As ações da Avis Budget Group dispararam mais de 160% no último mês, gerando um ganho expressivo para o bilionário Karthik Sarma. Fundador da gestora SRS Investment Management, sediada em Nova York, ele tem uma fortuna estimada pela Forbes em US$ 2,9 bilhões e administra cerca de US$ 13,9 bilhões em ativos. A Avis — que faturou US$ 11,7 bilhões no ano passado, mas registrou prejuízo líquido de US$ 995 milhões — é sua principal aposta.
Nos preços atuais, a participação da SRS na Avis vale aproximadamente US$ 3,7 bilhões — mais que o dobro dos cerca de US$ 1,7 bilhão registrados no fim de fevereiro, antes do início da recente disparada.
Não é a primeira vez. Em 2021, a ação da Avis chegou a subir 456% durante outro “short squeeze”, inflando temporariamente os ganhos de Sarma. Segundo a Bloomberg, ele teria embolsado cerca de US$ 2 bilhões naquele ano com seu fundo, antes de os papéis devolverem boa parte da valorização. Ainda assim, ele nunca recuou. Integra o conselho da empresa desde 2020, e sua gestora hoje detém quase metade das ações. A posição representa cerca de um terço do portfólio público de renda variável da SRS — sem considerar derivativos, ativos privados ou posições vendidas.
A nova alta tem dois motores: demanda real e dinâmica de mercado. Filas recordes em aeroportos dos EUA e atrasos de voos — agravados por falta de pessoal durante um shutdown parcial do governo sob a administração Trump — têm frustrado passageiros e levado muitos a optar por viagens de carro. Isso elevou as expectativas para o aluguel de veículos na primavera e no verão do hemisfério norte.
Ao mesmo tempo, o elevado volume de posições vendidas — cerca de 23% das ações em circulação — criou o ambiente ideal para um short squeeze. Com a alta dos papéis, investidores vendidos correram para recomprar ações e limitar perdas, impulsionando ainda mais os preços.
A convicção de Sarma vem de longa data. A SRS revelou sua primeira participação na Avis em 2010, com cerca de 5% da companhia. Desde então, ele continuou comprando — atravessando recessões, pandemia e fortes oscilações no preço das ações.
Antes de fundar a SRS, em 2006, Sarma trabalhou na Tiger Global, hedge fund criado pelo bilionário Chase Coleman. A gestora ficou conhecida por fazer apostas concentradas em poucas empresas, especialmente de tecnologia. Quando essas apostas davam certo, os ganhos eram enormes. Quando o setor despencou em 2022, a Tiger perdeu mais da metade de seu valor e virou um dos maiores colapsos de Wall Street. A maioria dos investidores diversifica para reduzir riscos. Sarma fez o oposto com a Avis: manteve a mesma aposta, repetidamente, por mais de 15 anos.
A SRS não comentou.
Ralis como esse raramente duram muito. Sarma pode aproveitar o momento para reduzir sua posição — ou até sair de vez de um ativo que domina seu portfólio há tanto tempo. Ou pode seguir fiel ao que fez nos últimos 16 anos: manter a aposta e acreditar que a combalida gigante de aluguel de carros ainda tem espaço para subir.
*Matéria originalmente publicada em Forbes.com