1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. “Os Mercados Regionais Brasileiros Não São Periféricos, São Centrais”, Afirma Fernando Cinelli, Fundador e Presidente da Apex
Forbes Money

“Os Mercados Regionais Brasileiros Não São Periféricos, São Centrais”, Afirma Fernando Cinelli, Fundador e Presidente da Apex

Segundo o executivo, o desenvolvimento sustentável do país depende do fortalecimento desses mercados — as "onças brasileiras"

3 min

O mercado financeiro brasileiro opera com um desequilíbrio histórico. Mesmo que a riqueza do país cresça de forma descentralizada, o acesso ao capital, aos relacionamentos e à atenção permanece focado nos grandes centros, como São Paulo. Para Fernando Cinelli, fundador e presidente da Apex, o desenvolvimento sustentável do país depende do fortalecimento dos mercados regionais e da criação de uma infraestrutura capaz de aproximar empresas e investidores fora da “capital”.

“Os mercados regionais brasileiros não são periféricos, eles são centrais para o crescimento do país, para a formação de capital e para a nova economia”, afirma o executivo durante o evento Brazilian Regional Markets, nesta segunda-feira (11) em Nova York.

Ele aponta que o maior erro histórico do setor financeiro foi olhar para as regiões brasileiras apenas como origem de riqueza, e não como um destino potencial. Segundo Cinelli, o futuro do mercado de capitais brasileiro deve ser descentralizado, conectado aos polos produtivos reais, mais próximo do empreendedor e ancorado em relacionamentos de longo prazo.

O fundador explica o conceito das “onças brasileiras”, referindo-se às regiões que crescem acima da média nacional, combinando alta produtividade e desenvolvimento humano: Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.

De acordo com a Apex, entre 2002 e 2023, a taxa média de crescimento anual do PIB das onças foi de 2,4%, superando a média nacional de 2,2%. Nesse mesmo período, a participação desses estados na riqueza do país saltou de 31% para 36% do PIB nacional.

Isso porque, para a Apex, essas regiões cultivaram ao longo do tempo ambiente de negócios favorável com equilíbrio fiscal. De acordo com o Ranking de Competitividade do CLP, que avalia a eficiência da máquina pública e o potencial de mercado, todas as regiões figuram na lista dos 10 estados mais competitivos do Brasil.

Ganhando força

Estados como Mato Grosso e Goiás concentram algumas das fronteiras agrícolas mais produtivas do mundo. “Como resultado, economias locais como a de Mato Grosso vêm registrando taxas de crescimento entre 7% e 8% ao ano”, avalia a Apex.

Minas Gerais impulsiona o crescimento através da mineração e da indústria de base. O estado concentra reservas estratégicas de minerais críticos, como nióbio e terras raras. No sul do país, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul combinam uma base industrial diversificada com infraestrutura logística, fator que tem atraído aportes estrangeiros.

Fernando Cinelli ressalta que o avanço desse ecossistema depende de fatores que vão além dos recursos financeiros. “Capital não é apenas dinheiro, capital é confiança”, apontou.

Na avaliação do executivo, essa confiança é construída a partir de presença local, alinhamento de interesses e visão de longo prazo. O executivo citou sua visita ao projeto social de Eduardo Arrimas, chamado Antônio Torres, no Sertão do Semiárido, e à cidade de Petrolina como exemplos.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.