1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Goldman Sachs reitera recomendação de compra de ações da Petrobras
Forbes Money

Goldman Sachs reitera recomendação de compra de ações da Petrobras

Banco de investimentos americano vê empresa mais forte financeiramente e pronta para avançar em projetos de refino e energias renováveis

5 min
Foto: Reprodução/Agência Petrobras
Foto: Reprodução/Agência PetrobrasFuncionário em plataforma de refino da Petrobras

O banco de investimentos americano Goldman Sachs reiterou sua recomendação de compra para as ações da Petrobras (PETR3;PETR4) em relatório divulgado ontem (5). O banco afirmou que, independentemente do resultado das eleições presidenciais de 2022, a petroleira está mais forte e corre menos riscos de intervenção governamental do que em 2011.

Entre os anos 2011 e 2015, a estatal sofreu uma intervenção em sua política de precificação de combustíveis. O resultado foi um fluxo de caixa livre negativo e um aumento da alavancagem operacional, por meio de um endividamento pesado.

Agora, a avaliação dos analistas do Goldman Sachs Bruno Amorim, João Frizo e Guilherme Costa é diferente. Eles escreveram que, mesmo que ocorra uma intervenção do governo a partir de 2023, a atual condição da Petrobras “levaria a um resultado menos negativo”, visto que “a empresa está em uma posição financeira mais forte em relação ao ciclo anterior”.

Acompanhe em primeira mão o conteúdo do Forbes Money no Telegram

“Embora os resultados [nesse caso sejam] piores do que os utilizados em nosso caso base, que não leva em conta qualquer intervenção”, avaliam.

Finanças reforçadas

A primeira ponderação dos analistas do Goldman Sachs é que o negócio de exploração e produção de petróleo (upstream) está muito melhor do que no ciclo 2011-15. Segundo eles, há “custos menores, capex mais baixo e geração de caixa mais forte”.

Entre o fim de 2016 e o primeiro semestre de 2021, a petroleira passou por uma recuperação sólida liderada pela nova administração. Os preços praticados pela estatal convergiram para as cotações internacionais dos combustíveis, afirma o relatório. Além disso, houve uma otimização dos investimentos e a venda de ativos não essenciais, como a BR Distribuidora, atual Vibra Energia (VBBR3) , e a distribuidora de gás engarrafado Liquigás.

O resultado disso, segundo os analistas, é um período marcado pelo foco no retorno aos acionistas, entre o segundo semestre de 2021 e o momento atual. “Após a conclusão do processo de desalavancagem no ciclo anterior, vemos pagamentos de dividendos significativos”.

Atualmente, o indicador de dividendos da Petrobras (dividend yield) está em 51,2% e é o maior do Ibovespa. Para 2023, o Goldman Sachs projeta pagamentos na ordem dos 30%, com base nos valores esperados para o barril de petróleo do tipo Brent.

Segundo os analistas, a situação atual da estatal se beneficia de menores capex de exploração e produção do petróleo, fruto dos investimentos no pré-sal da última década. Custos menores de produção, margens positivas e menor capex de refino também favorecem a petroleira.

Menor risco de intervenção

Seja qual for o cenário resultante do segundo turno, o Goldman Sachs não vê grandes riscos de intervenção na Petrobras e os analistas indicam seus motivos.

Em primeiro lugar, 36% dos dividendos vão para a União. Além disso, os impostos pagos pela estatal aumentaram, em linha com o crescimento da rentabilidade. “Ao nosso ver, os fatores mencionados reduzem (embora não retirem) o incentivo para que o governo intervenha na Petrobras”, escrevem em relatório.

Os analistas também ponderam que, o novo Estatuto da companhia indica explicitamente que a estatal não deve subsidiar preços de combustíveis sem que haja compensação por parte do governo.

Para eles, a partir de 2023 a Petrobras deve implementar medidas próprias para moderar os preços dos combustíveis, impulsionar o investimento em energias renováveis e nos segmentos de refino.

Dividendos da Petrobras no 3T22

Os analistas esperam um anúncio de 12% de dividendos junto com os resultados do terceiro trimestre de 2022 e, em 2023, a distribuição de 7% de dividendos referentes ao quarto trimestre.

O banco reitera a recomendação de compra para as ações ON e PN da Petrobras, com preço-alvo de R$ 34,90 em 12 meses para os papéis PETR3 e de R$ 31,70 para as ações PETR4. Considerando-se as cotações de ontem (5), as cotações não têm perspectiva de alta. O relatório reconhece isso, afirmando que “não há catalisadores imediatos” para uma alta de preços. A indicação de compra, portanto, se baseia na perspectiva de a estatal pagar bons dividendos.

Entre os riscos para a tese de investimentos, os analistas apontam preços do barril Brent abaixo do esperado; valorização do real; produção abaixo do esperado e intervenção do governo no preço dos combustíveis, embora em seu cenário-base, o Goldman Sachs não considere nenhuma intervenção.

>> Inscreva-se ou indique alguém para a seleção Under 30 de 2022

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.