembro de 2021.

Vitória Fernandes
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Sean Justice/Getty Images
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Aumento dos preços de commodities como o aço impactou as margens das construtoras e incorporadoras

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As empresas do setor de construção e incorporação listadas na Bolsa viram suas ações caírem em 2021, com papéis chegando a recuar mais de 50% entre janeiro e dezembro. O cenário de alta inflação e os sucessivos aumentos da taxa Selic são os principais fatores por trás do fraco desempenho do setor, segundo especialistas ouvidos pela Forbes.

“O setor é muito dependente de juros. O arrocho da taxa Selic foi o maior desde a criação do Plano Real, o que impactou fortemente a construção. A alta do preço das commodities foi uma coincidência infeliz  que pressionou os custos de oferta, além da escassez e demora na entrega de material”, afirma João Beck, economista e sócio da BRA, sobre o cenário do ano passado.

É possível perceber o reflexo desses eventos nas ações das principais companhias do setor. Das 15 principais empresas analisadas pela Forbes, treze registraram quedas superiores a 30%. Apenas uma encerrou o ano no azul: a Alphaville Urbanismo (AVLL3) subiu 2,2% no período e finalizou 2021 a R$ 24,92 por ação.

A maior queda, por sua vez, foi das ações da Helbor (HBOR3), que recuaram 54,9% e custavam R$ 4,89 no fim de dezembro, ante os R$ 10,85 do início de janeiro. Gigantes do setor, como MRV (MRVE3) e Cyrela (CYRE3), caíram 31,58% e 40,69%, respectivamente.

Para Rodrigo Oliveira, analista-chefe fundamentalista da DV Research, embora 2021 tenha apresentado aumento no volume de vendas gerais de imóveis próximo a 10% contra 2020, os resultados do terceiro trimestre já apresentaram desaceleração.

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“O custo de construção apresentou aumento importante nos últimos meses e isso está pressionando as margens das empresas do setor, que não têm mais muito espaço para reajustar os preços de venda dos imóveis, como vimos acontecer no primeiro semestre deste ano”, diz ele.

O ano de 2021, que começou com forte procura por imóveis, motivada pela insatisfação com o lar gerada pelos períodos de isolamento social da pandemia, encerrou com uma perspectiva de menos lançamentos para 2022.

“A potencial desaceleração de novos lançamentos imobiliários deve ajudar na venda dos ativos já existentes, assim como auxiliar em um possível aumento de preços no futuro, beneficiando as margens. Mas é uma trajetória ainda em curso que pode se estender até o ano de 2023”, avalia Beck.

Pontos de atenção

Para os analistas, existem alguns pontos que devem ser observados em 2022 pelos investidores atraídos pelos preços mais baixos das empresas do setor.

“A maioria das companhias está sendo negociada com valor abaixo do seu patrimônio, o que indica que a rentabilidade (ROE) implícita precificada está abaixo de seu custo de capital”, comenta Beck.

Direção da taxa básica de juros

A trajetória da taxa Selic, ditada pelo Banco Central durante o ano, deve ser crucial para o desempenho das empresas ligadas à construção, na visão dos analistas.

Para eles, os juros mais elevados inibem a demanda, criam uma pressão extra sobre o lucro e aumentam o custo do financiamento. Se a Selic se acomodar nos patamares atuais, as margens das companhias podem ser beneficiadas.

Melhora da oferta e demanda de commodities

O setor, que depende fortemente de matérias-primas como o aço, espera por um equilíbrio na balança de oferta e demanda que foi prejudicada pela pandemia.

“Temos um cenário desafiador neste ano, com dificuldade de repassar a pressão sobre os custos [vista] nesse período”, afirma o analista da DV.

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