O Ibovespa encerrou esta sexta-feira (9) em alta de 1,38%, aos 209.066,90 pontos, renovando seu recorde histórico de fechamento, enquanto o dólar caiu 0,76%, a R$ 4,9856. O movimento foi impulsionado por novas pesquisas eleitorais que mostraram o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais.
Na semana seguinte ao primeiro turno, a bolsa brasileira acumulou valorização de 11,17%, enquanto a moeda americana registrou queda de 4,44% frente ao real. No ano, o dólar acumula recuo de 9,17%.
O Ibovespa também renovou seu recorde intradiário, ao atingir 209.713,45 pontos na máxima da sessão. O volume financeiro negociado nesta sexta-feira somou R$ 56,08 bilhões.
O otimismo dos investidores ganhou força após a divulgação de duas pesquisas eleitorais. Na noite de quinta-feira (8), o Datafolha mostrou Flávio Bolsonaro com 49% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Os candidatos estão tecnicamente empatados no limite da margem de erro de dois pontos percentuais.
Na manhã desta sexta-feira, o levantamento Atlas/Bloomberg apontou o senador com 51,1% das intenções de voto, ante 45,7% do presidente. Nesse caso, a diferença supera a margem de erro de um ponto percentual, colocando Flávio à frente fora da faixa de empate técnico.
As pesquisas reforçaram as apostas de investidores em uma mudança na condução da política econômica a partir de 2027. Parte do mercado avalia que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia aumentar as chances de maior controle das contas públicas, embora o candidato ainda não tenha detalhado medidas concretas para promover o ajuste fiscal.
A expectativa de maior equilíbrio fiscal contribuiu para a redução dos prêmios exigidos pelos investidores nos contratos de juros futuros, favorecendo a valorização das ações e do real.
“O trade eleitoral invadiu o mercado. Ainda temos um fluxo estrangeiro entrando se posicionando para o segundo turno aqui no Brasil”, afirmou Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing.
O dólar chegou a atingir R$ 4,9765 na mínima do dia, acompanhando a queda dos juros futuros e o maior apetite dos investidores por ativos brasileiros.
“O dólar cai acompanhando os juros futuros, e é um sinal claro de que o mundo está de olho e querendo comprar o risco dos emergentes, principalmente do Brasil, após Flávio ter ficado em primeiro lugar no primeiro turno”, afirmou Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital.
O movimento também acompanhou a desvalorização da moeda americana frente a outras divisas de países emergentes, como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno.
Bolsa pode enfrentar realização de lucros
Apesar do otimismo, analistas alertam que a velocidade da valorização das ações pode abrir espaço para uma correção nos próximos pregões.
“Não há cenário realístico para manter a bolsa nesse patamar. É simplesmente expectativa, projeção e vontade do mercado de uma alternância de poder em 2027, e posicionamento”, afirmou Sant’Anna.
Para Marcos Praça, diretor de análises da Zero Markets Brasil, o avanço expressivo das ações também aumenta a possibilidade de realização de lucros.
“Depois da forte valorização acumulada, aumenta a possibilidade de movimentos de realização de lucros e maior volatilidade, especialmente nos setores que lideraram o rali”, afirmou.
Com o noticiário eleitoral concentrando as atenções, os investidores deixaram em segundo plano os dados de inflação divulgados nesta sexta-feira.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,82% em setembro, acima da expectativa de 0,73% dos economistas consultados pela Reuters. Em 12 meses, a inflação acumulou alta de 4,58%, também superior à projeção de 4,50%.
A inflação acima das expectativas pode dificultar o processo de redução da taxa básica de juros pelo Banco Central, embora o mercado tenha dado maior peso às perspectivas eleitorais nesta sessão.
No exterior, as bolsas de Nova York também encerraram o dia em alta, com o S&P 500 avançando 0,60%. Os investidores voltaram suas atenções para o início da temporada de balanços do terceiro trimestre e para novos indicadores de inflação nos Estados Unidos.
Magazine Luiza e MRV disparam; bancos também avançam
Entre as ações do Ibovespa, os papéis de empresas ligadas ao consumo e ao mercado imobiliário estiveram entre os principais destaques, beneficiados pelo recuo das taxas de juros futuros.
A MRV (MRVE3) liderou os ganhos do índice, com valorização de 21,62%. A construtora informou que encerrou o terceiro trimestre com geração de caixa de R$ 456 milhões, impulsionada, entre outros fatores, pela venda de ativos.
O Magazine Luiza (MGLU3) avançou 19,22%, enquanto Lojas Renner (LREN3) e C&A (CEAB3) registraram altas de 11,56% e 8,38%, respectivamente.
No setor de construção, a Cury (CURY3) subiu 9,66%, após divulgar crescimento de 8,8% na geração de caixa do terceiro trimestre, para R$ 253,6 milhões. A Tenda (TEND3) ganhou 4,78%, depois de apresentar expansão de 4,4% nas vendas, que somaram R$ 1,29 bilhão no período.
Os bancos também acompanharam o movimento positivo. O BTG Pactual (BPAC11) avançou 5,02%, seguido por Itaú Unibanco (ITUB4), com alta de 2,27%, Banco do Brasil (BBAS3), com ganho de 1,57%, e Bradesco (BBDC4), que subiu 0,46%. Na contramão, Santander Brasil (SANB11) recuou 0,86%.
Entre as empresas de commodities, a Petrobras registrou alta de 0,94% nas ações preferenciais (PETR4) e de 1,82% nas ordinárias (PETR3), acompanhando a valorização do petróleo no exterior.
A Vale (VALE3) avançou 0,38%, apesar da queda de 1,16% nos contratos mais negociados do minério de ferro na bolsa de Dalian, na China.