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Quem É o CEO da Micron, o Novo Integrante do Clube dos Bilionários da IA

A disparada da demanda por chips usados em servidores de IA impulsiona ações da fabricante em mais de 800% em 12 meses e redefine a indústria global de memória

4 min

Sanjay Mehrotra, de 67 anos, ocupa os cargos de presidente e CEO da Micron desde 2017. Antes disso, construiu sua carreira como cofundador e principal executivo da SanDisk, pioneira em memória flash adquirida pela Western Digital em 2016 por cerca de US$ 16 bilhões (R$ 80 bilhões).

As ações da Micron dispararam 194% neste ano e acumulam alta de 863% nos últimos 12 meses, impulsionadas pela explosão da demanda por chips de memória usados em servidores de inteligência artificial.

Com isso, o valor de mercado da companhia chegou a aproximadamente US$ 1 trilhão (R$ 5 trilhões), tornando a Micron a terceira fabricante de chips de memória a atingir esse patamar neste mês, depois da Samsung Electronics e da SK Hynix.

A Micron não comentou o assunto.

O pano de fundo

A corrida global pela inteligência artificial transformou completamente a indústria de chips de memória, historicamente conhecida pelos ciclos de alta e baixa. Esses chips são responsáveis por alimentar de dados as GPUs da Nvidia, usadas para treinar e operar modelos de IA como o ChatGPT e o Claude.

Hoje, Micron, Samsung e SK Hynix dominam a produção global em larga escala. A explosão da demanda virou uma máquina de geração de riqueza para acionistas e executivos das três companhias.

A Samsung foi a primeira a atingir o valor de mercado de US$ 1 trilhão neste mês. A Micron alcançou a marca na terça-feira pela manhã, enquanto a SK Hynix cruzou o patamar horas depois, tornando-se a terceira empresa asiática a alcançar essa avaliação, atrás apenas da Samsung e da TSMC.

Quem mais está enriquecendo com o boom dos chips

A valorização do setor também multiplicou patrimônios bilionários na Ásia.

Quatro integrantes da família Lee, controladora da Samsung, passaram a ocupar as quatro primeiras posições entre os mais ricos da Coreia do Sul. O presidente executivo Jay Y. Lee viu sua fortuna mais do que dobrar em menos de seis meses, chegando perto de US$ 35 bilhões (R$ 175 bilhões).

Suas irmãs, Lee Boo-jin e Lee Seo-hyun, além da mãe, Hong Ra-hee, completam o grupo, com patrimônios de US$ 12,9 bilhões (R$ 64,5 bilhões), US$ 12,2 bilhões (R$ 61 bilhões) e US$ 12,1 bilhões (R$ 60,5 bilhões), respectivamente.

Já Chey Tae-won, controlador do conglomerado dono da SK Hynix, viu sua fortuna saltar para US$ 5,6 bilhões (R$ 28 bilhões), mais do que o triplo dos US$ 1,7 bilhão (R$ 8,5 bilhões) registrados em janeiro.

A trajetória de Mehrotra

O novo status bilionário de Mehrotra encerra uma trajetória iniciada em Kanpur, na Índia, onde nasceu em 1958. Aos 18 anos, imigrou para os Estados Unidos para estudar na University of California, Berkeley.

Em 1988, fundou a SanDisk ao lado de Eli Harari e Jack Yuan. A empresa foi pioneira em armazenamento em memória flash, abriu capital em 1995 e acabou vendida à Western Digital em 2016 em um acordo de US$ 16 bilhões.

No ano seguinte, Mehrotra assumiu o comando da Micron, quando as ações da companhia eram negociadas perto de US$ 30. Desde então, os papéis acumulam valorização de aproximadamente 3.000%, impulsionando também os pacotes de remuneração em ações recebidos pelo executivo.

A própria SanDisk, que voltou a operar como empresa independente em 2025 após ser separada da Western Digital, também surfa a onda da IA. As ações acumulam alta de 477% neste ano e impressionantes 4.064% nos últimos 12 meses, fechando a quarta-feira cotadas a US$ 1.590.

Frase importante

“Micron, nossa, a Micron é fantástica, eles estão investindo centenas de bilhões”, disse o presidente Donald Trump durante um comício em Nova York na sexta-feira.

As ações da companhia dispararam mais de 18% na terça-feira, primeiro pregão após a declaração.

Mehrotra também acompanhou Trump em uma visita oficial à China em meados de maio, ao lado de empresários como Elon Musk, Jensen Huang e Tim Cook.

O que observar

Apesar da euforia, o setor de memória carrega um histórico de forte volatilidade. Em ciclos anteriores, períodos de demanda aquecida foram seguidos por excesso de oferta, estoques encalhados e quedas bruscas de preços.

Parte do mercado acredita que desta vez a situação pode ser diferente, já que a inteligência artificial cria uma demanda estrutural mais duradoura. Outros analistas, porém, lembram de momentos como os anos 1990, quando a popularização dos computadores pessoais e da internet levou a indústria a expandir produção agressivamente antes de enfrentar um forte esfriamento da demanda.

*Matéria originalmente publicada pela Forbes.com

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