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Valor da Anthropic Dispara, e Sete Cofundadores Bilionários Quase Dobram Suas Fortunas

Valuation da empresa de IA foi impulsionado por uma captação recente de US$ 30 bilhões

6 min

A corrida armamentista da inteligência artificial segue se intensificando. Na quinta-feira, a Anthropic anunciou ter levantado US$ 30 bilhões (R$ 171 bilhões) com valuation de US$ 380 bilhões (R$ 2,2 trilhões), acima dos US$ 183 bilhões (R$ 1 trilhão) registrados em setembro. Isso quase dobrou as fortunas de seus sete cofundadores bilionários — liderados pelo CEO Dario Amodei e por sua irmã Daniela Amodei — para US$ 7 bilhões (R$ 39,9 bilhões) cada, segundo estimativas da Forbes.

A Anthropic ainda vale menos que a rival OpenAI, avaliada por investidores privados em US$ 500 bilhões (R$ 2,85 trilhões) em outubro. Ainda assim, os cofundadores da Anthropic são mais ricos que o cofundador e CEO da OpenAI, Sam Altman, que não possui participação direta na empresa e tem fortuna estimada em US$ 3 bilhões (R$ 17,1 bilhões). A Forbes calcula que cada um dos sete cofundadores da Anthropic detenha pouco mais de 1,8% da companhia.

No início de janeiro, Altman falou sobre a Anthropic — cujos cofundadores são todos ex-funcionários da OpenAI — em tom cordial. Enquanto a OpenAI mira o consumidor final com o popular ChatGPT, a Anthropic conquistou espaço entre usuários corporativos. “Acho que eles fazem um bom trabalho nesse foco específico de acertar o mercado empresarial”, disse Altman à Forbes. “Eles têm um bom modelo de programação, sem dúvida. Respeito muito isso. Foi uma inovação relevante da parte deles.”

Poucas semanas depois, quando a Anthropic lançou uma série de anúncios no Super Bowl que aparentemente ironizavam a decisão da OpenAI de incluir publicidade no ChatGPT, Altman mudou o tom. “Acho que faz parte do estilo de ‘duplipensar’ da Anthropic usar um anúncio enganoso para criticar anúncios hipoteticamente enganosos que nem existem”, escreveu no X. “A Anthropic oferece um produto caro para pessoas ricas. Ficamos felizes que façam isso e também fazemos, mas acreditamos fortemente que precisamos levar a IA a bilhões de pessoas que não podem pagar assinaturas.”

Rivais de peso

A postura mais agressiva de Altman pode indicar o tamanho da ameaça que a Anthropic se tornou. Ao mesmo tempo, Elon Musk fez seu próprio ataque (sem fundamentos) na rede X após o anúncio da captação, chamando a empresa de “maligna” e discriminatória. “Francamente, não acho que haja como escapar da ironia inevitável de a Anthropic acabar sendo ‘Misanthropic’”, escreveu. “Vocês estavam destinados a esse fim desde que escolheram esse nome.”

Os rivais podem dizer o que quiserem, mas a Anthropic vive uma fase especialmente positiva. Os anúncios do Super Bowl foram amplamente elogiados como sátiras afiadas — até Altman admitiu que riu. Sua capacidade em programação tornou-se tão reconhecida que o lançamento, no início de fevereiro, do modelo Claude Opus 4.6 abalou ações globais de software, eliminando bilhões de dólares em valor de mercado diante do receio de investidores sobre uma ameaça existencial ao setor.

Agora veio a megacaptação da empresa, que levantou quase US$ 20 bilhões (R$ 114 bilhões) a mais do que o planejado inicialmente. A Anthropic não comentou as estimativas de patrimônio de seus fundadores.

Os irmãos Amodei cresceram no Mission District, em San Francisco, nos anos 1980. Dario tornou-se obcecado por matemática e física, enquanto Daniela se destacou em artes liberais e música. Dario entrou para o laboratório de pesquisa Google Brain em 2015 e, um ano depois, migrou para a OpenAI, onde acabou promovido a vice-presidente de pesquisa. Daniela seguiu carreira na política, trabalhando para o ex-deputado da Pensilvânia Matt Cartwright. Após cinco anos na gigante de pagamentos Stripe, ela se juntou ao irmão na OpenAI como vice-presidente de segurança e políticas.

Em 2021, os irmãos Amodei e um grupo de dissidentes deixaram a OpenAI após uma disputa interna sobre segurança em IA. Ao lado dos cofundadores Jack Clark, Sam McCandlish, Chris Olah, Tom Brown e Jared Kaplan, criaram a Anthropic, uma concorrente com foco específico no desenvolvimento responsável de modelos de inteligência artificial.

Desde então, a empresa tornou-se uma competidora formidável da OpenAI. Sua principal joia é o Claude Code, versão do chatbot Claude voltada à programação. Na quinta-feira, a Anthropic informou que o produto alcançou uma receita anualizada de US$ 2,5 bilhões (R$ 14,25 bilhões), acima de US$ 1 bilhão (R$ 5,7 bilhões) em dezembro.

Ainda melhor para a companhia, a tração do Claude Code tem funcionado como porta de entrada para clientes corporativos. Mais de 60% das empresas que utilizam a Anthropic usam mais de um produto Claude, informou a empresa à Forbes em novembro. Isso inclui a plataforma Claude Developer para acesso via API, que permite construir ferramentas sobre os modelos Claude, e uma versão corporativa do chatbot com recursos extras de segurança e controle administrativo, especialmente para setores altamente regulados, como saúde e direito. Ao notar esse padrão no último verão, a empresa começou a ajustar seus produtos para potencializar a tendência, testando novas estruturas de preços e pacotes combinados, disse o diretor de produtos Mike Krieger à Forbes em novembro.

A companhia também anunciou que sua receita anualizada subiu para US$ 14 bilhões (R$ 79,8 bilhões), ante US$ 7 bilhões (R$ 39,9 bilhões) em outubro. Além disso, a Anthropic tornou-se a fornecedora mais popular no mercado corporativo de modelos de linguagem, que alcançou US$ 8,4 bilhões (R$ 47,88 bilhões) em 2025, segundo estudo da Menlo Ventures divulgado no último verão.

O salto na riqueza dos cofundadores da Anthropic é um sinal da força da empresa — e chama atenção por outro motivo. Em um ensaio com mais de 20 mil palavras publicado no mês passado, intitulado “The Adolescence of Technology”, Dario Amodei alertou para o risco da concentração excessiva de riqueza. Ele destacou que a fortuna de Elon Musk — atualmente próxima de US$ 850 bilhões (R$ 4,845 trilhões), segundo a Forbes — supera a de John D. Rockefeller, cujo patrimônio representava cerca de 2% do PIB dos EUA no auge da Era Dourada. “O que preocupa é um nível de concentração de riqueza capaz de romper a sociedade”, escreveu. Para enfrentar esse cenário, afirmou que os sete cofundadores da Anthropic prometeram doar 80% de suas fortunas para a caridade.

Com a rodada mais recente de financiamento, o valor total desse compromisso agora chega a US$ 49 bilhões (R$ 279,3 bilhões).

*Matéria originalmente publicada em Forbes.com

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