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Fintechs Preveem Crescimento de 100% do Consignado Privado Em Dois Anos

Perspectiva é de expansão acelerada: penetração é de apenas 20% entre 47 milhões de tomadores em potencial

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Os empréstimos consignados privados são uma das alternativas mais promissoras para os bancos. O saldo da carteira atingiu R$ 117,7 bilhões em julho de 2026, segundo o Banco Central, alta de 3,8% sobre os R$ 113 bilhões de junho. Um ano antes, em julho de 2025, o saldo era de R$ 49,9 bilhões — a carteira mais que dobrou em 12 meses.

Na mesma base de junho, o consignado público somava R$ 390 bilhões, mais de três vezes o volume da modalidade privada. As concessões mensais também voltaram a acelerar: R$ 8,8 bilhões em julho, ante R$ 7,7 bilhões em junho. O crescimento é resultado direto da reformulação do produto promovida pelo governo federal em março de 2025, quando a contratação passou a dispensar convênio prévio entre empresa e banco.

O potencial de expansão explica o apetite das instituições financeiras pelo produto. O consignado privado tem hoje como público-alvo potencial os mais de 47 milhões de trabalhadores brasileiros com carteira assinada, incluindo domésticos, rurais e contratados por microempreendedores individuais. Desse total, a penetração ainda é baixa: executivos do setor estimam que cerca de 20% já contrataram o produto.

O governo federal projeta que, em até quatro anos, cerca de 25 milhões de pessoas passem a integrar o consignado privado — mais que o dobro da base atual, hoje próxima de 10 milhões de tomadores. A meta depende da manutenção da plataforma via eSocial, que dispensa negociação direta entre banco e empregador e permite que qualquer instituição habilitada dispute o cliente em um sistema de leilão de taxas.

As estimativas do setor são de que a carteira de empréstimos, hoje próxima de R$ 140 bilhões segundo o Ministério do Trabalho, pode chegar a R$ 300 bilhões em até dois anos. Segundo Leonardo Kogut, ex-executivo do Santander e do Itaú BBA e fundador da fintech Youcred, a penetração do consignado nesse público é de no máximo 20% e o principal atrativo do produto é permitir a substituição de dívidas caras, como cartão de crédito e cheque especial, por uma linha com juros menores devido ao desconto automático em folha.

Uma fintech ilustra a aposta no tamanho ainda inexplorado do mercado. A YouCred levantou R$ 5 milhões em capital semente e diz ter como meta originar R$ 1 bilhão em crédito do trabalhador no próximo ano com uma operação enxuta baseada em inteligência artificial. “A Inteligência Artificial mudou para sempre a física dos negócios”, diz Kogut, filho do empreendedor Marcio Kogut (fundador da fintech de consórcios Mycon).

Para Leonado, a tecnologia permite hoje operar volumes de crédito que antes exigiam estruturas corporativas maiores. São números e metas declarados pela própria fintech, ainda sem verificação independente de execução.

O desafio para bancos e fintechs é reduzir o risco cadastral e de crédito sem perder a simplicidade operacional e o baixo custo de aquisição que tornaram o produto atrativo. A tarefa ficou mais urgente em julho, quando a inadimplência atingiu 10%, maior nível da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011 — alta de 1,3 ponto percentual em um mês.

Parte do problema é estrutural: o desconto em folha do trabalhador CLT depende do vínculo empregatício, e pode ser interrompido quando o cliente muda de emprego ou é demitido. A resposta regulatória tem sido apertar as regras: a Resolução CGCONSIG/MTE nº 2, de abril de 2026, criou um teto de juros para operações com garantia de FGTS, e as concessões mensais caíram entre 22,8% e 29% logo depois.

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