O Banco do Brasil (BBAS3) teve lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado e avanço de 13,9% na comparação com os três primeiros meses do ano. O resultado ficou acima dos R$ 3,6 bilhões projetados por analistas consultados pela Reuters. O banco também divulgou fato relevante informando que aprovou R$ 584,9 ,ilhões em JCP Complementar
A melhora do lucro, porém, veio acompanhada de uma nova alta da inadimplência. O percentual de operações com atraso superior a 90 dias chegou a 5,61%, ante 5,05% no primeiro trimestre e 3,96% um ano antes. O custo do crédito, por outro lado, recuou na comparação trimestral.
O BB manteve suas projeções para 2026. O banco também aprovou a distribuição de R$ 584,9 milhões em juros sobre capital próprio (JCP) complementares referentes ao segundo trimestre.
Inadimplência sobe entre pessoas físicas
A carteira de crédito expandida do Banco do Brasil terminou junho em R$ 1,31 trilhão, crescimento de 1,5% em 12 meses e de 0,6% no trimestre.
Na pessoa física, a carteira alcançou R$ 357,6 bilhões, avanço de 4,4% em um ano, apesar da retração de 1,2% frente ao primeiro trimestre.
É justamente nesse segmento que aparece uma das maiores pressões do balanço. A inadimplência acima de 90 dias entre pessoas físicas chegou a 8,41%, contra 6,82% três meses antes e 5,59% no segundo trimestre de 2025. O cartão de crédito teve forte deterioração.
A formação de novos créditos inadimplentes, indicador conhecido no mercado como NPL creation, também avançou. Entre pessoas físicas, atingiu R$ 11,84 bilhões, mais que o dobro dos R$ 5,66 bilhões registrados no primeiro trimestre.
Nas empresas, a inadimplência ficou em 3,18%. Entre micro, pequenas e médias empresas, porém, o índice chegou a 9,73%.
Agro ainda pesa, mas há sinal de desaceleração
O agronegócio, uma das principais fontes de pressão sobre os resultados recentes do BB, encerrou junho com inadimplência de 6,27%, praticamente estável frente aos 6,22% do trimestre anterior, mas bem acima dos 3,16% registrados um ano antes.
Um indicador trouxe sinal de melhora. A formação de novos créditos inadimplentes no agro caiu de R$ 7,18 bilhões no primeiro trimestre para R$ 5,72 bilhões entre abril e junho. Ainda assim, permanece acima dos R$ 3,58 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025.
O BB vem endurecendo os critérios para novas concessões ao setor rural e ampliando as renegociações de dívidas. No início de julho, anunciou R$ 210 bilhões para financiar a safra 2026/27.
A presidente do banco, Tarciana Medeiros, afirmou nesta quinta-feira que até R$ 100 bilhões da carteira do agronegócio poderão se enquadrar nas novas linhas de renegociação previstas pelo governo.
Custo do crédito recua no trimestre
No consolidado, o custo do crédito chegou a quase R$ 18,5 bilhões, alta de 16,1% em relação ao segundo trimestre de 2025. Na comparação com os primeiros três meses deste ano, no entanto, houve queda de 2,1%.
A margem financeira bruta alcançou R$ 27,5 bilhões. O desempenho contou com contribuição da tesouraria e das operações com pessoas físicas.
As receitas com prestação de serviços ficaram em R$ 9,1 bilhões, enquanto as despesas administrativas somaram R$ 10,1 bilhões.
Rentabilidade continua em um dígito
O retorno sobre o patrimônio líquido, ou ROE, ficou em 8,3% no segundo trimestre. O indicador havia sido de 7,3% entre janeiro e março e de 8,4% no mesmo período do ano passado.
O índice de eficiência ficou em 28%, estável na comparação trimestral e ligeiramente acima dos 27% de um ano antes. Quanto menor esse indicador, mais eficiente tende a ser a operação do banco.
Já o índice de Basileia encerrou junho em 13,91%, abaixo dos 14,23% registrados no primeiro trimestre. O índice de capital principal ficou em 11,27%.