1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Dólar Cai Quase 1% Após Fed e Dados dos EUA
Forbes Money

Dólar Cai Quase 1% Após Fed e Dados dos EUA

Mercado brasileiro acompanha o alívio no exterior após decisão do Fed; dólar fecha a R$ 5,06, enquanto o Ibovespa atinge novo recorde aos 177 mil pontos

8 min

Nesta quinta-feira, 30, o dólar fechou em baixa ante o real, acompanhando o recuo firme da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, ainda sob a influência da decisão do Federal Reserve (Fed) na véspera e em meio a uma bateria de indicadores econômicos.

O dólar à vista encerrou o dia com queda de 0,95%, aos R$ 5,06. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 7,78% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 1,07% na B3, aos R$ 5,06.

Na tarde de quarta-feira, o Fed manteve, como esperado, sua taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, e o chair da instituição, Kevin Warsh, ressaltou o compromisso com a meta de inflação de 2%. Ao mesmo tempo, Warsh citou dados de inflação “animadores” nos EUA e disse que o Fed continuará a acompanhar as informações de mercado.

Uma das interpretações entre os agentes foi a de que o Fed não parece ter pressa para elevar os juros, o que seria favorável para ativos de risco, como moedas de países emergentes.

Essa visão foi corroborada por alguns dados econômicos divulgados nesta quinta-feira: o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA subiu 1,5% no segundo trimestre, menos que os 2,1% projetados em pesquisa da Reuters, e o núcleo do índice de inflação PCE — bastante observado pelo Fed — avançou 0,1% em junho, menos que o 0,2% esperado.

O dólar operou em baixa ante divisas como o peso chileno, o rand sul-africano, o peso mexicano e o real. Além disso, o dólar registrou baixas firmes ante uma cesta de moedas fortes e em relação ao euro, à libra e ao iene — neste caso, em meio a especulações sobre possível intervenção do governo no mercado.

No exterior, o petróleo Brent cedeu para abaixo dos US$ 90 o barril, após a forte alta da véspera, com o Oriente Médio no foco das atenções. Na noite de quarta-feira, os EUA atacaram dezenas de alvos da Guarda Revolucionária Islâmica no Irã, incluindo centros de comando militar e instalações de drones, conforme comunicado norte-americano. A operação durou duas horas e foi lançada após Teerã ter disparado mísseis balísticos contra as forças norte-americanas no Oriente Médio.

Ibovespa fecha em alta firme com exterior positivo e balanços

O Ibovespa fechou em alta chegando aos 177 mil pontos nas máximas do dia, na esteira do bom humor nos mercados globais, enquanto os agentes monitoravam o calendário de resultados trimestrais de companhias estrangeiras e nacionais. O índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,88%, a 177.158,86 pontos, na máxima do dia, após marcar 173.884,55 na mínima.

Os ganhos da bolsa brasileira acompanharam o ambiente mais favorável ao risco nos EUA, onde as bolsas fecharam em alta firme, com as ações do setor de chips disparando e a Microsoft a caminho de seu maior ganho percentual diário em 18 anos, depois que a gigante de tecnologia divulgou uma previsão excelente que amenizou os temores sobre gastos maciços em infraestrutura de IA. O índice S&P 500 encerrou com alta de 1,74%.

Já os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em queda de 1,88%, a US$89,03 por barril, enquanto os operadores avaliavam as propostas para uma coalizão marítima liderada pela Arábia Saudita com o objetivo de fortalecer a cooperação em defesa na região do Mar Vermelho.

“O pregão de hoje é, em boa medida, um espelho invertido do de ontem”, destacou Eduardo Rahal, analista chefe da Levante Inside Corp, lembrando da forte aversão ao risco observada na quarta-feira por conta da intensificação dos conflitos no Oriente Médio e da leitura mais hawkish do comunicado do Federal Reserve.

“Hoje, com o Brent devolvendo parte desse prêmio geopolítico e recuando, o mercado local recompõe posições”, completou Rahal.

Assim como no mercado acionário dos EUA, os balanços tiveram destaque na bolsa brasileira desta quinta, com os investidores avaliando os resultados de companhias divulgados entre a noite de quarta-feira e a manhã desta quinta-feira, como Motiva, Ambev e Usiminas, enquanto aguardam Multiplan e Vale, que saem após o fechamento.

A agenda macroeconômica também foi observada, após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou pela manhã que a taxa de desemprego no trimestre encerrado em junho foi de 5,4%, em linha com o consenso de economistas consultados pela Reuters, sendo a mais baixa para o período na série histórica iniciada em 2012.

Destaques

• PETROBRAS PN avançou 2% e PETROBRAS ON ganhou 2,19%, na contramão das perdas do petróleo no exterior.

• ITAÚ UNIBANCO PN subiu 2,2%, BANCO DO BRASIL ON avançou 1,97%, enquanto SANTANDER BRASIL UNIT recuou 1,48%, em dia misto para o setor. BRADESCO PN perdeu 0,22%. O banco anunciou na quarta-feira que seu conselho de administração aprovou um aumento de capital de até R$10 bilhões, com compromisso de subscrição de até R$8 bilhões pelos controladores.

• VALE ON subiu 1,39%, enquanto os investidores aguardavam os resultados da companhia, que serão divulgados após o fechamento do mercado. O contrato de minério de ferro mais negociado para setembro caiu 3,31%, para US$105,80 por tonelada métrica, atingindo sua mínima desde 2 de julho de 2025.

• TOTVS ON subiu 5,74%, ficando entre as maiores altas do Ibovespa, refletindo o recuo dos juros futuros nesta quinta-feira, assim como outros papéis sensíveis às taxas, como COGNA ON, que ganhou 5,48%, e MAGAZINE LUIZA, que fechou em alta de 5,46%.

• MOTIVA ON subiu 5,16%, após registrar lucro líquido ajustado de R$663 milhões no segundo trimestre, alta de 67% sobre o desempenho do mesmo período do ano passado, segundo balanço divulgado na quarta-feira.

• AMBEV ON subiu 0,38%, revertendo a forte queda observada na maior parte do pregão. A empresa reportou lucro líquido de R$3,47 bilhões no segundo trimestre, um avanço de 24,5% sobre o desempenho do mesmo período de 2025, segundo balanço divulgado na madrugada desta quinta-feira.

• USIMINAS caiu 9,25%, liderando as perdas do Ibovespa. A companhia teve lucro líquido de R$428,2 milhões no segundo trimestre de 2026, em comparação com lucro de R$127,6 milhões registrado no mesmo período um ano antes, conforme publicação ao mercado.

Petróleo

Os preços do petróleo fecharam em queda após um pregão volátil, à medida que os operadores avaliavam as propostas para uma coalizão marítima liderada pela Arábia Saudita com o objetivo de fortalecer a cooperação em defesa na região do Mar Vermelho.

A Arábia Saudita busca liderar uma coalizão para fortalecer a cooperação em defesa no Estreito de Bab El-Mandeb, no Mar Vermelho e no Golfo de Áden. O Ministério da Defesa saudita informou que 14 países, incluindo Turquia, Paquistão, Egito, Sudão e Djibuti, emitiram uma declaração conjunta em apoio à proposta de coalizão multinacional de defesa marítima.

Os futuros do Brent fecharam em queda de US$ 1,71, ou 1,88%, a US$ 89,03 por barril. As negociações foram instáveis e o Brent atingiu uma máxima de US$ 93,31 durante o pregão, depois que Washington e Teerã trocaram novos ataques contra alvos militares um do outro.

Os futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos fecharam com queda de 87 centavos, ou 1,03%, a US$83,59, após atingirem uma máxima de US$ 85,94.

Militantes houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, declararam na semana passada um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, ameaçando a rota do Mar Vermelho para suas exportações de petróleo — uma alternativa ao Estreito de Ormuz, que está amplamente bloqueado.

“Há essa sensação de que há uma grande oferta esperando para chegar ao mercado assim que tudo isso for resolvido, e isso é um fator que pesa contra qualquer tipo de alta drástica nos preços”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital.

Irã e Omã continuaram as negociações sobre a gestão do Estreito de Ormuz, de acordo com a Agência Iraniana de Notícias do Trabalho. Na quarta-feira, uma alta autoridade iraniana afirmou que o Irã havia descartado a proposta de Omã para uma gestão conjunta regional da via navegável.

“O fato de Omã estar em negociações com o Irã pode sugerir que há avanços na reabertura do Estreito de Ormuz”, disse Hamad Hussain, economista sênior especializado em clima e commodities da Capital Economics.

O estreito, que normalmente movimenta cerca de um quinto dos fluxos globais de petróleo e gás natural liquefeito, continua sendo um ponto central para os mercados de petróleo desde que os EUA e Israel iniciaram a guerra contra o Irã em 28 de fevereiro.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.