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Como a The Led Transformou Legado Familiar em um “Cheque” de R$ 150 Milhões

Empresa de painéis de LED e mídia in-store anunciou a captação de R$ 150 milhões com o fundo Kinea Private Equity V

6 min

Quando o empresário Richard Albanesi começa a contar a história da The Led, o passado logo se mostra um elemento essencial para a conversa. Na noite desta segunda-feira (01), a empresa de comunicação visual e painéis de LED anunciou um aporte de R$ 150 milhões feito pela Kinea Private Equity, gestora de ativos alternativos do grupo Itaú, mas o “cheque” — o maior já feito dentro do segmento no país — e a entrada dos novos investidores no negócio coroa uma história que começou muito antes e que é carregada de legado familiar. 

Em 1992, a mãe de Richard, Alcione Albanesi, foi pioneira ao se tornar uma referência nacional com a criação da FLC Lâmpadas. Numa época em que quase ninguém no Brasil tinha coragem de ir buscar fornecedores na China, Albanesi desembarcou no país ao lado do filho de 13 anos. Entre uma visita à fábrica e outra, o empresário deu os seus primeiros passos dentro do negócio da família. 

“Minha maior inspiração foi minha mãe. Ela conseguiu construir uma marca em meio a multinacionais conhecidas e ter a lâmpada mais vendida do Brasil”, conta Richard Albanesi em entrevista à Forbes Brasil. 

O know-how de como criar uma marca em um setor competitivo não foi a única coisa que aprendeu com a matriarca. A capacidade de reinvenção também. Em 2014, Alcione vendeu a sua companhia para se dedicar em tempo integral à filantropia com a ONG Amigos do Bem. Já Richard viu o modelo de negócio da The Led mudar de forma agressiva nos quinze anos desde a fundação da empresa. 

DNA de reinvenção

Richard, fundador e CEO da The Led, se inspirou no negócio familiar para continuar a sua própria trajetória e viu potencial nos painéis de LED. 

“Quando eu tomei a decisão, eu pensei em seguir algo que eu conheço e que tem um futuro muito promissor. E falei: vai ter LED em todo lugar. Obviamente, quando começamos, em 2010, era muito difícil defender a minha teoria, porque a única coisa que a gente tinha eram os grandes eventos”, relembra. “Começamos com os shows e festivais. Esse era nosso modelo de negócio, mas fomos acreditando que seria possível colocar LED dentro de um shopping center”. 

Até março de 2020, mais de 80% da receita da companhia vinha dos eventos. A pandemia do coronavírus, no entanto, exigiu adaptação rápida. Afinal, o lockdown obrigou a interrupção de grandes aglomerações e, assim, a receita deixou de entrar. 

Foi ali que a empresa precisou fazer a guinada mais profunda de sua história: transformar um parque técnico criado para o entretenimento em soluções permanentes de varejo. A decisão, tomada em dias, moldaria a empresa para sempre.

“Pegamos equipamentos de eventos e colocamos em instalações fixas. Foi uma mudança de conceito muito rápida”, lembra o executivo. Com isso, a The Led deixou de ser uma fornecedora de estruturas temporárias para abraçar de vez o mundo do retail media — os painéis de LED passaram a ser utilizados para a venda de espaços publicitários dentro de grandes redes de varejo, em uma espécie de “prateleira digital”. 

Hoje, os eventos representam menos de 10% da receita da companhia e mais de 60% vêm de mídia in-store e retail media. O que era apenas uma aposta virou core do negócio. Com contratos de locação de, no mínimo, 60 meses, a empresa transformou um modelo de negócios de características sazonais em previsibilidade de receita. 

Além das locações de longo prazo, a The Led também oferece sistemas totalmente integrados, inteligência de dados e uma operação dedicada ao negócio de retail media, capaz de potencializar o uso dos espaços. Grandes varejistas como Carrefour, GPA, Panvel e Pague Menos engrossam a lista de clientes. 

A necessidade de grandes investimentos aumentaram a necessidade de financiamento de projetos de aquisição e desenvolvimento de projetos. Em dezembro de 2021, a The Led lançou a sua primeira oferta de debêntures no mercado, captando R$ 31,3 milhões. Em 2024, foi a vez da segunda emissão, onde foram levantados R$ 25 milhões.

O capital foi utilizado para a aquisição de uma empresa de estruturas metálicas, Em dezembro de 2024, foi a vez de uma fusão com a Invian, com o objetivo de acelerar o crescimento OOH, Digital Signage e Retail Media na América Latina por meio de infraestrutura digital e de software. Para completar a cadeia de serviços de ponta a ponta, a Converta Ads nasceu com o intuito de negociar os espaços publicitários diretamente com as agências. 

Estratégia de peso

Esse é o primeiro investimento de um fundo de private equity em uma empresa do segmento de LED e media in-store. 

“Nós tomamos a decisão em 2024 de buscar um parceiro [estratégico]. Falamos com diversos fundos, e demos sequência com 3. Escolhemos a Kinea por acreditar que tem mais a ver com nosso negócio e estar alinhada com nossa estratégia de crescimento”, explica o executivo. 

O investimento foi o terceiro investimento feito pelo Kinea Private Equity V neste ano.A Kinea tem uma série de varejistas — como Panvel, Cobasi e Alvorada — em seu portfólio. “Esse aporte reforça a confiança no potencial de digitalização da comunicação visual no varejo brasileiro e na capacidade de crescimento da The Led”, aponta nota divulgada à imprensa. 

“Há uma avenida de crescimento muito significativa para o retail media. Já observávamos o potencial do modelo de negócio em outras investidas do varejo, que permite a rentabilização do tráfego de clientes em lojas, o que se traduz em um aumento de vendas e captura de maior volume de verbas publicitárias para os varejistas”, afirma Diego Montezano, sócio executivo de Private Equity da Kinea.

Segundo Albanesi, a injeção de capital será utilizada para acelerar o crescimento da companhia. O objetivo é ter 5 mil pontos instalados no início de 2026, mais de 15 mil telas em operação no país e dobrar de tamanho em três anos. 

O CEO aponta que a empresa já cresce mais de 50% ao ano em ativos e instalações — ritmo que deve se intensificar com o reforço de governança e tecnologia apoiado pela Kinea.

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