Mercado Pago quer fazer frente a bancos digitais e diversifica produtos

'Todo ecommerce quer ter uma fintech, e toda fintech quer ter um ecommerce. Nós já temos os dois', diz Tulio Oliveira, country manager no Brasil.

Isabella Velleda
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Tulio Oliveira, vice presidente e country manager do Mercado Pago no Brasil, diz que a empresa deve se beneficiar da alta da Selic

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Com US$ 2,4 bilhões em carteira de crédito, o Mercado Pago já representa 45% da receita do Mercado Livre Brasil. Agora, apostando na diversificação de produtos e na expansão da base de clientes, a empresa quer fazer frente aos bancos digitais e se consolidar como uma das maiores plataformas de serviços bancários do país.

“Todo ecommerce quer ter uma fintech, e toda fintech quer ter um ecommerce. Nós já temos os dois”, diz Tulio Oliveira, vice-presidente e country manager do Mercado Pago no Brasil.

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Segundo o executivo, essa relação é uma das maiores vantagens competitivas da fintech, já que permite que a empresa tenha acesso a um grande volume de dados de seus clientes, como renda e meios de pagamento preferidos.

Hoje, o Mercado Pago tem 36 milhões de usuários ativos, sendo que boa parte se encaixa no grupo dos sub-bancarizados do país. “Dos usuários que fizeram um cartão de crédito conosco, 43% nunca haviam tido um cartão de crédito antes”, diz o executivo.

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Para crescer, o Mercado Pago tem apostado na oferta de produtos democráticos e que atendem às demandas de clientes de diferentes perfis. O lançamento mais recente da empresa foi um marketplace de investimentos em parceria com a Órama Investimentos, que começa oferecendo CDBs com investimento mínimo de R$ 1 e rendimento de 150% do CDI.

Entre os produtos oferecidos pela empresa estão conta corrente, cartão de crédito, seguro e investimentos em criptomoedas. Ainda assim, a maior fonte de receita são as taxas cobradas no processamento de pagamentos, que é o carro-chefe do Mercado Pago.

“Nós processamos os pagamentos de todo o Mercado Livre”, ressalta Oliveira. “Atendemos desde os pequenos empreendedores até as grandes empresas que processam pagamentos online.”

No primeiro trimestre de 2022, o Mercado Pago registrou crescimento anual de 102% no volume total de transações na América Latina, enquanto a carteira de crédito avançou quase 300%. As perspectivas para o resto do ano permanecem otimistas, e o cenário macroeconômico desafiador pode até mesmo oferecer algumas oportunidades.

“Existe uma restrição maior de crédito por conta da Selic elevada, então isso permite que a gente sirva clientes que vão deixar de ser assistidos”, afirma o executivo. O novo patamar da taxa básica de juros, de 12,75% ao ano, favorece inclusive o novo produto de renda fixa oferecido pela plataforma, que logo deve se juntar a outras opções de investimentos.

Segundo Oliveira, a missão do Mercado Pago é facilitar o acesso aos serviços financeiros e promover a educação financeira, especialmente para os seus clientes que são empresa e pessoa física ao mesmo tempo.

“Eu, pessoalmente, realizo 100% das minhas movimentações financeiras através do Mercado Pago”, diz o vice-presidente. “E a nossa ideia é que mais pessoas comecem a fazer isso.”

Inovação e tecnologia

Outra vantagem competitiva do Mercado Pago é a tecnologia proprietária, que permite que a empresa desenvolva e lance novos produtos rapidamente. Segundo o vice-presidente, esse aspecto se relaciona com a sua própria trajetória dentro da empresa.

Oliveira é formado em engenharia elétrica pela Unicamp. Em 2013, após passar por empresas como Unibanco, Itaú e PayPal, ele entrou no Mercado Pago e se tornou responsável por desenvolver a área de “bandeiras e parcerias”, que tinha uma atuação abrangente.

Oliveira conta que, nesse período, conseguiu participar da concepção de boa parte dos produtos disponíveis no Mercado Pago atualmente. “Era uma área com bastante liberdade de criação e pensamento. Nós começamos a testar produtos como a maquininha, o cartão, o braço de crédito, e essas coisas foram ganhando vida própria”, explica.

Em 2017, ele foi convidado para liderar a operação brasileira do Mercado Pago, que na época tinha uma equipe de cerca de 50 pessoas – hoje são mais de 500.

Oliveira explica que uma das estratégias adotadas pela empresa para fomentar o talento de tecnologia é contratar desenvolvedores no início de carreira e moldá-los à cultura da empresa.

“Eu posso dizer, tranquilamente, que nós temos um dos melhores times de tecnologia do mundo”, afirma. “E esse é um trabalho atrativo, porque nós temos diversos projetos surgindo a todo momento.”

Ele acrescenta que o Mercado Pago vem desenvolvendo novos projetos relacionados ao mundo das criptomoedas, e que esse é um segmento que oferece desafios expressivos na frente tecnológica. “Tudo isso culmina nos diferenciais que a gente busca colocar na mesa para os nossos clientes”, diz.

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