Considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou queda de 0,5% em julho na comparação com o mês anterior, segundo divulgado nesta segunda-feira (15) pelo Banco Central.
O índice veio acima do esperado pelos economistas consultados em pesquisa da Reuters. Eles esperavam contração de 0,2%.
Apesar do desempenho de julho, na comparação com o mesmo período de 2024, o IBC-Br teve alta de 1,1%, e, no comparativo do último trimestre com o ano passado, o saldo ficou positivo em 2%, segundo indicam os dados dessazonalizados do BC.
Os dados vêm na véspera do início da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, quando a expectativa é que os diretores decidam pela manutenção da taxa Selic em 15% diante de preocupações com as projeções e expectativas de inflação. O anúncio sobre os juros será feito na quarta-feira (17).
Por setores
Segundo a divulgação do BC, em julho, o desempenho dos setores foi o seguinte em relação a junho:
- Agropecuária: -0,8%;
- Indústria: -1,1%:
- Serviços: -0,2%.
Já o desempenho no no acumulado de maio, junho e julho de 2025, com igual período de 2024 ficou dessa forma:
- Agropecuária: -6,8%;
- Indústria: -0,9%:
- Serviços: -0,2%.
Quando a análise é feita excluindo a agropecuária, o índice de julho sobre junho ficou em -0,4% no mês, e de -0,2% no acumulado do trimestre.
PIB desacelera
O PIB brasileiro registrou alta de 0,4% no segundo trimestre de 2025, em relação aos três meses anteriores, totalizando R$ 3,2 trilhões em valores correntes, segundo divulgado no início deste mês pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Embora positivo, o resultado confirma um ritmo mais lento de expansão da economia. O Ministério da Fazenda disse na semana passada que, pelo fato de o dado do período ter vindo abaixo da sua expectativa, em meio à transmissão da política monetária apertada para o crédito e a atividade, estava revisando sua projeção de crescimento do PIB este ano para 2,3%, de 2,5% estimados em julho.
Já o mercado estima um crescimento de 2,16% do PIB este ano, segundo o mais recente relatório Focus do BC, divulgado na manhã desta segunda-feira.
Em sua última reunião de política monetária, no final de julho, o BC destacou que o conjunto dos indicadores de atividade econômica tem apresentado certa moderação, conforme o esperado, mas ressalvou que o mercado de trabalho — com o desemprego marcando recordes de baixa — ainda mostra dinamismo.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, também tem ressaltado que a convergência da inflação tem se dado de forma lenta, com expectativas do mercado e projeções do BC para a inflação ainda distantes da meta de 3%.