1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Bancos Disparam após 1º Turno e Euforia Eleitoral Engorda Fortunas Bilionárias
Forbes Money

Bancos Disparam após 1º Turno e Euforia Eleitoral Engorda Fortunas Bilionárias

BTG saltou 22,52% após primeiro turno, enquanto Bradesco, Itaú e Banco do Brasil avançaram dois dígitos

8 min

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais não mexeu apenas com as expectativas dos investidores sobre os rumos da economia brasileira. A euforia que tomou conta da Bolsa na segunda-feira (5), primeiro pregão após a votação, provocou uma forte valorização dos bancos brasileiros e acrescentou bilhões de reais ao patrimônio de seus acionistas. O Ibovespa disparou 7,70%, fechou aos 206.904 pontos e superou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos. O volume financeiro negociado alcançou R$ 102,7 bilhões, de acordo com a Reuters.

No primeiro turno das eleições, Flávio Bolsonaro (PL) obteve em torno de 47,1% dos votos válidos, ante cerca de 45,1% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo Thomas Haugaard, gerente de portfólio da Janus Henderson Investors, Bolsonaro superou a média das pesquisas em mais de quatro pontos percentuais e ficou à frente nos três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Para Haugaard, o desempenho sinaliza uma demanda mais ampla por mudança política, em vez de apenas uma consolidação do eleitorado tradicional de direita. “O segundo turno ocorrerá em 25 de outubro, com Bolsonaro agora como favorito. Ele parte com uma vantagem de dois pontos e deve conquistar uma parcela maior dos votos restantes do centro e da centro-direita. Os mercados de previsão ultrapassaram os 80% após o resultado. No entanto, a eleição ainda não está decidida”, aponta Haugaard.

Os papéis do banco BTG Pactual (BPAC11) encerraram o pregão em alta de 22,52%, a R$ 80,89, segundo dados de mercado divulgados após o fechamento — as ações chegaram a subir mais de 26% na máxima do dia. Foi uma das maiores valorizações entre as empresas que compõem o principal índice da bolsa brasileira. A disparada aumenta a fortuna de André Esteves o quarto brasileiro mais rico do país, principal acionista e chairman do BTG. Atualmente, de acordo com o ranking da Forbes, Esteves está na posição 229 entre os mais ricos do mundo — com um montante de US$ 13,7 bilhões (R$ 68,29 milhões).

Bancos ganharam dois dígitos em um dia

Não foi apenas o BTG que saiu ganhando, as instituições financeiras estiveram entre as principais beneficiadas pelo rali que tomou conta da B3.

As ações do Bradesco (BBDC4) terminaram a segunda em alta de 13,57%, a R$ 21,84. O Banco do Brasil (BBAS3) avançou 11%, para R$ 26,33, enquanto os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4) – cujo controle é compartilhado entre as famílias bilionárias Moreira Salles e Setubal e Villela – ganharam 10,37%, superando a barreira dos R$ 50 pela primeira vez em sua história. 

O BDR da XP (XPBR31) (certificado negociado na B3 que representa ações da empresa listadas no exterior), por sua vez, disparou 24,43%, para R$ 139,61.

Além disso, os bancos brasileiros negociados nos Estados Unidos também foram atingidos pelo movimento. Antes da abertura do mercado brasileiro, na segunda, as ações do Banco Inter negociadas na Nasdaq avançavam 13,14% no pré-mercado, enquanto os papéis do Nubank subiam 11,36%.

Ao longo da sessão, o movimento do Nubank se fortaleceu. As ações da Nu Holdings encerraram o pregão americano de 5 de outubro cotadas a US$ 15,18, alta de 13,03%.

O principal ETF (fundo de investimento negociado em Bolsa que busca acompanhar o desempenho de um índice ou conjunto de ativos) de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, o iShares MSCI Brazil (EWZ), chegou a avançar em torno de 12% no pré-mercado na manhã seguinte à eleição.

Por que os bancos subiram tanto?

A disparada das ações dos bancos após o primeiro turno reflete, principalmente, umareprecificação do risco brasileiro, segundo especialistas consultados pela Forbes Brasil. Com o resultado das urnas diferente do que parte do mercado esperava, investidores passaram a incorporar nos preços uma probabilidade maior de mudança na condução da política econômica, especialmente na área fiscal.

Em relatório publicado na terça-feira (6), oJ.P. Morgandestacou que a taxa de juros de dez anos do Brasil caiu de aproximadamente14,4% para 13%durante o rali. Com a mudança, o banco reduziu em cerca de1,5 ponto percentualo custo de capital próprio (CoE, na sigla em inglês) utilizado para avaliar a maior parte das instituições financeiras que acompanha. Segundo o relatório, essa revisão explica entre15% e 20% da elevação dos preços-alvocalculados pelo banco para boa parte das empresas do setor.

Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, destaca que a reação também esteve ligada à composição do Congresso e à expectativa de maior disciplina fiscal. “O mercado trabalhava com uma configuração eleitoral diferente e precisou recalibrar as posições quando o primeiro turno mostrou Bolsonaro à frente e, ao mesmo tempo, uma composição do Congresso percebida como mais favorável a uma agenda de maior disciplina fiscal.”

Na avaliação de Araújo, a queda dos juros longos beneficia as instituições financeiras por diferentes canais. Além de reduzir a taxa de desconto utilizada nas avaliações das empresas, melhora as perspectivas para a atividade econômica e para o mercado de crédito, com potencial impacto sobre a inadimplência. Os bancos estão entre os ativos mais líquidos da Bolsa e, por isso, costumam funcionar como uma das portas de entrada para investidores estrangeiros que desejam aumentar rapidamente a exposição ao Brasil.

Renato Widmer, CIO e gestor da Aurum Wealth Management, afirma que uma possível vitória de Bolsonaro já estava parcialmente incorporada aos preços, mas que a liderança no primeiro turno ampliou a percepção do mercado sobre suas chances no segundo.

Para o gestor, a expectativa de juros menores em um cenário de maior compromisso fiscal ajuda a explicar por que os bancos ficaram entre os maiores beneficiados. Além do impacto de uma taxa de desconto menor sobre o valor dos lucros futuros, juros mais baixos podem criar condições mais favoráveis para retomada do crédito, fusões e aquisições e operações no mercado de capitais, atividades importantes para as receitas das instituições financeiras.

O J.P. Morgan passou a incorporar parte desse cenário às suas projeções. Para empresas mais expostas ao mercado de capitais, elevou as estimativas de lucro por ação para 2027 em8% a 12% para XP e B3e em4% a 5% para o BTG Pactual. O banco destacou ainda que o volume negociado no mercado à vista chegou aR$ 103 bilhõesno pregão posterior à eleição, entre três e quatro vezes os níveis anteriores ao pleito.

O rali dos bancos pode continuar?

Apesar da euforia, a disparada não significa que todas as instituições financeiras tenham agora o mesmo potencial.

O J.P. Morgan adotou uma postura mais seletiva depois do rali. O banco elevou a recomendação doBradesco paraoverweight(equivalente a uma expectativa de desempenho acima da média), mas rebaixou oBanco do Brasilparaunderweight(expectativa de desempenho abaixo da média). Para oItaú, manteve a recomendaçãooverweight.

No Bradesco, o preço-alvo passou paraR$ 26, ante R$ 22 anteriormente. Já para o Itaú, subiu deR$ 51 para R$ 60. No sentido contrário, o preço-alvo do Banco do Brasil ficou emR$ 23, abaixo dos R$ 26,33 em que a ação encerrou na segunda.

A cautela está relacionada ao fato de que juros menores não produzem apenas efeitos positivos sobre os bancos. O J.P. vê um cenário desafiador para o crédito e reduziu em torno de2% a 3%suas projeções de lucro para a maioria das instituições em 2027, principalmente diante do risco de aumento das provisões para perdas.

No Banco do Brasil, por exemplo, o banco de investimento avalia que juros menores podem ajudar a inadimplência, mas também pressionar amargem financeira, já que a instituição historicamente se beneficia de taxas mais elevadas em razão do baixo custo de captação e do excesso de liquidez.

Araújo da Azumi Investimentos pondera que movimentos da magnitude observada logo após o primeiro turno dificilmente serão recorrentes. “Depois de uma alta tão forte, é natural haver realização de lucros e maior seletividade entre os papéis.”

De acordo com ele, a continuidade do movimento dependerá daspesquisas para o segundo turno, das alianças políticas e das propostas fiscais apresentadas pelos candidatos. Para o setor bancário, entram ainda no radar a curva de juros, o fluxo de capital estrangeiro, a trajetória da inadimplência, a concessão de crédito e os resultados das próprias instituições.

“Se o prêmio de risco continuar caindo, o setor ainda pode se beneficiar, mas o mercado agora vai exigir fundamentos para sustentar a reprecificação que começou nas urnas”, ressalta Araújo.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.