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Prejuízo da MRV (MRVE3) no 2T26 Supera o Dobro das Projeções com ‘Efeito Resia’ e Alta de Despesas

Companhia frustrou projeções do mercado com impacto negativo da subsidiária americana Resia; analistas da XP e BTG, no entanto, mantêm recomendação de compra

4 min

A MRV&Co (MRVE3), que une MRV, Urba, Luggo e Resia, anotou prejuízo líquido de R$ 626,3 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), conforme resultado divulgado no fim desta quarta-feira (12). O prejuízo líquido ajustado, excluindo a marcação a mercado de derivativos, atingiu R$ 540 milhões.

A MRV, assim, ficou aquém das expectativas dos analistas. O BTG Pactual, por exemplo, projetava um prejuízo de R$ 274 milhões para a empresa. A XP mirava R$ 213 milhões negativos para a última linha do balanço da companhia.

A MRV no 2T26 apresentou também um EBITDA ajustado negativo em R$ 142 milhões, representando melhora de 70% ante os R$ 476 milhões negativos em igual etapa do ano anterior.

A receita líquida da companhia foi de R$ 3 bilhões entre abril e junho, crescimento de 11% ante o mesmo período do ano de 2025.

O Ebitda ficou aquém das expectativas do consenso Bloomberg, que esperava R$ 467 milhões positivos, ao passo que a receita líquida ficou ligeiramente acima das projeções do consenso, que eram de R$ 2,92 bilhões.

As Despesas Gerais e Administrativas (SG&A) foram de R$ 130 milhões, crescimento de 8,1% no comparativo de base anual. Despesas Comerciais cresceram 5,4% para R$ 258 milhões.

Analistas enxergam resultados fracos, com despesas maiores do que o esperado e impacto de impairments da Resia

Analistas da XP e do BTG Pactual avaliaram os números do resultado da MRV como “fracos”, com várias linhas do balanço abaixo das projeções e uma pressão de custos considerável.

No caso do BTG Pactual, os analistas de sell-side da casa destacaram despesas com juros e gerais e administrativas (SG&A) maiores do que o esperado nas operações brasileiras.

Em simultâneo, o impairment (perda por redução ao valor recuperável) adicional nos EUA também jogou contra, uma vez que as vendas de ativos da Resia em agosto já impactaram o DRE do trimestre.

“As operações nos EUA (Resia) aceleraram significativamente o ritmo de sua liquidação (via venda de ativos), de modo que o DRE refletiu as perdas nas vendas realizadas durante o trimestre e o impairment adicional sobre as vendas de ativos que devem ser concluídas no terceiro trimestre”, diz a casa.

“Nos EUA, observamos um prejuízo líquido de US$ 124 milhões, o que levou o valor patrimonial da Resia para o território negativo (-US$ 23 milhões). Pelo lado positivo, a empresa já vendeu US$ 401 milhões em ativos no acumulado do ano, o que deve reduzir significativamente a alavancagem assim que os recursos forem recebidos”, completa.

Na operação brasileira, os resultados da MRV ficaram ligeiramente abaixo da projeção do BTG Pactual, apesar de a receita e a margem bruta terem superado as previsões.

“As despesas gerais e administrativas (SG&A) e as despesas com juros vieram mais altos do que o esperado, o que, combinado com uma perda de R$ 87 milhões em total return swap (TRS), resultou em um prejuízo líquido de R$ 10 milhões para a MRV Brasil, um resultado ligeiramente pior do que o esperado.”

O BTG Pactual mantém recomendação de compra para as ações da MRV, com preço-alvo de R$ 12 — cifra que representaria uma apreciação de mais de 180% ante os patamares de preço atuais.

A XP destaca também que o EBITDA foi impactado principalmente pelo reconhecimento de R$569 milhões em impairments na Resia no trimestre, referentes às duas vendas de ativos anunciadas recentemente.

“Como resultado dessas vendas, a companhia espera uma redução de R$1,7 bilhão em sua dívida líquida, para R$4,6 bilhões, ante R$6,3 bilhões ao final de 2025”, observa.

Com isso, rotula os números também como “fracos”, embora a receita líquida tenha ficado 2,1% acima das estimativas da casa e 2,9% acima do consenso.

“No geral, vemos os resultados da MRV como fracos, uma vez que a companhia reconheceu integralmente no 2T26 os impairments referentes às vendas recentes da Resia. Do lado positivo, o 3T26 pode apresentar melhora, sem o reconhecimento de impairments e com geração de caixa superior a R$1,5 bilhão.”

A XP, todavia, também manteve recomendação de compra para MRVE3, com uma tese sustentada em valuation considerado descontado — negociando a 3,1x preço sobre lucro (P/L) projetado para 2027 — e na trajetória de desalavancagem da empresa.

O preço-alvo da XP é de R$ 10 para os papéis.

Cotação das ações da MRV

As ações da MRV subiram 14,3% no pregão desta quinta-feira (13), fechando a R$ 4,80. Os papéis desvalorizam mais de 37% em 12 meses, todavia.

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