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Déficit Primário do Governo Central Recua 8,4% em Fevereiro, para R$ 30 Bilhões

Esse foi o menor déficit primário para um mês de fevereiro desde 2022

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O governo central registrou um déficit primário de R$ 30,046 bilhões em fevereiro, informou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira (30), resultado ligeiramente melhor que o esperado pelo mercado, com queda real de 8,4% em relação ao rombo do mesmo mês de 2025.

Esse foi o menor déficit primário para um mês de fevereiro desde 2022, quando o rombo foi de R$ 24,510 bilhões, conforme a série histórica do Tesouro. 

O desempenho do mês passado é resultado de receitas líquidas — que excluem transferências para governos regionais — de R$ 157,681 bilhões, um aumento real de 5,6% frente ao mesmo período de 2025, e despesas totais de R$ 187,727 bilhões, alta de 3,1%.

Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, seria deficitário em R$ 31,312 bilhões no mês.

O crescimento real (descontada a inflação) da receita em fevereiro foi impulsionado, principalmente, pelo aumento de 4,1% nas receitas administradas pela Receita Federal (+R$ 5,5 bilhões) — com impacto de um aumento de 35,6% na arrecadação do IOF e de 8,1% na da Cofins — e pela alta de 5,6% na arrecadação líquida para o Regime Geral de Previdência Social (+R$ 3,1 bilhões). 

No caso das despesas, o avanço real no mês passado deveu-se principalmente aos aumentos das despesas discricionárias (+R$ 5,4 bilhões), dos gastos com pessoal e encargos sociais (+R$ 2,2 bilhões) e dos benefícios previdenciários (+R$ 1,7 bilhão). 

No acumulado dos dois primeiros meses de 2026, o governo central registrou um superávit primário de R$ 56,854 bilhões, graças ao resultado positivo de janeiro. O saldo representa uma alta real de 1,4% em relação ao verificado no mesmo período do ano passado.

Impactos na dívida

Os déficits primários pressionam a dívida bruta brasileira, atualmente em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), e que também sofre o impacto dos juros altos.

Durante entrevista para apresentação dos dados do governo central, o secretário do Tesouro, Daniel Leal, foi questionado sobre a possibilidade de o ciclo de cortes da taxa básica Selic, hoje em 14,75% ao ano, não ser tão grande quanto se esperava — o que afetaria negativamente a trajetória da dívida.

Segundo ele, porém, em todos os cenários traçados pelo Tesouro a dívida “continua sustentável”.

“Mesmo que o ciclo de cortes da Selic não seja tão grande quanto se estava imaginando, existem várias maneiras de ir compensando”, comentou, em referência à dinâmica da dívida. “Não é só a Selic que efetivamente impacta o custo da dívida”, acrescentou.

O mercado tem projetado um ciclo menor de cortes da Selic em função da guerra que opõe Estados Unidos e Israel contra o Irã, que impulsiona os preços do petróleo, impactando a inflação nos países.

No boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, a mediana das projeções dos economistas para a Selic no fim deste ano está em 12,50% — acima dos 12,00% de um mês atrás, antes da guerra.

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