1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Brasil Leva Agenda de Terras Raras Ao G7 em Meio À Corrida Global por Minerais Críticos
Forbes Money

Brasil Leva Agenda de Terras Raras Ao G7 em Meio À Corrida Global por Minerais Críticos

4 min

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, embarca neste fim de semana para a França levando na bagagem uma pauta que ganhou peso estratégico nas discussões globais sobre indústria, tecnologia e segurança energética: as terras raras e os minerais críticos.

Em sua segunda viagem internacional desde que assumiu o comando da equipe econômica após a saída de Fernando Haddad, Durigan participará das reuniões de ministros das Finanças e presidentes de Bancos Centrais do G7, grupo formado por Estados Unidos, Alemanha, Japão, Reino Unido, França, Itália e Canadá. O Brasil participa como país convidado.

Além dos minerais estratégicos, a agenda inclui encontros bilaterais, discussões sobre inteligência artificial, energia e reuniões com autoridades e empresários franceses.

No tema das terras raras e minerais críticos, o objetivo é posicionar o Brasil como alternativa ao domínio chinês no mercado global. Durigan disse na semana passada que pretende apresentar o país como parceiro estratégico em insumos considerados essenciais para a indústria tecnológica e para a transição energética.

Entre os materiais citados pelo governo estão terras raras, nióbio e grafeno. As terras raras são usadas na fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas, semicondutores, equipamentos militares e sistemas ligados à inteligência artificial. Hoje, a China concentra grande parte da produção e, principalmente, do processamento global desses minerais.

No Brasil, os projetos privados avançam no setor. Em entrevista recente à Forbes Brasil, Ricardo Grossi, diretor de operações da Serra Verde afirmou que o país reúne condições para se tornar mais relevante na cadeia global de terras raras, diante da tentativa de Estados Unidos e Europa de reduzir a dependência da China.

A empresa opera um projeto de terras raras em Goiás e anunciou recentemente uma combinação de negócios com a USA Rare Earth, com a integração da mineração, processamento, separação e produção de ímãs em diferentes países.

Segundo a companhia, a operação pode ampliar investimentos e acelerar o desenvolvimento de uma cadeia industrial ligada às terras raras fora da Ásia. A empresa afirmou ainda que já recebeu mais de US$ 1 bilhão em investimentos vindos dos Estados Unidos e do Reino Unido ao longo dos últimos 16 anos.

Na visão do executivo Serra Verde, o Brasil possui base mineral, profissionais qualificados, estrutura regulatória e experiência em mineração para avançar além da exportação de matéria-prima. A empresa, porém, avalia que a construção de uma cadeia industrial de grande escala exigirá anos de investimentos e apoio contínuo do governo, com políticas fiscais e regulatórias voltadas ao setor.

Segundo o Ministério da Fazenda, o governo quer ampliar investimentos estrangeiros no setor mineral sem abrir mão do controle nacional sobre os recursos naturais. A proposta inclui incentivar a industrialização local e agregar valor à produção brasileira. “O objetivo é evitar que o país permaneça apenas como exportador de matérias-primas”, afirmou o ministro na entrevista à TV Brasil.

A agenda do Brasil no G7

A programação em Paris também inclui uma mesa redonda promovida pela revista Le Grand Continent e um almoço na redação do jornal Le Monde. Na segunda-feira (18), Durigan visitará ainda a startup francesa de inteligência artificial Mistral AI, onde terá reunião com o CEO Arthur Mensch.

Na terça-feira (19), além da reunião principal do G7, o ministro terá encontros bilaterais com autoridades da França e do Japão. Também está prevista uma reunião com Fatih Birol, em meio às preocupações globais com segurança energética após a escalada das tensões no Oriente Médio.

Após os compromissos em Paris, Durigan retorna ao Brasil na quarta-feira (20). A viagem originalmente incluiria uma etapa na Rússia para reuniões do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos Brics, mas a ida a Moscou foi cancelada após interrupções no aeroporto da capital russa provocadas por ataques de drones ucranianos na região.

(Com informações da Agência Brasil)

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.