O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou no domingo (11) que o Departamento de Justiça abriu uma investigação criminal sobre suas declarações ao Congresso a respeito da reforma da sede do banco central, em uma medida que intensifica de forma abrupta o conflito entre o líder da autoridade monetária e o presidente Donald Trump.
Em uma mensagem em vídeo, Powell disse que o Departamento de Justiça enviou intimações de um grande júri ao Federal Reserve, ameaçando uma denúncia criminal relacionada ao seu depoimento perante o Comitê Bancário do Senado no ano passado. Trump, que tem atacado repetidamente Powell pela recusa do BC americano em reduzir agressivamente as taxas de juros, também criticou a reforma de US$ 2,5 bilhões (R$ 13,5 bilhões) e ameaçou demitir o presidente do Fed por causa dela.
Em sua declaração, Powell disse que respeita o Estado de Direito, mas que “essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua da administração”.
“A ameaça de acusações criminais é consequência de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que atende ao interesse público, em vez de seguir as preferências do presidente”, acrescentou.
Powell afirmou que a questão central é “se o Fed poderá continuar definindo as taxas de juros com base em evidências e condições econômicas, ou se, em vez disso, a política monetária será guiada por pressão política ou intimidação”.
O presidente do Fed encerrou sua declaração dizendo: “Cumpri meus deveres sem medo ou favorecimento político, focado exclusivamente em nosso mandato de estabilidade de preços e máximo emprego. O serviço público às vezes exige firmeza diante de ameaças. Continuarei a desempenhar o trabalho para o qual o Senado me confirmou, com integridade e compromisso de servir ao povo americano.”
Em entrevista à NBC News, Trump disse não ter conhecimento da investigação: “Não sei nada sobre isso, mas ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom em construir prédios.”
O que sabemos?
Segundo o New York Times, a investigação sobre Powell — relacionada à reforma da sede do Federal Reserve em Washington e às declarações do presidente do Fed ao Congresso sobre o tema — foi aberta pelo gabinete do procurador federal do Distrito de Columbia. Jeanine Pirro, nomeada por Trump no ano passado como procuradora dos EUA para o Distrito de Columbia, teria aprovado a investigação em novembro. Citando uma fonte não identificada, o jornal informou que assessores de Powell foram contatados várias vezes por promotores do gabinete de Pirro, com pedidos de documentos relacionados à reforma.
A investigação provocou críticas imediatas e contundentes de parlamentares de ambos os partidos. O senador Thom Tillis, republicano da Carolina do Norte e integrante do Comitê Bancário do Senado, escreveu no X: “Se ainda havia alguma dúvida de que assessores dentro da administração Trump estão ativamente tentando acabar com a independência do Federal Reserve, agora não há mais. Agora é a independência e a credibilidade do Departamento de Justiça que estão em questão. Vou me opor à confirmação de qualquer indicado ao Fed — incluindo a próxima vaga para presidente do Fed — até que esse assunto legal seja totalmente resolvido.”
A senadora Elizabeth Warren, democrata de Massachusetts e principal representante democrata no comitê, escreveu: “Trump quer nomear um novo presidente do Fed E afastar Powell do Conselho de vez para concluir sua tomada corrupta do nosso banco central. Ele está abusando da lei como um ditador aspirante para que o Fed sirva a ele e a seus amigos bilionários. O Senado não deve avançar com NENHUM indicado de Trump ao Fed.”