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A Aposta Australiana Que Pode Transformar o Brasil em Potência Global de Terras Raras

Com custo operacional de apenas US$ 9,30 por quilo de óxido de terras raras, a Viridis inaugura em Poços de Caldas o centro de processamento mais competitivo do mundo para esse tipo de mineral

10 min

Durante décadas, o mercado global de terras raras funcionou sob uma lógica simples: a China dominava quase todas as etapas da cadeia produtiva. O país não apenas concentra as maiores reservas conhecidas desses minerais estratégicos, como também controla a maior parte do refino e da fabricação de ímãs permanentes usados em turbinas eólicas, veículos elétricos, smartphones e equipamentos militares.

Mas uma iniciativa no interior de Minas Gerais pretende desafiar essa geografia industrial. A australiana Viridis Mining & Minerals inaugurou em Poços de Caldas o Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras, uma planta piloto que pode colocar o Brasil em uma posição inédita na corrida global por minerais críticos. Mais do que um centro de pesquisa, a instalação representa um teste em escala semi-industrial de uma tecnologia que promete reduzir drasticamente os custos de produção de terras raras – um dos principais gargalos da indústria mundial.

O diferencial não está apenas no processo industrial. Está, sobretudo, na geologia brasileira.

O ativo que o resto do mundo não tem

A maior parte das reservas de terras raras exploradas atualmente está associada a rochas duras. Na China, nos Estados Unidos e na Austrália, a produção depende da extração, britagem e processamento químico intensivo desses depósitos minerais. Trata-se de uma atividade cara, energeticamente intensiva e frequentemente associada a passivos ambientais significativos.

No Brasil, entretanto, a natureza fez parte do trabalho. Milhões de anos de clima tropical quente e úmido provocaram um intenso processo de intemperismo sobre antigas formações vulcânicas, transformando parte dessas rochas em depósitos de argila iônica – um tipo de ocorrência geológica extremamente valorizado pela indústria por permitir uma extração muito mais simples.

Em vez de triturar rochas, basta lavar as argilas com soluções salinas relativamente simples, como sulfato de amônio, para liberar os elementos de terras raras. Essa característica muda completamente a equação econômica do negócio.

Segundo José Marques, diretor-executivo da Viridis no Brasil, o custo operacional estimado para produzir um quilo de óxido de terras raras é de apenas US$ 9,30, já incluindo despesas de manutenção e reposição de ativos. Em um setor onde a competitividade depende diretamente do custo de processamento, esse valor coloca o Projeto Colossus – principal ativo da empresa no país – entre os empreendimentos mais competitivos do planeta.

A investida da empresa no país abre ainda mais a janela de oportunidades para o Brasil que já é privilegiado geologicamente. A empresa é uma das três a rodar uma operação de processamento de minerais raros – as outras duas são a Meteoric Resources (que funciona também em modo piloto) e a Serra Verde, recém adquirida pela USA Rare Earth.

Para Marques, diretor-executivo da Viridis, o processamento da argila iônica no Brasil é um momento histórico. “O Brasil tem um potencial grande já reconhecido, mas em depósitos do tipo rocha dura que são pouco viáveis economicamente”, diz. Agora, com a tecnologia inaugurada pela Viridis, o Brasil entra na rota de abastecimento global. “A planta piloto, abre uma uma oportunidade real para o Brasil produzir em larga escala, atendendo cerca de 7% da demanda mundial por terras raras magnéticos”, exemplifica.

A maior planta do gênero fora da China

A nova unidade de Poços de Caldas terá capacidade para processar cerca de 100 quilos de minério por hora e produzir até 2.920 toneladas anuais de Carbonato Misto de Terras Raras (MREC), um concentrado que reúne os 17 elementos do grupo em um único produto, livre das principais impurezas.

Embora ainda opere como planta piloto, o projeto já é considerado a maior instalação desse tipo fora da China. O objetivo imediato não é apenas produzir, mas demonstrar a viabilidade técnica e econômica do processo para potenciais compradores globais.

A expectativa da companhia é fechar contratos de fornecimento – os chamados offtakes – ainda no segundo semestre deste ano. Segundo Rafael Moreno, CEO da Viridis Mining & Minerals, as negociações mais avançadas ocorrem com grupos da Europa e dos Estados Unidos, regiões que buscam reduzir sua dependência das cadeias chinesas de suprimento. “Estamos em discussões avançadas com os europeus e os americanos e em troca eles estão buscando nos apoiar com financiamento e também tecnologia aqui no Brasil”, disse.

Uma resposta ao problema estratégico do Ocidente

A importância das terras raras vai muito além da mineração. O neodímio, por exemplo, é um dos principais insumos para a fabricação de ímãs permanentes de alta potência, componentes indispensáveis para motores elétricos e geradores eólicos.

Sem eles, a transição energética simplesmente se torna mais cara e menos eficiente. O problema é que a oferta global continua extremamente concentrada.

Em algumas etapas da cadeia de processamento e fabricação de ímãs, a participação chinesa supera 80%. Essa concentração transformou as terras raras em um tema de segurança econômica e geopolítica para Estados Unidos, Europa, Japão e Austrália. Não por acaso, o projeto brasileiro já atraiu apoio de instituições internacionais de financiamento.

O dinheiro segue os minerais críticos

A planta piloto recebeu aproximadamente R$ 25 milhões em investimentos privados e contou com apoio de gestoras brasileiras especializadas em mineração e infraestrutura, como ORE Investments e Régia Capital.

Mas os recursos nacionais representam apenas parte da história.

O projeto também entrou no radar de agências internacionais de crédito à exportação, interessadas em fortalecer cadeias de suprimento alternativas à China. A Export Finance Australia (EFA), agência do governo australiano, emitiu uma carta de apoio que pode chegar a US$ 50 milhões. Ao mesmo tempo, a companhia mantém processos de avaliação com instituições como a canadense Export Development Canada (EDC) e a francesa Bpifrance.

No cenário nacional, o ecossistema de fomento também se conectou ao projeto através de iniciativas voltadas para a consolidação do Brasil como um polo de minerais de transição energética. A Viridis passou a figurar no radar de fundos de participação focados em minerais críticos, inclusive em estratégias alinhadas com investidores-âncora institucionais, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a mineradora Vale. Essa articulação demonstra o alinhamento do Projeto Colossus com as políticas públicas e privadas de fomento à neo-industrialização e transição verde no país.

Moreno afirma que os brasileiros já se interessam pela Viridis, que tem capital aberto na Austrália (ASX) sob o código VMM. “Nós já temos 25% da empresa de propriedade de brasileiros. Por indivíduos brasileiros, grupos institucionais individuais”, diz. O CEO completa que a presença dos brasileiros na empresa, representa confiança. “Eles não pensam em nós como uma empresa australiana, eles pensam em nós como a melhor empresa de terras raras no Brasil e no mundo.”

Da esquerda para direita: Rafael Moreno – CEO da Viridis Mining & Minerals e Franco Martins, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação

O momento do Brasil

O país possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Ainda assim, durante décadas, essa riqueza permaneceu praticamente fora das cadeias globais de valor. A dificuldade estava justamente na viabilidade econômica dos depósitos conhecidos.

Muitos deles são formados por rochas duras e exigem investimentos elevados para serem explorados. As argilas iônicas mudam esse cenário. Hoje, apenas três empresas avançam no processamento desse tipo de recurso no Brasil: a Viridis, a Meteoric Resources e a Serra Verde – esta última recentemente adquirida pela americana USA Rare Earth.

A diferença é que a Viridis aposta em um modelo de baixo custo que pode redefinir a competitividade do país. Segundo estimativas da companhia, o Projeto Colossus teria potencial para atender aproximadamente 7% da demanda mundial por terras raras magnéticas quando atingir escala comercial.

Em um mercado onde a busca por fornecedores alternativos se tornou prioridade estratégica para governos e indústrias, essa participação é suficientemente relevante para colocar o Brasil no mapa dos minerais críticos.

Durante anos, o país exportou minério e importou tecnologia. As terras raras oferecem uma oportunidade diferente: participar de uma cadeia industrial que está no centro da eletrificação global.

Financiamento do projeto 

A área de 5 mil metros quadrados da planta piloto recebeu aproximadamente R$ 25 milhões de investimentos privados e representa um marco estratégico para a cadeia de suprimentos de minerais críticos do Ocidente.

O pilar central desse financiamento privado foi consolidado em um acordo com as gestoras brasileiras ORE Investments e Régia Capital, referências no setor de mineração e infraestrutura.

Esse aporte foi desenhado para impulsionar os estudos de viabilidade e acelerar os processos de licenciamento e engenharia da planta de terras raras, garantindo à empresa o fôlego financeiro necessário para suas operações em solo nacional.

Além do capital privado, o empreendimento garantiu um robusto respaldo financeiro de agências internacionais de crédito à exportação (ECA), atraídas pelo potencial estratégico do projeto na cadeia de suprimentos ocidental de minerais críticos.

O principal destaque foi a emissão de uma carta de apoio de até US$ 50 milhões pela Export Finance Australia (EFA), agência governamental australiana. Em paralelo, o projeto avançou em processos de avaliação de crédito e due diligence com outras instituições de peso global, como a canadense Export Development Canada (EDC) e o banco público de investimento francês Bpifrance.

No cenário nacional, o ecossistema de fomento também se conectou ao projeto através de iniciativas voltadas para a consolidação do Brasil como um polo de minerais de transição energética. A Viridis passou a figurar no radar de fundos de participação focados em minerais críticos, inclusive em estratégias alinhadas com investidores-âncora institucionais, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a mineradora Vale. Essa articulação demonstra o alinhamento do Projeto Colossus com as políticas públicas e privadas de fomento à neo-industrialização e transição verde no país.

Em paralelo ao projeto, Moreno afirma que os brasileiros já se interessam pela Viridis, que tem capital aberto na Austrália (ASX) sob o código VMM. “Nós já temos 25% da empresa de propriedade de brasileiros. Por indivíduos brasileiros, grupos institucionais individuais””, diz. O CEO completa que a presença dos brasileiros na empresa, representa confiança.“Sabe, eles têm confiança. Eles não pensam em nós como uma empresa australiana, eles pensam em nós como a melhor empresa de terras raras no Brasil e no mundo.”

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