Ibovespa descola do exterior com força de commodities e fecha em alta

Índice brasileiro recuperou o patamar dos 116 mil pontos depois de 6 meses.

Amanda Péchy
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O Ibovespa fechou hoje (21) em alta de 0,73%, a 116.154 pontos, apoiado pelo avanço das commodities, que se beneficiam das altas do preço do petróleo e do minério de ferro. É a primeira vez após 6 meses que o índice ultrapassa os 116 mil pontos, descolando-se das bolsas de Nova York, que perderam fôlego após um discurso mais agressivo do banco central dos EUA.

As empresas ligadas a petróleo e minério de ferro se valorizaram no pregão de hoje. Acompanhando a alta de 7,09% no preço do barril de petróleo Brent, vendido a US$ 112,12, os papéis da Petrobras (PETR3 e PETR4) subiram 3,35% e 3,76%, respectivamente, as duas das maiores altas do pregão.

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As petroleiras privadas também tiveram ganhos: a PetroRio (PRIO3) registrou alta de 1,00% e a 3R Petroleum (RRRP3), de 3,70%.

Apesar dos avanços do minério de ferro terem sido mais tímidos – os futuros de referência na bolsa de commodities de Dalian terminaram em alta de 1% –, a Vale (VALE3) surfou na onda da tradicional alta temporada das siderúrgicas chinesas e subiu 2,83%.

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Outras empresas do setor acompanharam o movimento da blue chip da siderurgia. A CSN (CSNA3) registrou alta de 2,57% e a CSN Mineração (CMIN3) ganhou 0,49%.

No cenário corporativo, Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN3) anunciaram aumentos de preços de celulose entre o fim deste mês e início de abril. As ações das duas empresas registraram quedas, de 3,70% e 2,63%, respectivamente.

Na ponta negativa do índice, quem lidera as perdas é o Banco Inter (BIDI11), com baixa de 8,88%. A perspectiva de inflação e juros mais altos mostrada pelo Boletim Focus pesou sobre os papéis do banco digital.

A pesquisa semanal apontou nova elevação na expectativa de economistas para a inflação em 2022, que agora está em 6,59%, enquanto a projeção de Selic passou de 12,75% a 13% no final deste ano.

Em Wall Street, os índices fecharam em baixa, avessos a comentários mais agressivos do chair do Fed, Jerome Powell. Em comunicado nesta tarde, a autoridade financeira afirmou que o banco central norte-americano tem que agir “rapidamente” e com mais agressividade, se necessário, para combater a inflação.

“A expectativa para este ano era que veríamos a inflação atingir o pico no primeiro trimestre, e então talvez se estabilizar e ver muito progresso no segundo semestre. Essa história já desmoronou. Meus colegas e eu podemos chegar à conclusão de que precisamos nos mover mais rapidamente e, se for o caso, faremos isso”, disse Powell.

As bolsas de Nova York também foram pressionadas ao longo do dia pela volatilidade das negociações de paz entre Kiev e Moscou, e pelos papéis da Boeing, que fecharam em baixa de 3,59% após a queda de um jato 737-800 na China.

O Dow Jones recuou 0,58% a 34.552 pontos; o S&P 500 perdeu 0,04%, a 4.461 pontos; e o Nasdaq cedeu 0,40%, a 13.838 pontos.

O dólar também sofreu perdas ao longo do pregão e fechou em queda de 1,43%, a R$ 4,9440 na venda.

“A moeda norte-americana vem se enfraquecendo frente ao real devido ao diferencial de juros no Brasil, que torna a renda fixa muito atrativa no país. Deveremos ter um aperto maior do que o Banco Central estava prevendo”, afirma Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos. (Com Reuters)

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