“No Brasil, nós aprendemos a cumprir contratos.” Em entrevista exclusiva à Forbes Brasil, o ex-presidente Michel Temer destacou a segurança jurídica como um dos principais fatores para ampliar a atratividade do país ao capital estrangeiro.
Segundo Temer, em um cenário de realocação global de investimentos, impulsionado por tensões geopolíticas — como a guerra no Oriente Médio — a previsibilidade institucional se torna um diferencial. Atualmente, o mundo registra em torno de 60 guerras com participação estatal. Esse é o maior número em três décadas.
Além disso, a bolsa brasileira passou a responder menos a fatores domésticos e mais à dinâmica global de capital. O fluxo estrangeiro se consolidou como principal vetor de sustentação do mercado, aumentando a sensibilidade a mudanças externas.
De acordo com dados do Elos Ayta, o primeiro trimestre do ano terminou comentrada de R$ 53,83 bilhões. Esse é o melhor resultado desde o primeiro trimestre de 2022, quando o saldo havia alcançado R$ 69,02 bilhões.
“O Brasil dispõe de um sistema legal sólido, que reconhece como empresas nacionais aquelas constituídas sob as leis brasileiras, mesmo quando contam com participação de capital estrangeiro ou são administradas por executivos de outras nacionalidades”, destaca o ex-presidente.
Temer ressaltou que essa estrutura reduz incertezas para o investidor internacional. “O cumprimento de contratos eleva a confiança no Brasil e impulsiona o capital estrangeiro. Essa evolução institucional responde a uma das principais preocupações históricas de investidores de fora”, aponta Michel Temer.
Por trás da volatilidade
Mesmo que os desdobramentos do conflito envolvendo o Irã ainda sejam imprevisíveis, especialistas concordam que um aspecto já começa a se consolidar: o uso estratégico do Estreito de Ormuz como instrumento geopolítico.
Em outras palavras, qualquer problema na região tem potencial para afetar os mercados internacionais, ampliando a volatilidade e reforçando a busca por ativos e economias consideradas mais estáveis.
O local é a única rota marítima de saída do Golfo Pérsico para a maioria dos exportadores de petróleo da região. Para grandes produtores como Iraque, Kuwait e Catar, todas as suas exportações marítimas de petróleo e gás devem passar por Ormuz.
Apenas a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos possuem oleodutos que podem contornar parcialmente o estreito, mas, mesmo assim, esses condutores conseguem escoar apenas uma fração do total exportado. Por Ormuz passam, diariamente, 21 milhões de barris de petróleo e derivados – cerca de 30% do consumo mundial. Além disso, um terço do gás natural liquefeito ((GNL) do planeta também passa pela hidrovia.
De acordo com a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), a região é considerada “o ponto de estrangulamento de petróleo mais importante do mundo”.
O canal tem 34 km de largura em seu ponto mais estreito e, na prática, essa passagem marítima conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Ao norte, está a costa do Irã; ao sul, ficam os Emirados Árabes Unidos (EAU) e um enclave pertencente ao Omã.