A CSN (CSNA3) anunciou na sexta-feira (9) a assinatura de um acordo vinculante para vender sua usina de aços longos na Alemanha por 550 milhões de euros, aproximadamente R$ 3 bilhões. A operação faz parte da estratégia da siderúrgica brasileira para reduzir seu endividamento, que chegou a R$ 42,1 bilhões em junho.
Segundo fato relevante divulgado pela Companhia Siderúrgica Nacional, o acordo foi firmado com a espanhola Bipadosa, controladora do grupo siderúrgico Megasa. A negociação envolve a Stahlwerk Thüringen (SWT), adquirida pela CSN em 2012.
O documento estabelece um período de exclusividade de até dez semanas para a negociação dos contratos definitivos. O valor de 550 milhões de euros corresponde à avaliação da empresa, sujeita a ajustes, e não necessariamente ao montante que será recebido pela CSN. A conclusão da venda ainda depende do cumprimento das condições previstas na operação.
“A potencial alienação das ações da SWT representa mais um passo importante no programa de desinvestimentos da CSN com o propósito de reduzir o seu atual nível de endividamento”, afirmou a companhia no fato relevante.
CSN busca reduzir dívida de R$ 42,1 bilhões
A venda da unidade alemã faz parte de um movimento mais amplo de desinvestimentos da CSN, que busca diminuir sua alavancagem financeira.
A companhia encerrou junho com dívida líquida de R$ 42,1 bilhões e alavancagem de 3,49 vezes, indicador que relaciona a dívida líquida à geração de caixa operacional medida pelo Ebitda.
Nos últimos trimestres, executivos da siderúrgica afirmaram que a CSN estava aberta a avaliar alternativas e parcerias para suas operações siderúrgicas, embora a SWT ainda não tivesse sido mencionada publicamente como um ativo à venda.
Usina alemã foi comprada pela CSN em 2012
A CSN adquiriu a SWT em 2012 por um valor anunciado de 482,5 milhões de euros, considerando a premissa de endividamento zero.
Localizada na Alemanha, a unidade possui capacidade instalada para produzir 1,1 milhão de toneladas de aços longos por ano.
Nos resultados do segundo trimestre de 2026, a companhia informou que a SWT havia registrado seu maior volume de vendas desde o primeiro trimestre de 2022, com 205 mil toneladas comercializadas.
Além da operação alemã, a CSN mantém presença industrial em Portugal por meio da Lusosider, produtora de aços planos.
A companhia também já teve usinas nos Estados Unidos, mas vendeu esses ativos à norte-americana Steel Dynamics em 2018.
Venda da CSN Cimentos também está no radar
A negociação da usina alemã ocorre enquanto a CSN avalia a venda de outros ativos para melhorar sua estrutura de capital.
Em agosto, a siderúrgica anunciou que havia recebido propostas vinculantes por sua operação de cimento no Brasil.
Na ocasião, fontes ouvidas pela Reuters apontaram como principais interessadas a chinesa Huaxin e um consórcio formado pela Votorantim e pela italiana Cementir.
Segundo essas fontes, as propostas pela CSN Cimentos deveriam ultrapassar R$ 10 bilhões.
A possível venda das operações de cimento, somada à negociação da unidade alemã, integra a estratégia da companhia de levantar recursos com a alienação de ativos e reduzir seu elevado nível de endividamento.