A Cyrela (CYRE3) deu mais um passo na estratégia de monetização de ativos imobiliários ao assinar um memorando de entendimentos com o fundo imobiliário TRXF11 e sua gestora, a TRX, para a venda de um portfólio avaliado em R$ 2,14 bilhões. O valor poderá chegar a R$ 2,24 bilhões caso sejam incorporadas participações atualmente detidas por terceiros.
O pacote reúne as lajes corporativas do Edifício Cyrela Oscar Freire Corporate, em São Paulo, além de participações, em sua maioria minoritárias, e outros direitos relacionados a estruturas de investimento que controlam quatro galpões logísticos. A operação também prevê a criação de dois novos fundos imobiliários, que serão administrados pela Cy.Capital e terão o TRXF11 como investidor-âncora para adquirir esses ativos.
A estrutura do negócio combina liquidez imediata e exposição ao mercado de fundos imobiliários. Cerca de metade do pagamento será realizada em dinheiro, enquanto o restante ocorrerá por meio da entrega de cotas do TRXF11 à Cyrela.
A transação reforça um movimento cada vez mais comum entre incorporadoras e gestores de ativos: transformar imóveis maduros em capital para financiar novos investimentos, ao mesmo tempo em que parte da exposição ao portfólio é preservada por meio da participação em veículos listados.
Para a TRX, a aquisição amplia a estratégia de crescimento do TRXF11, um dos principais fundos imobiliários focados em ativos de renda, incorporando imóveis corporativos e logísticos em uma única operação estruturada.
O acordo, no entanto, ainda não representa um compromisso definitivo entre as partes. O memorando é não vinculante e estabelece exclusividade nas negociações por 105 dias, período durante o qual serão conduzidas auditorias, negociações dos contratos finais e a obtenção das aprovações regulatórias e dos consentimentos necessários. Apenas após a assinatura da documentação definitiva a operação passará a ter caráter vinculante.
Se concluída, a operação figurará entre as maiores negociações envolvendo ativos imobiliários e fundos listados no mercado brasileiro nos últimos anos, reforçando a tendência de uso dos FIIs como instrumentos para reciclagem de portfólios e otimização de capital por grandes incorporadoras.