Um em cada três fundos de hedge já investe em criptomoedas

Fundos tradicionais aumentaram exposição a criptoativos no último ano, mostra pesquisa da PWC

Monique Lima
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Dado Ruvic/Reuters
Dado Ruvic/Reuters

Adesão às criptomoedas aumenta entre gestores e exposição dos fundos de hedge cresce em um ano. 

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As criptomoedas estão longe de ser unanimidade no mercado financeiro, mas as barreiras estão diminuindo com o passar do tempo. Mesmo com a volatilidade que o setor tem enfrentado em meio ao aumento dos juros e problemas em ativos específicos, cada vez mais fundos de hedge estão incluindo criptoativos em suas carteiras.

Em seu 4º Relatório Anual de Fundos de Hedge de Criptomoedas 2022, divulgado ontem (8), a consultoria PwC apontou que aumentou em 17 pontos percentuais a quantidade de fundos de hedge tradicionais que estão investindo em moedas digitais: em um ano, o número passou de 21% para 38%.

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Os chamados fundos de hedge multi-estratégia foram os mais propensos a investir (32%), seguidos por fundos de estratégia macro (21%), patrimoniais (18%) e sistemáticos (12%).

Apesar do aumento da adesão, os fundos parecem estar testando as águas primeiro. De acordo com o levantamento, 57% dos fundos de hedge têm menos de 1% do total de ativos sob gestão investidos em criptomoedas.

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Apenas 19% dos fundos fizeram aportes entre 2% e 5% no mercado cripto. Os que aportaram entre 5% e 10% são apenas 10%.

A pesquisa indica, no entanto, que a intenção dos gestores é aumentar a exposição ainda este ano: dois terços (67%) dos fundos de hedge que estão investindo em criptomoedas atualmente afirmaram ter a intenção de aplicar mais capital nesse mercado até o fim de 2022.

John Garvey, líder global de serviços financeiros da PwC Estados Unidos, afirma que o mercado está amadurecendo, o que tem feito surgir mais fundos especializados em criptoativos e levado cada vez mais fundos tradicionais a adotar as moedas digitais.

“O recente colapso do terraUSD demonstrou vividamente os riscos potenciais dos ativos digitais. Seguiremos vendo volatilidade, mas o mercado está amadurecendo e com isso mais fundos estão entrando no setor cripto”, diz Garvey.

Desempenho esfria, mas interesse cresce

Não apenas os gestores de fundos de hedge, mas também os de ativos tradicionais estão de olho no desenvolvimento do mercado de criptomoedas. Segundo a PwC, 29% daqueles que ainda não investem em ativos digitais estão em fase final de planejamento para investir ou estão pesquisando sobre o setor.

Porém, uma parcela considerável desses não-investidores (41%) afirmaram que não tem a intenção de investir nas moedas digitais pelos próximos três anos, enquanto 31% dizem estar curiosos, mas esperando que o mercado amadureça mais antes de correr o risco.

Ainda assim, o número dos gestores que não investem em criptomoedas diminuiu entre 2021 e 2022 em 17 pontos percentuais, saindo de 79% há um ano para 62%.

Com o aumento da volatilidade nos últimos meses, o retorno dos fundos de hedge especializados em criptomoedas caiu na comparação anual, mas ainda se mantém no azul. O fundo de criptomoedas médio cresceu 63,4% em 2021, abaixo do retorno médio de 127,55% de 2020.

A maioria desses fundos negociou bitcoin (86%), ethereum (81%), solana (56%), polkadot (53%), terra (49%) e avalanche (47%).

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