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Petróleo cede 5% e dólar sobe às vésperas da decisão do Fed

Brent caiu 16% em três dias; Ibovespa reage com otimismo e encerra pregão em alta, enquanto o dólar sobe para R$ 5,12 em meio a expectativa sobre os juros americanos

6 min

O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, em um pregão marcado pelo alívio nas tensões no Oriente Médio e pela desaceleração mais forte que o esperado da inflação brasileira, enquanto os investidores também acompanharam as expectativas para a decisão de juros do Federal Reserve. O índice subiu 0,7%, a 176.564,75 pontos, após marcar 175.326,40 na mínima e 178.538,64 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$ 22,3 bilhões.

No cenário externo, os investidores repercutiram a trégua entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, que reduziu os temores sobre interrupções na oferta global de petróleo. Com isso, o Brent cedeu com força, recuando cerca de 5%, para pouco acima de US$ 83 o barril, acumulando perdas de aproximadamente 16% em apenas três pregões.

O otimismo doméstico também foi sustentado pela divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15). Pouco antes da abertura do pregão, o IBGE informou que o indicador subiu 0,06% em julho, ante alta de 0,41% em junho, em uma desaceleração bem mais ampla do que o mercado projetava, puxada pela queda dos preços de alimentos.

“Para o mercado financeiro, o dado reforça a percepção de que o Banco Central ganhou mais espaço para seguir reduzindo a Selic de forma gradual… Esse resultado fortalece a expectativa de mais um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto do Copom”, disse Pablo Spyer, conselheiro da Ancord.

O otimismo doméstico conviveu com um pregão mais volátil nos Estados Unidos. As bolsas de Nova York chegaram a operar em queda mais cedo, com o Nasdaq recuando cerca de 1% na abertura, mas os mercados norte-americanos acabaram fechando em alta, com o S&P 500 subindo 0,23% e o Dow Jones avançando mais de 1%.

Os investidores também acompanharam as notícias sobre o Federal Reserve, que anuncia sua decisão de juros na quarta-feira. Contratos futuros chegaram a precificar uma chance de cerca de 40% de uma alta surpresa de juros, uma probabilidade bem acima do usual, embora mercados de previsão apontassem uma chance mais moderada, de cerca de 20%.

Apesar da queda do petróleo, as ações da Petrobras fecharam em leve alta, com os investidores no aguardo dos dados de produção e vendas da estatal, que serão divulgados após o fechamento do pregão.

No câmbio, o dólar fechou em leve alta ante o real, com os agentes assumindo uma posição de cautela às vésperas da decisão de juros do Federal Reserve, que será anunciada na quarta-feira. A moeda norte-americana encerrou o dia com variação positiva de 0,17%, cotada a R$ 5,12.

Destaques

• PETROBRAS PN subiu 0,49% e PETROBRAS ON se valorizou 0,8%, apesar da queda do petróleo Brent. A companhia divulgará dados de produção e vendas após fechamento do pregão.

• VALE ON fechou estável, pressionada por perdas do minério de ferro no exterior.

• ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,4%, em sessão positiva para os bancos. BRADESCO PN se valorizou 0,3%, SANTANDER BRASIL UNIT teve alta de 1,13% e BANCO DO BRASIL ON avançou 1,6%.

• TIM ON caiu 5,8%, apesar de ter publicado na véspera lucro líquido ajustado de R$1,04 bilhão no segundo trimestre, 6,2% acima do desempenho obtido um ano antes e dentro do esperado pelo mercado, segundo dados da LSEG.

• TELEFÔNICA BRASIL ON caiu quase 6%, embora tenha divulgado na noite da segunda-feira resultado de segundo trimestre também dentro do esperado pelo mercado, com o lucro líquido 17% maior que o desempenho de um ano antes.

• SIMPAR, que não faz parte do índice, subiu 3,1% após apurar receita líquida de R$11,25 bilhões para o segundo trimestre na segunda-feira, um crescimento de 8,8% sobre o mesmo período do ano passado.

Dólar sobe à espera da decisão do Fed

O dólar fechou em leve alta ante o real, com os agentes assumindo uma posição de cautela às vésperas da decisão de juros do Federal Reserve, que será anunciada quarta-feira, em meio a mais uma sessão de recuo do petróleo no exterior.

O dólar à vista encerrou o dia com variação positiva de 0,17%, aos R$ 5,12. Às 17h10, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,10% na B3, aos R$ 5,12.

Petróleo cai 16% em três dias

Os preços do petróleo caíram cerca de 5% nesta terça-feira, atingindo a menor cotação em duas semanas, impulsionados por esperanças cautelosas de que a trégua nos combates entre os Estados Unidos e o Irã leve a negociações para pôr fim à guerra, embora tréguas anteriores tenham se mostrado apenas temporárias.

Os contratos futuros do Brent caíram US$ 4,27, ou 4,8%, fechando a US$ 84,09 o barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos caiu US$ 3,35, ou 4,1%, fechando a US$ 79,26.

Após cair cerca de 16% em três dias, o Brent fechou em seu nível mais baixo desde 13 de julho e o WTI, em seu nível mais baixo desde 16 de julho.

Embora os dois lados tenham parado de atacar um ao outro, estão longe de resolver suas divergências que levaram ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, que, antes da guerra, era usado para o trânsito de cerca de um quinto do abastecimento global de petróleo.

O Irã negou estar buscando retomar as negociações com os EUA, contrariando as declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que informou que há “boas negociações” em andamento. Trump fez tais declarações em várias ocasiões — acompanhadas de ameaças de retomar os ataques —, mas os iranianos se mantiveram firmes.

Omã apresentou ao Irã um plano apoiado pelos países do Golfo Pérsico para administrar o Estreito de Ormuz, incluindo a cobrança de taxas voluntárias pelo seu uso, segundo informaram à Reuters uma fonte do Golfo e um diplomata ocidental. O objetivo era servir de base para pôr fim à interrupção do comércio pelo estreito causada pela guerra.

O Irã, no entanto, rejeitou o plano de Omã e propôs ao país um acordo temporário para reabrir o Estreito de Ormuz, segundo o qual um sentido do tráfego passaria por águas iranianas e parte da rota oposta também estaria em águas iranianas, informou o vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, à televisão estatal nesta terça-feira.

“O mercado entende que a situação está caótica e os preços estão em baixa porque as duas partes beligerantes (os EUA e o Irã) não se atacaram mutuamente nos últimos dias”, afirmou Bob Yawger, diretor de futuros de energia do Mizuho, em um relatório. Ele destacou a contínua falta de tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz e os tiroteios no Mar Vermelho pela milícia houthi, apoiada pelo Irã, no Iêmen.

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