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Eles Têm Milhões em Imóveis, Mas Precisam de Dinheiro: o Mercado Que Transforma Casas de Alto Padrão em Liquidez

Com o HomeCash, donos de imóveis transformam patrimônio em dinheiro sem sair de casa e podem recomprá-la depois

18 min

Uma casa de R$ 2 milhões pode não resolver uma dívida de R$ 1 milhão. Essa é uma das peculiaridades menos intuitivas da riqueza. Seu dono pode ser milionário no papel, morar em um endereço valorizado e ter acumulado patrimônio durante décadas. Mas, se uma dívida vence antes de aparecer um comprador para o imóvel, ou se uma empresa precisa de capital de giro imediatamente, descobre que há uma diferença considerável entre possuir R$ 2 milhões e poder gastar R$ 2 milhões.

A riqueza está nas paredes. Transformá-la em dinheiro exige tempo. E é justamente o tempo que tende a desaparecer quando o patrimônio entra em crise. Vender é uma saída, mas encontrar um comprador disposto a pagar o preço desejado pode levar meses. Tomar crédito é outra, mas pressupõe capacidade de assumir e pagar uma nova dívida, algo que pode ser particularmente difícil para quem já está sob pressão financeira.

Entre essas duas alternativas, começa a ganhar espaço no Brasil uma terceira via: vender a casa, receber dinheiro imediatamente, continuar morando nela como inquilino e preservar a possibilidade de comprá-la de volta mais tarde. É essa a lógica do HomeCash, uma modalidade ainda sem estatísticas próprias e sem um mercado consolidado no país, mas que tenta transformar um problema antigo da economia doméstica em uma nova tese imobiliária.

A estrutura é relativamente simples de descrever. O proprietário vende o imóvel, recebe uma parcela de seu valor em dinheiro, passa a pagar aluguel para continuar morando ali e, dentro das condições previstas no contrato, pode recomprar a propriedade. Se decidir não fazê-lo, ou não tiver condições de fazê-lo, o imóvel pode seguir para uma venda definitiva.

HomeCash
Forbes

O que o HomeCash faz, portanto, não é resolver o conflito entre patrimônio e liquidez. Faz algo mais modesto e, talvez por isso, mais interessante: compra tempo para quem tem patrimônio, mas não tem dinheiro disponível.

A Rooftop, uma das empresas que tenta desenvolver esse mercado no Brasil, chama seu público de proprietários de “imóveis sob pressão”. São donos de casas e apartamentos de alto padrão que possuem um patrimônio relevante, mas enfrentam dívidas, restrições de liquidez ou necessidades urgentes de caixa. “A gente viu muita gente que é patrimonialmente rica e financeiramente pressionada, com um imóvel de alto padrão, mas com dívidas atreladas tanto a esse ativo quanto ao próprio nome”, diz Daniel Gava, CEO da Rooftop. A expressão descreve um paradoxo econômico bastante comum: um ativo pode ter muito valor e, ainda assim, ser de pouca utilidade para quem precisa de dinheiro hoje.

DivulgaçãoDaniel Gava, fundador e CEO da Rooftop

Uma velha estratégia empresarial chega aos imóveis residenciais

Apesar do nome em inglês, a lógica econômica por trás do HomeCash é antiga. Empresas fazem operações semelhantes há décadas. Uma companhia que precisa levantar recursos pode vender sua sede, fábrica ou galpão e, em seguida, continuar utilizando o imóvel mediante um contrato de locação. É a estrutura conhecida como sale and leaseback: vende-se o ativo, transforma-se patrimônio em caixa e, depois, aluga-se de volta aquilo que antes pertencia à própria empresa.

É uma troca entre propriedade e liquidez. Segundo Marco Antonio Sabino, professor da FIA Business School, o HomeCash se aproxima dessa estrutura, embora seja aplicado a um universo diferente. Em vez de empresas vendendo ativos operacionais, são pessoas físicas monetizando sua residência. “É uma venda do imóvel”, explica Sabino. “O proprietário recebe o dinheiro, transfere a propriedade e depois aluga o mesmo imóvel. Existe, então, uma opção de recompra.”

A ênfase na palavra “venda” é importante. Embora o produto possa ser percebido como uma alternativa ao crédito, juridicamente e economicamente a estrutura parte da transferência da propriedade. O cliente não dá a casa em garantia e recebe um empréstimo. Ele vende o imóvel.

Há, no direito brasileiro, uma figura que guarda alguma semelhança com a ideia: a retrovenda, prevista no Código Civil. Ela permite que o vendedor reserve o direito de recuperar o imóvel sob determinadas condições. O HomeCash não é simplesmente uma retrovenda, mas a comparação ajuda a mostrar que vender um imóvel sem abandonar completamente a possibilidade de retorno não é uma invenção recente.

A inovação está em transformar diferentes elementos conhecidos, venda, locação e possibilidade de recompra, em um produto voltado a um nicho específico: proprietários com imóveis valiosos e pouca liquidez.

Mas o mercado ainda está em formação. Não há, hoje, uma estatística consolidada capaz de dizer quanto o HomeCash movimenta no Brasil. A modalidade não aparece como uma categoria própria nos dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança, a Abecip, porque não é uma operação de crédito com garantia imobiliária.

Essa ausência de estatísticas diz tanto sobre o estágio do mercado quanto sobre sua natureza. O HomeCash ainda não é uma indústria com números próprios. É, por enquanto, uma estrutura financeira e imobiliária em busca de escala.

A liquidez começa com a venda do imóvel

Para entender o negócio, é preciso abandonar uma expressão que pode confundir o leitor: o proprietário não “usa” simplesmente sua casa para conseguir dinheiro. Ele vende.

Imagine um imóvel avaliado em R$ 2 milhões. No exemplo apresentado pela Rooftop, o proprietário recebe R$ 1 milhão imediatamente. Em troca, transfere a propriedade da casa. O dinheiro pode ser usado para quitar dívidas, resolver uma emergência financeira, reforçar o caixa de uma empresa ou substituir obrigações que se tornaram difíceis de carregar.

A casa, porém, deixa de ser sua. O antigo proprietário continua no mesmo endereço, mas agora como inquilino. É essa separação entre quem possui o imóvel e quem continua usufruindo dele que sustenta toda a operação.

Os números enviados pela Rooftop à Forbes ajudam a dimensionar como o modelo vem sendo utilizado. A empresa afirma ter alocado aproximadamente R$ 350 milhões em operações de HomeCash e manter uma carteira atual de 75 imóveis ativos, com valor médio de R$ 1,92 milhão. O valor médio liberado aos proprietários é de R$ 1,15 milhão, equivalente a cerca de 60% do valor dos imóveis.

Em outras palavras, a empresa não costuma transformar todo o valor da casa em dinheiro imediato. O proprietário abre mão da propriedade de um ativo de quase R$ 2 milhões para receber, em média, pouco mais de R$ 1 milhão de liquidez.

A diferença entre essas duas cifras não deve ser lida, automaticamente, como uma perda definitiva de 40%. As condições de cada contrato incluem a possibilidade de recompra e, quando o imóvel é posteriormente vendido a um terceiro, o cliente pode ter direito ao valor que exceder o preço de recompra estabelecido na operação. Mas os números deixam clara a natureza da troca: a liquidez imediata tem um preço.

A Rooftop foi fundada em 2020 por Daniel Gava começou sua trajetória adquirindo e regularizando imóveis provenientes de bancos e leilões. O HomeCash foi lançado no ano seguinte. A origem ajuda a explicar a tese. Em seu negócio inicial, a empresa encontrava o proprietário depois que a pressão financeira já havia avançado. O imóvel chegava ao mercado após inadimplência, execução ou leilão.

Com o HomeCash, a tentativa é entrar antes desse desfecho. Em vez de esperar que a crise financeira produza uma venda forçada, a Rooftop compra o imóvel quando o proprietário ainda está tentando encontrar uma saída. É uma mudança de posição na cadeia econômica da crise. Antes, a empresa comprava o ativo depois que o problema havia explodido. Agora tenta comprar tempo antes que isso aconteça.

A recompra existe. Mas, na prática, a venda é o desfecho mais comum

É aqui que os dados da Rooftop revelam algo particularmente importante sobre o negócio. A narrativa mais intuitiva do HomeCash é a de alguém que vende temporariamente a casa, resolve seus problemas financeiros e depois recupera o imóvel. Mas esse não parece ser o caminho mais frequente.

Segundo os dados históricos enviados pela Rooftop à Forbes, cerca de 30% dos clientes recompram o imóvel, enquanto aproximadamente 70% encerram a operação por meio da venda da propriedade a terceiros.

O número sugere que a opção de recompra tem um papel diferente daquele que, à primeira vista, parece ocupar. Ela não transforma a venda em algo reversível no sentido usual da palavra. Funciona mais como uma alternativa disponível enquanto o cliente reorganiza suas finanças. Para a maioria, pelo menos até agora, essa reorganização não termina com a recuperação da casa. Termina com a venda.

Gava explica que o cliente pode, depois de receber a liquidez, concluir que não deseja voltar a ser proprietário. “Ele pode ter duas opções. A primeira é recomprar o imóvel por um valor já conhecido. A outra possibilidade é receber liquidez, se reorganizar financeiramente e decidir que não pretende mais recomprar esse imóvel. Então, a gente vai, em conjunto com esse cliente, para o mercado vender esse imóvel em definitivo”, diz.

Isso talvez seja a maneira mais útil de compreender o produto. Para muitos clientes, o HomeCash não é apenas uma ponte para recuperar a casa. É uma ponte para evitar vender a casa depressa.

O proprietário precisa de dinheiro agora, mas não quer colocar o imóvel no mercado sob pressão. A estrutura lhe permite receber recursos antes, continuar morando no imóvel e organizar uma venda posterior. O produto transforma uma venda potencialmente desesperada em uma venda com mais tempo.

O preço de transformar patrimônio em tempo

Esta é a parte que exige mais cuidado. A Rooftop informa que o custo médio total de suas operações é equivalente a 2,9% ao mês, calculado de forma linear sobre o valor liberado ao cliente. Mas esse percentual não deve ser interpretado simplesmente como uma taxa de juros mensal.

Para facilitar a compreensão, a Rooftop apresenta o seguinte exemplo: em uma casa avaliada em R$ 2 milhões, o cliente recebe R$ 1 milhão. Aplicando a referência de 2,9% ao mês de forma linear sobre o valor liberado, o custo acumulado seria de R$ 348 mil em 12 meses. O preço de recompra, no exemplo, chegaria a R$ 1,348 milhão.

Depois de 18 meses, o custo acumulado seria de R$ 522 mil e o valor de recompra chegaria a R$ 1,522 milhão. Os valores definitivos, ressalta a empresa, dependem das condições de cada contrato. Além disso, há o aluguel.

Segundo informações da Rooftop, o proprietário que continua no imóvel paga, em média, um aluguel equivalente a cerca de 0,7% mensais do valor que recebeu na operação. É por isso que olhar apenas para os R$ 348 mil ou os R$ 522 mil pode produzir uma imagem incompleta. O custo econômico da decisão precisa considerar o conjunto: quanto foi recebido inicialmente, quanto será necessário para recomprar a casa, os aluguéis pagos enquanto o cliente permanece no imóvel e as demais condições previstas no contrato.

Sabino resume o problema de maneira direta: para saber o custo real, é preciso considerar o preço de permanecer na casa e o preço de tentar recuperá-la. “Você tem que imputar também no período do contrato de aluguel esse valor para saber qual é o custo financeiro mês a mês”, afirma.

A conta fica mais clara quando comparada a uma alternativa tradicional. Quem precisa de R$ 1 milhão pode tomar um empréstimo e pagar juros durante anos. No HomeCash, recebe os recursos mediante a venda do imóvel, troca a prestação de uma dívida pelo pagamento de aluguel e, se quiser voltar a ser proprietário, precisa reunir dinheiro suficiente para exercer a opção de recompra.

A operação pode, inclusive, terminar com uma nova fonte de crédito. Segundo a Rooftop, a recompra pode ser feita com recursos próprios, mas o cliente também pode recorrer a financiamento imobiliário ou consórcio para alongar a obrigação financeira ao final do processo.

Isso revela algo importante sobre o HomeCash: para parte dos clientes, ele não elimina a necessidade futura de financiamento. Ele pode simplesmente deslocá-la no tempo. Primeiro, vende-se a casa para resolver uma urgência. Depois, se a situação financeira melhorar, busca-se uma forma de financiar a volta.

Quem coloca o dinheiro na operação?

Do outro lado da operação está quem tem o dinheiro que o proprietário precisa receber rapidamente. Na prática, são os investidores dos fundos imobiliários usados pela Rooftop para financiar a compra das casas. O fundo coloca o dinheiro na operação, compra o imóvel e passa a ser o proprietário do ativo.

Imagine novamente a casa de R$ 2 milhões. O proprietário precisa de liquidez e recebe R$ 1 milhão pela operação. Esse R$ 1 milhão saiu, em última instância, do capital dos investidores. A partir daí, o fundo passa a ter três formas principais de ganhar dinheiro.

A primeira é o aluguel. Embora tenha deixado de ser dono da casa, o antigo proprietário continua morando nela e paga mensalmente para permanecer no imóvel.

A segunda é a recompra. Se, depois de reorganizar a vida financeira, o cliente decidir recuperar a casa, terá de pagar o valor previsto em contrato. É nesse momento que o fundo recebe de volta o capital empregado na compra, acrescido da remuneração prevista pela operação.

A terceira saída é a venda do imóvel. Se o antigo proprietário decidir não recomprar a casa, o ativo pode ser colocado à venda para outra pessoa. O resultado dessa venda também compõe o retorno do investimento.

A lógica, portanto, é relativamente simples: o investidor coloca dinheiro hoje para comprar uma casa de alguém que precisa de liquidez e espera receber esse dinheiro de volta, com retorno, ao longo da operação. Esse retorno pode vir dos aluguéis pagos pelo morador e do encerramento do negócio, seja pela recompra, seja pela venda definitiva do imóvel.

Segundo a Rooftop, os fundos que investem nessa estratégia têm expectativa de retorno médio de aproximadamente CDI mais 10% ao ano.

Mas o negócio não é livre de risco. A principal aposta do investidor é que haverá uma saída para cada imóvel. Marco Antonio Sabino, professor da FIA Business School, chama atenção para esse ponto. A recompra é uma possibilidade para o antigo proprietário, não uma garantia. Se ele não quiser ou não conseguir exercer essa opção, o fundo fica com a casa e precisará encontrar outro comprador.

“O risco para os fundos que atuam aí é ficar com muito imóvel”, afirma Sabino. Se muitos clientes não recompram, explica, os investidores podem acabar acumulando ativos que precisarão ser vendidos no mercado.

Enquanto houver compradores e liquidez, esse risco é mais administrável. O problema aparece se o mercado mudar justamente quando o fundo precisar vender.

No fim, o investidor está fazendo uma aposta que vai além da valorização do metro quadrado. Está apostando que conseguirá transformar novamente aquele imóvel em dinheiro, seja porque o antigo dono terá condições de recomprá-lo, seja porque haverá um novo comprador disposto a pagar por ele.

O proprietário vende uma casa para resolver um problema de caixa. O investidor compra essa casa apostando que, mais cedo ou mais tarde, conseguirá transformar o imóvel em um fluxo de retorno. É nessa diferença de tempo, entre a urgência de um lado e a capacidade de esperar do outro, que está o negócio.

Duas formas de transformar um imóvel em dinheiro

A comparação inevitável é com o home equity, o crédito com garantia de imóvel. Os dois produtos começam com o mesmo diagnóstico. Há uma pessoa sentada sobre um patrimônio valioso e precisando de dinheiro. Mas oferecem respostas opostas.

No home equity, o proprietário continua dono da casa. Toma um empréstimo e usa o imóvel como garantia. Em troca, assume uma dívida e precisa pagar parcelas com juros. No HomeCash, a propriedade muda de mãos. O cliente recebe dinheiro, continua usando a casa mediante o pagamento de aluguel e mantém uma possibilidade de recompra.

A diferença não é meramente jurídica. No home equity, o proprietário aposta que conseguirá carregar a dívida. No HomeCash, aceita deixar de ser proprietário para resolver um problema imediato de caixa e aposta que, no futuro, terá condições de recuperar o imóvel, caso essa seja sua escolha. A primeira alternativa preserva a casa e cria uma dívida. A segunda entrega a casa e compra tempo.

O home equity, naturalmente, é muito maior e mais conhecido. A carteira de crédito com garantia de imóvel chegou a R$ 34,1 bilhões em junho de 2026, segundo dados da Abecip, com crescimento de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior. As novas concessões somaram R$ 6,67 bilhões no primeiro semestre, alta de 30,9%, enquanto o valor médio dos empréstimos foi de R$ 267 mil. Não há um equivalente para o HomeCash.

A Abecip acompanha operações de crédito imobiliário e de crédito com garantia de imóvel. Como o HomeCash é estruturado a partir de uma compra e venda, seguida por locação e possibilidade de recompra, ele não integra essa estatística como uma modalidade própria.

O contraste mostra o estágio dos dois mercados. De um lado, há um produto de crédito de R$ 34,1 bilhões, com bancos, regras, dados e décadas de desenvolvimento. Do outro, há uma estrutura ainda pequena, sem categoria estatística consolidada e fortemente associada às poucas empresas que tentam transformá-la em mercado.

Os R$ 350 milhões que a Rooftop diz ter alocado até agora são uma fração do estoque do home equity. Mas a empresa está buscando justamente um cliente para quem o crédito tradicional pode deixar de funcionar.

Entre os perfis atendidos, segundo a companhia, estão proprietários com dívidas ligadas ao imóvel, famílias com compromissos financeiros acumulados, empresários que precisam de capital de giro e clientes que já possuem home equity, mas começaram a ter dificuldade para pagar as parcelas.

Essa última categoria é talvez a mais reveladora. O HomeCash pode não concorrer apenas com o home equity. Em alguns casos, pode ser utilizado para substituir um home equity que deixou de ser sustentável.

A riqueza pode estar nas paredes. A urgência, na conta bancária

A ambição da Rooftop é transformar o HomeCash em uma categoria reconhecível, ao lado do financiamento imobiliário, do consórcio e do home equity. Ainda é cedo para saber se isso acontecerá.

Por enquanto, o mercado não tem estatísticas consolidadas, o modelo continua pequeno quando comparado ao crédito com garantia imobiliária e os dados disponíveis vêm, em grande medida, das próprias empresas que operam essa estrutura.

Mas os números da Rooftop já sugerem uma interpretação mais interessante do que a ideia de simplesmente “vender e recomprar a casa”. Sete em cada dez operações da empresa terminam com a venda do imóvel a terceiros. Apenas três em cada dez chegam à recompra.

Isso indica que, para a maioria dos clientes, o verdadeiro produto talvez não seja a possibilidade de recuperar a casa. É o tempo. Tempo para quitar dívidas antes que elas se transformem em execução. Tempo para reorganizar o caixa de uma empresa. Tempo para permanecer no imóvel enquanto procura uma solução. Tempo para vender sem precisar aceitar a primeira oferta disponível.

É uma solução que pode fazer sentido para um nicho muito específico e ser financeiramente inadequada para outro. Quem consegue tomar crédito barato e suportar as parcelas provavelmente terá alternativas menos radicais. Quem pode vender seu imóvel com calma talvez não precise pagar pelo mecanismo.

Mas existe uma categoria de proprietários que não tem nenhuma dessas duas vantagens: possui patrimônio, mas não tem liquidez; precisa de dinheiro, mas não consegue esperar. É nesse espaço que o HomeCash tenta construir seu mercado.

Primeiro, o proprietário resolve o problema de dinheiro. Depois, decide o destino da casa. Essa é a aposta econômica por trás do HomeCash. O dono do imóvel entrega uma parte do futuro de seu patrimônio para resolver uma urgência no presente. Do outro lado, investidores colocam capital nessa espera, recebendo aluguéis e contando com uma saída futura.

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