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Copom Reduz a Taxa Selic para 14,25%

Banco Central reduz a taxa básica em 0,25 ponto percentual, destaca aceleração da atividade econômica e vê expectativas de inflação ainda acima da meta

3 min

Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu nesta quarta-feira (17) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, mas manteve o tom cauteloso em relação aos próximos passos da política monetária diante da piora das expectativas de inflação e das incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio.

A decisão era esperada pelo mercado e dá continuidade ao ciclo de flexibilização iniciado neste ano. No comunicado, porém, o Banco Central reforçou que a inflação segue distante da meta e destacou uma aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre, com setores mais sensíveis aos juros voltando a ganhar força e o mercado de trabalho permanecendo resiliente. “O conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência”, diz o texto do comunicado.

O Copom também chamou atenção para a deterioração das expectativas inflacionárias. “A inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura.”

Segundo a pesquisa Focus, as projeções para o IPCA estão em 5,3% para 2026 e 4,1% para 2027, ambas acima da meta de 3%. A projeção do próprio Banco Central para a inflação no quarto trimestre de 2027 subiu para 3,7%. “Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual”, segundo o comitê.

Entre os riscos para a inflação, o colegiado destacou a possibilidade de uma desancoragem mais prolongada das expectativas, impactos dos preços do petróleo e da energia, pressões no setor de serviços, câmbio depreciado e estímulos à demanda que possam sustentar um crescimento acima do potencial da economia.

Ao mesmo tempo, o BC reiterou que o período prolongado de juros em patamar restritivo produziu evidências de desaceleração da atividade econômica, justificando a continuidade do processo de calibração da política monetária.

Sem indicar qual será o próximo movimento, o Comitê afirmou que a magnitude total do ciclo de cortes dependerá da evolução dos dados econômicos e da trajetória da inflação. “A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta.” O comunicado reforça que a autoridade monetária seguirá atuando com cautela em um ambiente de elevada incerteza.

Votaram por essa decisão todos membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, e Rodrigo Alves Teixeira.

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