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Ibovespa Fecha em Alta após Quatro Quedas com Itaú e BB entre Suportes; Dólar e Petróleo Caem

Investidores também seguiram atentos ao noticiário político no Brasil, após a divulgação de nova pesquisa eleitoral

9 min

O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira (29), com Itaú Unibanco e Banco do Brasil entre os principais suportes, em pregão marcado por uma agenda macro intensa e nova pesquisa mostrando um cenário indefinido para a disputa pelo Palácio do Planalto.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,46%, a 183.827,59 pontos, após marcar 181.562,24 na mínima e chegar a 183.951,05 na máxima do dia.

Tal desempenho encerrou uma série de quatro fechamentos negativos, período em que o Ibovespa acumulou uma perda de mais de 2%. Incluindo a mínima nesta terça-feira, o recuo supera 3%.

De acordo com pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as intenções de voto para o primeiro turno com 45,3%, seguido por senador Flávio Bolsonaro (PL), que somou 42,2%.

Em um potencial segundo turno, ambos permanecem em empate técnico, mas com Flávio à frente, com 47,7%, enquanto Lula teria 47,6%.

O primeiro turno da eleição está previsto para o próximo domingo e o segundo é aguardado em 25 de outubro.

De acordo com o chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, Gabriel Magno, o mercado ainda está em compasso de espera para o primeiro turno.

“Até domingo, os investidores irão ficar atentos às pesquisas eleitorais, que vêm mostrando uma disputa bem acirrada e qualquer surpresa no domingo poderá fazer preço no Ibovespa a partir da próxima semana”, afirmou.

“O foco está totalmente nas eleições de domingo”, reforçou o advisor sênior da Blue3 Investimentos, Gabriel Macarini.

A terça-feira também teve uma agenda local macro carregada, com dados de inflação, desemprego, criação de vagas formais e crédito no Brasil, alémde números sobre as contas do governo central.

No exterior, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos tiveram uma sessão volátil, reagindo a queda do petróleo, preocupações com inflação e declaração de autoridade do Federal Reserve. No final da tarde, o rendimento do Treasury de 10 anos marcava 5,2425%, ante 5,242% na véspera.

No mercado acionário norte-americano, o índice S&P 500 fechou em baixa de 0,17%.

Destaques

• BANCO DO BRASIL ON subiu 2,56%, melhor desempenho entre os bancos do Ibovespa, em sessão comdados sobre crédito no país. ITAÚ PN avançou 1,41% e BRADESCO PN ganhou 0,68%. SANTANDER BRASIL UNIT, na contramão, caiu 0,40%. BTG PACTUAL UNIT subiu 0,96%, tendo ainda no radar que recebeu autorização regulatória para operar banco no Peru.

• VALE ON recuou 2,18%, enfraquecida pela queda dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian encerrou com declínio de 0,78%. Analistas do UBS BB também cortaram o preço-alvo dos papéis da mineradora de R$85 para R$77, mantendo a recomendação neutra.

• PETROBRAS PN avançou 0,78% e PETROBRAS ON encerrou com variação positiva de 0,09%, mesmo em pregão de queda dos preços do petróleo no exterior, onde o barril do Brent fechou em baixa de 2,6%, a US$102,59. A estatal também assinou contrato de longo prazo de compra e venda de gás natural liquefeito (GNL) com a Cheniere Marketing, companhia norte-americana subsidiária da Cheniere Energy.

• AZZAS 2154 ON avançou 10,50%, com investidores ainda especulando sobre potenciais reflexos da reorganização societária anunciada no começo do mês, principalmente um desfecho para a unidade FARM Rio. O índice de consumo na B3 fechou com elevação de 0,95%, endossado pelo alívio nas taxas dos DIs.

• FLEURY ON subiu 2,75%, tendo de pano de fundo pagamento de remuneração a acionistas. O grupo de medicina diagnóstica pagou na segunda-feira quase R$217,85 milhões em juros sobre o capital próprio (JCP) que haviam sido aprovados em agosto.

• CSN ON tombou 9,85%, após a controlada CSN Mineração reduzir temporariamente as atividades de produção de minério de baixa qualidade da sua usina de beneficiamento a seco do complexo de Pires (MG) e cortar aprojeção de produção e compras de minérios de terceiros em 2026. CSN MINERAÇÃO ON recuou 5,74%. No setor, USIMINAS PNA caiu 0,71% e GERDAU PN cedeu 3,55%.

Dólar

Após alternar altas e baixas ao longo da sessão, o dólar fechou a terça-feira com leve queda ante o real, acompanhando o enfraquecimento da moeda norte-americana ante algumas divisas de emergentes no exterior e a perda de força das taxas dos Treasuries durante a tarde.

Investidores também seguiram atentos ao noticiário político no Brasil, após a divulgação de nova pesquisa eleitoral.

O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 0,25%, a R$5,2132. No ano, a divisa passou a acumular queda de 5,02%.

Às 17h03, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,19% na B3, aos R$5,2155.

Após ceder no início do dia, o dólar ganhou força entre o fim da manhã e o início da tarde, na esteira do avanço dos rendimentos dos Treasuries, em meio a preocupações com a inflação nos EUA. Ainda que o petróleo tenha recuado durante todo o dia, os rendimentos dos títulos de dez anos se aproximaram dos 5,29% — o maior nível em décadas –, impulsionando as cotações da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas.

Na máxima do dia, às 12h27 e às 14h01, o dólar à vista foi cotado a R$5,2418 (+0,29%).

Mas o cenário mudou após declarações de autoridades do Federal Reserve à tarde, em especial do presidente do Fed de Nova York, John Williams. Segundo ele, o banco central dos EUA tem tempo para analisar os dados antes de decidir quando aumentar as taxas de juros novamente.

“Com as medidas de política monetária que adotamos em nossa reunião de setembro, não há necessidade de pressa”, disse Williams no texto de um discurso preparado para ser proferido diante de uma plateia na Universidade de Buffalo, em Buffalo, Nova York.

Em reação, as taxas dos títulos norte-americanos de dois anos despencaram e os rendimentos dos Treasuries de dez anos se afastaram da máxima do dia. O dólar também perdeu força ante boa parte das divisas de países emergentes, incluindo o real, com as cotações no Brasil voltando para a faixa de R$5,21.

A corrida presidencial brasileira também seguiu no radar dos investidores durante todo o dia.

Uma nova pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou pela manhã que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está com 47,7% das intenções de voto no segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 47,6% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois estão tecnicamente empatados. No levantamento anterior, Flávio tinha 47,4% e Lula somava 47,7%.

No mercado, Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte dos agentes, que enxergam sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias mais favoráveis a Flávio — como a liderança numérica no segundo turno pela pesquisa Atlas/Bloomberg — tendem a trazer um viés baixista para o dólar e para a curva de juros.

No exterior, às 17h18 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — subia 0,25%, a 101,440.

Petróleo

Os preços do petróleo fecharam com queda de 2,5% nesta terça-feira, com os investidores atentos aos sinais de recuperação das exportações de petróleo do Oriente Médio, embora os preços caminhassem para ganhos mensais devido à preocupação persistente com interrupções no abastecimento durante a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Os futuros do petróleo Brent fecharam com queda de US$2,69, ou 2,6%, a US$102,59 o barril. O petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA fechou com queda de US$3,22, ou 3,5%, a US$89,38.

O Brent caminhava para um ganho mensal de cerca de 13%, e o WTI, de cerca de 4%.

Os futuros do petróleo estavam “sob pressão nesta manhã com a notícia de que o fluxo do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita aumentou… As negociações entre os EUA e o Irã também continuam e, embora pareçam distantes, ambos buscam uma saída, e quanto mais petróleo fluir pelo Oriente Médio, menor será o poder de barganha do Irã”, disse Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da BOK Financial.

A Arábia Saudita retomou o carregamento de petroleiros em seu porto de Yanbu, no Mar Vermelho, após reiniciar as operações no oleoduto Leste-Oeste, de acordo com fontes do setor e dados de transporte marítimo, melhorando as perspectivas para as exportações de petróleo do Oriente Médio.

As exportações de petróleo dos produtores do Oriente Médio se recuperaram em setembro, atingindo 16,328 milhões de barris por dia — o maior nível desde o início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, no final de fevereiro —, segundo dados divulgados pelaKpler na segunda-feira.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não ofereceu nada ao Irã para encerrar o conflito, rejeitando reportagens da mídia que citavam autoridades americanas dizendo que ele estaria disposto a flexibilizar as sanções e liberar fundos congelados em troca de medidas “concretas” em relação ao programa nuclear iraniano.

Os contratos futuros de diesel na Europa registraram ligeira queda nesta terça-feira, enquanto nos EUA foram negociados com alta de 2,6%.

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